clínico esteve condicionado à demanda e rotina de atendimento das
duas unidades hospitalares e equipes médicas responsáveis. As atividades
desenvolvidas nos hospitais junto às equipes de saúde foram conduzidas sob
supervisão do Prof. Dr. Maurício Simões Abrão. O estudo foi aprovado pelos
Comitês de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas conforme
parecer nº 1170/CEPESH (Anexo A), do Hospital Sírio -Libanês conforme
Registro AVAP nº GBC260 (Anexo B) e registrado na Plataforma Brasil conforme
parecer nº 550.484 (Anexo C). Todas as pacientes leram e assinaram o Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo D). O tipo de cirurgia realizado por
cada paciente está sumarizado no Apêndice A.
4.1.2 Critérios de inclusão
Os critérios de inclusão do G rupo Caso (com endometriose) foram:
Comprovação histológica da endometriose; Ausência de doenças neoplásicas
concomitantes, no momento do diagnóstico histológico de endometriose,
constatada pela anamnese, exame físico, inspeção cirúrgica e exames
55
subsidiários, quando necessários; Ausência de doenças autoimunes, confirmada
por anamnese, exame físico e por exames laboratoriais quando necessário
clínicos e exames laboratoriais sugestivos de doença autoimune ; Pacientes
deveriam estar no período da menacme; Pacientes que não tivessem utilizado
antibioticoterapia até um mês antes da coleta do material.
Para o grupo controle, foram adotados os seguintes critérios de inclusão:
Comprovação cirúrgica da ausência de lesões de endometriose; Ausência de
doenças neoplásicas, diagnóstico negativo para en dometriose constatada pela
anamnese, exame físico, inspeção cirúrgica e exames subsidiários, quando
necessários; Ausência de sinais clínicos e exames laboratoriais sugestivos de
doença autoimune ; Pacientes deveriam estar no período da menacme;
Pacientes com indicação de cirurgia por videolaparoscopia ; Pacientes que não
tivessem utilizado antibioticoterapia até um mês antes da coleta do material.
4.1.3 Quadro clínico
Todas as pacientes foram questionadas quanto à presença de seis
sintomas associados à endometriose, sendo estes:
a. Dismenorreia: dor em cólica no período menstrual, considerada para o
estudo somente de intensidade severa, quando a paciente referia que a dor não
melhorava completamente com analgésicos, mas não a impedia de exercer suas
atividades habituais ou incapacida de, quando a paciente referia que a dor a
impedia de exercer suas atividades habituais (LAUFER; GOLDSTEIN, 1998);
b. Dispareunia de profundidade: dor pélvica durante a relação sexual;
c. Dor pélvica acíclica: dor pélvica sem relação com o ciclo menstrual por
menos de seis meses, sem melhora com a utilização de analgésicos;
d. Infertilidade: dificuldade para engravidar em casal com vida sexual ativa
(duas ou mais relações sexuais por semana) e sem utilizar método contraceptivo
por pelo menos um ano;
e. Alterações intes tinais cíclicas: sintomas intestinais durante o período
menstrual, incluindo aceleração ou diminuição do trânsito intestinal, dor à
evacuação, puxo, tenesmo e/ou sangramento nas fezes.
f. Alterações urinárias cíclicas: sintomas urinários durante o período menstrual,
incluindo disúria, hematúria, polaciúria e/ou urgência miccional.
56
Todos os quadros álgicos tiveram sua intensidade avaliada de acordo com
a escala analógica da dor (EAD) (Anexo E). As notas da EAD de 1 a 6 (< 7) foram
consideradas para dores leves ou moderadas e as notas de 7 a 10 (≥ 7) para
dores severas (CHAPRON et al., 2012) . Além disso, questionários para
avaliação de c aracterísticas demográficas , hábitos e características clínicas
foram aplicados a cada paciente (Apêndice B e Anexo F).
4.1.4 Estadiamento da Endometriose
As pacientes com endometriose tiveram sua doença classificada durante
o procedimento cirúrgico pelos critérios da American Society for Reproductive
Medicine (ASRM), revisado em 1996 (Figura 4), em estádios de I a IV.
57
Figura 4 – Estadiamento da endometriose prop osto pela American Society for
Reproductive Medicine - ASRM (1996).
Usar em caso de trompas
e ovários normaisE D
Usar em caso de trompas
e ovários anormaisE D
* Se as fímbrias tubárias estiverem totalmente envolvidas por aderências, mude o escore para 16.
Porcentagem de implantes:
Lesões vermelhas (claras, vermelhas, rosadas, em chama, vesículas): ___%
Lesões brancas (brancas, amareladas, marrons, defeitos de peritônio): ___%
Lesões pretas (pretas, depósitos de hemossiderina, azuis): ___%
Endometriose adicional: _________________________________________
Patologias associadas: __________________________________________
Estádio I (mínima): 1 – 5 pontos
Estádio II (leve): 6 – 15 pontos
Estádio III (moderada): 16 – 40 pontos
Estádio IV (severa): > 40 pontos
PERITÔNIO
ENDOMETRIOSE 3 cm
Superficial 1 2 4
Profunda 2 4 6
OVÁRIO
D Superficial 1 2 4
Profunda 4 16 20
E superficial 1 2 4
Profunda 4 16 20
OBLITERAÇÃO DO FUNDO DE
SACO POSTERIOR
Parcial Completa
4 20
OVÁRIO
ADERÊNCIAS 2/3
Envolvidos
D Velamentosa 1 2 4
Densa 4 8 16
E Velamentosa 1 2 4
Densa 4 8 16
TROMPA
D Velamentosa 1 2 4
Densa 4* 8* 16
E Velamentosa 1 2 4
Densa 4* 8* 16
58
4.1.5 Locais da doença
As lesões de endometriose foram também avaliadas quanto ao sítio mais
severo de endometriose peritônio, ovário e/ou em localização infiltrativa
profunda, que inclui região retrocervical, vagina, reto -sigmoide, íleo, apêndice,
ureter e bexiga. Os locais de comprometimento foram considerados observando-
se critérios de severidade do processo, ou seja, doença profunda mais grave que
a ovariana, que por sua vez é mais grave que a doença peritoneal. Assim, foram
atribuídos como critérios para se considerar doença peritoneal, a existência de
focos peritoneais exclusivos, sem a presença de doença profunda e em ovários.
A doença ovariana foi determinada na ausência da doença profunda,
independente de focos peritoneais . Para a doença profunda, não houve
restrições pela presença de endometriose peritoneal ou ovariana.
4.2 Coleta de amostras e processamento em laboratório
4.2.1 Swab endocervical
Para obtenção de swab endocervical de cada paciente, foram utilizados
espéculos estéreis de forma asséptica. Durante a coleta evitou -se a fricção do
swab no introito vaginal. Os swabs foram acondicionados em 5 mL de meio de
transporte (BUSOLO et al. , 1981) e mantidos sob refrigeração (4 °C) até o
processamento em laboratório. Em seguida, as amostras foram
homogeneizadas em vórtex (15 segundos), divididas em alí quotas (1 mL) em
microtubos e, por fim, armazenadas sob refrigeração (-20 °C) até o momento do
uso.
4.2.2 Fluido Peritoneal
O fluido intraperitoneal foi colhido no início da cirurgia laparoscópica do
fundo do saco de Douglas e de outras regiões do assoalho pélvico. De forma
asséptica, as amostras foram imediatamente aliquotadas em microtubos estéreis
de criopreservação, prontamente armazenados em nitrogênio líquido. As
amostras foram mantidas congeladas até o processamento em laboratório. No
59
laboratório, as amostras de fluido peritoneal foram processadas e armazenadas
de acordo com a sua finalidade. A alíquota destinada aos testes de detecção de
microrganismos por meio da PCR quantitativa em tempo real foi armazenada a
- 80 °C até o momento do uso. A alíquota destinada à dosagem de citocinas foi,
inicialmente, centrifugada a 20 600 x g por 5 minutos. O sobrenadante foi
acondicionado em novos microtubos estéreis até o uso. O pellet obtido na
centrifugação, por sua vez, foi homogeneizado em 1 mL com sol ução tampão
estéril RNA Later ® (Ambion, Inc., Austin, TX) e armazenado até o uso para
análises de expressão gênica.
4.2.4 Lesão de Endometriose
As amostras de lesão de endometriose (peritoneal, ovariana ou profunda)
ou peritônio sadio foram acondicionad as em microtubos estéreis de
criopreservação imediatamente após a remoção cirúrgica, ainda na sala de
cirurgia. Antes de serem armazenados, os tecidos foram divididos de forma
asséptica em três partes. As partes, armazenadas separadamente, foram
acondicionadas em nitrogênio líquido até processamento. No laboratório, as
amostras destinadas a dosagem de citocinas foram maceradas em tampão
inibidor de protease (20 mM Tris -HCl, 150 µM NaCl, 2 mM EDTA, 1% Triton, 1
µg/mL pepstatina, 1 mM PMSF – pH 7,5) centrifugada a 20 600 x g por 5 minutos
e colhido o sobrenadante. As amostras destinadas à análise de expressão
gênica foram conservadas em tampão RNA later (Ambion, Inc., Austin, TX). As
amostras destinadas à detecção de microrganismos por PCR em tempo real
foram conservadas igualmente em tampão RNA later até o uso. Todas as
amostras foram armazenadas em freezer (- 80 °C) até o momento do uso.
4.3 Padronização das cepas utilizadas
Para controle positivo dos test es moleculares, foram cultivadas quatro
cepas de micoplasmas (M. hominis ATCC 23114 - PG-21, M. genitalium ATCC
33530 - G37, U. urealyticum T960 - sorotipo 7 e U. parvum ATCC - sorotipo 3).
As cepas foram obtidas do Laboratório de Micoplasmas ICB/USP. Os meios de
cultivo SP4 (TULLY, 1993) e UB (RUHNKE; ROSENDAL, 1994) foram utilizados
60
nos subcultivos das cepas de referência de Mycoplasma spp. e Ureaplasma spp.
respectivamente. Os microrganismos foram subcultivados inoculando-se em
meios sólidos e líquidos (50 mL), incubados a 37 °C em condições de aerobiose.
O controle do crescimento foi realizado pela observação de mudança de cor no
meio líquido, acrescido de indicador de pH (vermelho de fenol), resultante da
hidrólise da arginina ou fermentação da glicose. No meio sólido , observou-se a
produção de pequenas colônias em forma de “ovo frito”.
4.4 Extração de DNA
O DNA genômico das cepas de referência e das amostras de swab
endocervical, fluido peritoneal e lesão de endometriose foram obtidas segundo
protocolo do kit Invitrogen PurelinkTM Genomic DNA Kits (Invitrogen, São Paulo,
S.P., Brasil), baseado na utilização de coluna de sílica.
4.5 Reação em cadeia da polimerase quantitativa em tempo real (qPCR)
4.5.1 Reação de controle interno da qualidade do DNA
Foi realizada PC R utilizand o primers G73/G74 para o gene β -globina,
utilizado como controle interno da qualidade do DNA extraído (CAMPOS et al.,
2008). Os parâmetros da reação foram 1x de buffer; 0,2 mM de dNTP, 2 mM de
MgCl2, 0,08 μM dos primers G73 (5'-GAAGAGCCAAGGACAGGTAC-3') e G74
(5'-CAACTTCATCCACGTTCACC-3'); 0,5 U de Taq DNA polimerase
recombinante, todos da Invitrogen® (São Paulo, S.P., Brasil); 6 μL de DNA e
quantidade suficiente de água ultrapura até o volume final d e 25 L. As
amplificações foram realizadas em termociclado r, obedecendo a uma
desnaturação inicial de 95 °C por 5 minutos, 40 ciclos de 95 °C por 1 minuto, 55
°C por 1 minuto, 72 °C por 1 minuto, um ciclo final de 72 °C por 5 minutos e hold
step a 4 °C. A corrida foi feita em gel de Agarose 1% corado com 0,3% de Gel
RedTM (Biotium®) (CAMPOS et al., 2008). Todas as amostras foram positivas,
apresentando boa qualidade para a realização das próximas PCRs.
61
4.5.2 qPCR para detecção de M. genitalium
Para re alização da PCR em tempo real para detecção da espécie M.
genitalium nas amostras clínicas foram utilizadas placas de 96 poços próprias
para realização da técnica, adicionado a cada poço (0,2 mL): 12,5 µL de Master
Mix (Applied Biosystems São Paulo, S.P., Brasil), 2,5 µL de primer MgPa-355F
(5’-GAGAAATACCTTGATGGTCAGCAA-3’) [10 pmols], 2,5 µL de primer MgPa-
432R (5’ – GTTAATATCATATAAAGCTCTACCGTTGTTATC – 3’) [ 10 pmols ],
0,5 µL de sonda (5’ FAM – ACTTTGCAATCAGAAGGT – MGB 3’) [5 mM], 2 µL
de água e 5 ,0 µL de DNA, com volume final de 25 µL. As amostras foram
submetidas à amplificação nas seguintes condições de termociclagem: 50 °C por
10 minutos, 95 °C por 10 minutos, seguidos de 45 ciclos de 95 °C por 15
segundos e 60 °C por 1 minuto (OLSEN et al., 2009). A PCR em tempo real foi
realizada em duplicata, utilizando a plataforma Applied Biosystems.
4.5.3 qPCR para a detecção de M. hominis
Na realização da PCR em tempo real para detecção da espécie M.
hominis foram utilizadas placas próprias para realização da técnica, adicionado
a cada poço (0,2 mL): 12,5 µL de Master Mix (Applied Biosystems, São Paulo,
S.P., Brasil), 0,6 µL de primer MHyidCfwd (5’ –
TCACTAAACCGGGTATTTTCTAACAA – 3’) [ 10 pmols ], 0,6 µL de primer
MHyidCrev (5’ – TTGGCATATATTGCGATAGTGCTT – 3’) [10 pmols], 0,8 µL de
sonda (5’ FAM – CTACCAATAATTTTAATATCTGTCGGTATG – MGB 3’ ) [5
mM], 8,5 µL de água e 2 µL de DNA, com volume final da reação de 25 µL. As
amostras foram submetidas à amplificação nas segu intes condições de
termociclagem: 50 °C por 10 minutos, 95 °C por 10 minutos, seguidos de 45
ciclos de 95 °C por 15 segundos e 60 °C por 1 minuto (FERANDON et al., 2011).
A PCR em tempo real foi realizada em duplicata, utilizando a plataforma Applied
Biosystems.
62
4.5.4 qPCR para detecção de U. urealyticum
Na realização da PCR em tempo real para detecção da espécie U.
urealyticum f oram utilizadas placas próprias para realização da técnica,
adicionado a cada poço (0,2 mL): 12,5 µL de Master Mix (Applied Biosystems,
São Paulo, S.P., Brasil), 0,75 µL de primer UUureF ( 5’ –
ATCGACGTTGCCCAAGGGGA – 3’), 0,75 µL de primer UUureR ( 5’ –
TTAGCACCAACATAAGGAGCTAAATC – 3’) [10 pmols], 0,5 µL de sonda (FAM
– TTGTCCGCCTTTACGAG – MGB) [5 mM], 9,5 µL de água e 1,0 µL de DNA
em quantidades suficientes para um volume final de 25 µL. As amostras foram
submetidas à amplificação nas seguintes condições de termociclagem: 50 °C por
2 minutos, 95 °C por 10 minutos, seguidos de 40 ciclos de 95 °C por 15 segundos
e 58 °C por 30 segundos (CAO et al., 2007). A PCR em tempo real foi realizada
em duplicata, utilizando a plataforma Applied Biosystems.
4.5.5 qPCR para detecção de U. parvum
Na realização da PCR em tempo real para detecção da espécie U.
urealyticum f oram utilizadas placas próprias para realização da técnica,
adicionado a cada poço (0,2 mL): 12,5 µL de Master Mix (Applied Biosystems,
São Paulo, S.P., Brasil) , 0,75 µL de primer UUU rePF ( 5’ –
CATTGATGTTGCACAAGGAGAAA – 3’), 0,75 µL de primer UU UrePR ( 5’ –
TTAGCACCAACATAAGGAGCTAAATC – 3’) [10 pmol], 0,5 µL de sonda (FAM
– TTGACCACCCTTACGAG – MGB) [5 mM], 9,5 µL de água e 1,0 µL de DNA
em quantidades suficientes para um volume final de 25 µL. As amostras foram
submetidas à amplificação nas seguintes condições de termociclagem: 50 °C por
2 minutos, 95 °C por 10 minutos, seguidos de 40 ciclos de 95 °C por 15 segundos
e 58 °C por 30 segundos (CAO et al., 2007). A PCR em tempo real foi realizada
em duplicata, utilizando a plataforma Applied Biosystems.
4.5.6 qPCR para detecção de N. gonorrhoeae
Na realização da PCR em tempo real para detecção da espécie N.
gonorrhoeae f oram utilizadas placas próprias para realização da técnica,
63
adicionado a cada poço (0,2 mL): 12,5 µL de Master Mix (Applied Biosystems,
São Paulo, S.P., Brasil), 0,75 µL de primer NGF (5’ -
CCGGAACTGGTTTCATCTGATT - 3’), 0,75 µL de primer NGR (5’ -
GTTTCAGCGGCAGCATTCA – 3’) [10 pmol], 0,5 µL de sonda (FAM –
CGTGAAAGTAGCAGGCGTATAGGCGGACTT – MGB) [5 mM], 9,5 µL de água
e 1,0 µL de DNA em quantidades suficientes para um volume final de 25 µL. As
amostras foram submetidas à amplificação nas se guintes condições de
termociclagem: 50 °C por 2 minutos, seguidos de 40 ciclos de 95 °C por 30
segundos e 55 °C por 30 segundos (GEELEN et al., 2013) . A PCR em tempo
real foi realizada em duplicata, utilizando a plataforma Applied Biosystems.
4.5.7 Análise dos dados da PCR quantitativa
A quantificação dos microrganismos foi realizada por meio de técnica de
quantificação absoluta, tomando por base uma curva padrão, previamente
estabelecida, variando de 10 7 a 1 cópias de microrganismos/mL. Para cada
experimento, uma nova curva padrão foi adicionada e parâmetros de qualidade
foram adotados na análise, sendo estes: r2 ≥ 0.950, eficiência da reação variando
de 95% a 105% e slope de valor ≈ – 3.32.
4.5.8 PCR para detecção de Papilomavírus humano (HPV)
Para detecção de HPV foi realizada PCR utilizando 1x de tampão; 0,2 mM
de dNTP; 4 mM de MgCl 2; 1 µM dos primers GP5 ( 5' -
TTTGTTACTGTGGTAGATAC - 3') e GP6 (5' - GAAAAATAAACTGTAAATCAT -
3'); 0,5 U de Taq DNA polimerase recombinante, todos da Invitrogen ® (São
Paulo, S.P., Brasil); 3 L do DNA e quantidade suficiente de água ultrapura até
o volume final de 25 L. Após adição do DNA, as amostras foram levadas para
o termociclador sob o programa de 1 ciclo de 94 °C por 5 minutos, 39 ciclos de
95 °C por 1 minuto, 40 °C por 2 minutos, 72 °C por 1,5 minuto, e um ciclo final a
72 °C por 7 minutos. A corrida foi feita em gel de Agarose 1% corado com 0,3%
de Gel RedTM (Biotium®) (GRAVITT et al., 2000; SNIJDERS et al., 1990).
64
4.6 Dosagem de citocinas
A dosagem das citocinas, presentes das amostras de líquido
intraperitonial e amostras de lesão de endometriose (peritoneal, ovariana ou
profunda) ou peritônio sadio, foi realizada por meio do ensaio para detecção por
meio da tecnologia para bioensaios multiplex–Luminex com equipamento Bio-
Plex 200 system . Foi utilizado o Kit comercial ProcartaPlex® Immunoassay
Th1/Th2/Th9/Th17/Th22/Tfh/Treg (18 plex) (eBioscience – Affmetrix, Estados
Unidos) para determinação de GM-CSF, IFN-, IL-1, IL-2, IL-4, IL-5, IL-6, IL-9,
IL-10, IL-12p70, IL-13, IL-17A, IL-18, IL-21, IL-22, IL-23, IL-27 e TNF-. Ensaios
Luminex são baseados na tecnologia xMAP® a qual possibilita a detecção e
quantificação de múltiplos alvos de proteínas simultaneamente. O sistema
xMAP® combina um citômetro de fluxo, microesferas fluorescentes, lasers e um
processamento de sinal digital para permitir a multiplexação eficiente de até 100
ensaios exclusivos em uma única amostra. As dosagens das citocinas foram
realizadas de acordo com o fabricante do kit utilizado. Para a normalização dos
dados de citocinas, a quantidade obtida foi correlacionada com a quantidade de
proteína total das amostras. A dosagem de proteínas totais foi realizada
utilizando o kit Pierce BCA Protein Assay (Thermo Scientific, Brasil)
4.7 Análise de expressão gênica
A expressão gênica dos marcadores inflamatórios foi avaliada pela
metodologia de PCR array. O mRNA , das células presentes no líquido
intraperitoneal e das amostras de lesão de endometriose (peritoneal, ovariana
ou profunda) ou peritônio sadio , foi extraído com a utilização do kit TRIZOL®
Plus (Thermo Scientific, Brasil), seguindo o protocolo fornecido pelo fabricante.
A obtenção do cDNA foi feita por meio de uma retro-transcrição (RT) a partir do
mRNA, utilizando -se o kit SuperScript® III Reverse Transcriptase (Thermo
Scientific, Brasil) com adição de oligonucleotídeos complementares à cauda poli-
A do RNAm (Oligo dT) e inibidor de RNAse. O c DNA obtido foi submetido a
análise pelo kit Human Innate & Adaptive Immune Responses PCR Array
(Qiagen-SABioscience, Brasil). O kit de qPCR array permite analisar a expressão
de 84 genes envolvidos na resposta do hospedeiro à infecção bacteriana (Tabela
65
1). Esse array inclui genes relacionados a sinalização de TLR, bem como, genes
envolvidos na resposta de fase aguda, ativação do sistema complemento,
resposta inflamatória e resposta imunológica adquirida contra bactérias . Todos
os procedimentos e análise de dados foram realizados de acordo com as
instruções e software do fabricante.
66
Tabela 1 – Genes avaliados pelo kit Human Innate and Adaptive Immune
Responses PCR Array
(continua)
Símbolo Descrição
APCS Amyloid P component, serum
C3 Complement component 3
CASP1 Caspase 1, apoptosis-related cysteine peptidase
(interleukin 1, beta, convertase)
CCL2 Chemokine (C-C motif) ligand 2
CCL5 Chemokine (C-C motif) ligand 5
CCR4 Chemokine (C-C motif) receptor 4
CCR5 Chemokine (C-C motif) receptor 5
CCR6 Chemokine (C-C motif) receptor 6
CCR8 Chemokine (C-C motif) receptor 8
CD14 CD14 molecule
CD4 CD4 molecule
CD40 CD40 molecule, TNF receptor superfamily member 5
CD40LG CD40 ligand
CD80 CD80 molecule
CD86 CD86 molecule
CD8A CD8a molecule
CRP C-reactive protein, pentraxin-related
CSF2 Colony stimulating factor 2 (granulocyte-macrophage)
CXCL10 Chemokine (C-X-C motif) ligand 10
CXCR3 Chemokine (C-X-C motif) receptor 3
DDX58 DEAD (Asp-Glu-Ala-Asp) box polypeptide 58
FASLG Fas ligand (TNF superfamily, member 6)
FOXP3 Forkhead box P3
GATA3 GATA binding protein 3
HLA-A Major histocompatibility complex, class I, A
HLA-E Major histocompatibility complex, class I, E
ICAM1 Intercellular adhesion molecule 1
IFNA1 Interferon, alpha 1
IFNAR1 Interferon (alpha, beta and omega) receptor 1
IFNB1 Interferon, beta 1, fibroblast
IFNG Interferon, gamma
IFNGR1 Interferon gamma receptor 1
IL10 Interleukin 10
IL13 Interleukin 13
IL17A Interleukin 17A
IL18 Interleukin 18 (interferon-gamma-inducing factor)
IL1A Interleukin 1, alpha
IL1B Interleukin 1, beta
IL1R1 Interleukin 1 receptor, type I
IL2 Interleukin 2
IL23A Interleukin 23, alpha subunit p19
IL4 Interleukin 4
IL5 Interleukin 5 (colony-stimulating factor, eosinophil)
IL6 Interleukin 6 (interferon, beta 2)
67
Tabela 1 – Genes avaliados pelo kit Human Innate and Adaptive Immune
Responses PCR Array
(continua)
Símbolo Descrição
CXCL8 Interleukin 8
IRAK1 Interleukin-1 receptor-associated kinase 1
IRF3 Interferon regulatory factor 3
IRF7 Interferon regulatory factor 7
ITGAM Integrin, alpha M (complement component 3 receptor 3
subunit)
JAK2 Janus kinase 2
LY96 Lymphocyte antigen 96
LYZ Lysozyme
MAPK1 Mitogen-activated protein kinase 1
MAPK8 Mitogen-activated protein kinase 8
MBL2 Mannose-binding lectin (protein C) 2, soluble
MPO Myeloperoxidase
MX1 Myxovirus (influenza virus) resistance 1, interferon-
inducible protein p78 (mouse)
MYD88 Myeloid differentiation primary response gene (88)
NFKB1 Nuclear factor of kappa light polypeptide gene enhancer
in B-cells 1
NFKBIA Nuclear factor of kappa light polypeptide gene enhancer
in B-cells inhibitor, alpha
NLRP3 NLR family, pyrin domain containing 3
NOD1 Nucleotide-binding oligomerization domain containing 1
NOD2 Nucleotide-binding oligomerization domain containing 2
RAG1 Recombination activating gene 1
RORC RAR-related orphan receptor C
SLC11A1 Solute carrier family 11 (proton-coupled divalent metal ion
transporters), member 1
STAT1 Signal transducer and activator of transcription 1, 91kDa
STAT3 Signal transducer and activator of transcription 3 (acute-
phase response factor)
STAT4 Signal transducer and activator of transcription 4
STAT6 Signal transducer and activator of transcription 6,
interleukin-4 induced
TBX21 T-box 21
TICAM1 Toll-like receptor adaptor molecule 1
TLR1 Toll-like receptor 1
TLR2 Toll-like receptor 2
TLR3 Toll-like receptor 3
TLR4 Toll-like receptor 4
TLR5 Toll-like receptor 5
TLR6 Toll-like receptor 6
TLR7 Toll-like receptor 7
TLR8 Toll-like receptor 8
TLR9 Toll-like receptor 9
68
Tabela 1 – Genes avaliados pelo kit Human Innate and Adaptive Immune
Responses PCR Array
(conclusão)
Símbolo Descrição
TNF Tumor necrosis factor
TRAF6 TNF receptor-associated factor 6
TYK2 Tyrosine kinase 2
ACTB Actin, beta
B2M Beta-2-microglobulin
GAPDH Glyceraldehyde-3-phosphate dehydrogenase
HPRT1 Hypoxanthine phosphoribosyltransferase 1
RPLP0 Ribosomal protein, large, P0
4.8 Análise estatística
As informações clínico-epidemiológicas foram analisadas
estatisticamente usando o software SPSS 20 .0® (SPSS Inc., Chicago, Estados
Unidos). Para verificação de associação entre variáveis foi aplicado o Teste de
Qui-quadrado de Pearson. A significância estatística foi con siderada nos casos
em que o valor de p < 0,05. O nível de confiança adotado para as conclusões foi
de 95%. Para a avaliação dos fatores de risco associados às infecções
empregou-se o Odds Ratio (OR) em uma análise univariada.
Para comparar as médias de idade entre os grupos caso e controle, após
utilizar o teste de Shapiro -Wilk, para checar a distribuição gaussiana (normal)
dos dados, foi empregado o teste t-Student.
Para anális e dos dados de quantificação do número de cópias dos
microrganismos, dosagem de citocinas e expressão gênica foi utilizado o
programa GraphPad Prism. Previamente os dados foram analisados pelo teste
de Kolmogorov-Smirnov para verificar a distribuição normal ou não dos dados.
Foi realizado o teste não-paramétrico de Mann-Whitney, quando avaliados dois
grupos. Dados expressos pela Média ± Desvio Padrão (com exceção dos dados
de expressão gênica, onde os dados foram gerados e analisados pelo software
do kit, sendo apenas usado o GraphPad para representação gráfica dos
resultados). A significância estatística foi considerada nos casos em que o valor
de p < 0,05.
69
5 RESULTADOS
5.1 Características demográficas da população estudada
A Tabela 2 apresenta as características demográficas das pacientes
incluídas no estudo, separadas nos grupos caso e controle. A média das idades
das mulheres participantes foi de 36,39 anos (mín.: 15 e máx.: 51). A maior parte
das mulheres declararam -se brancas (71,2%), casadas (73,0%) e/ou em
relacionamento estável (90,4%) e reportaram não saber de casos de
endometriose na família (74,4%). A maioria das pacientes (48,8%) se enquadrou
no perfil saudável quando avaliado o Índice de Massa Corpórea (IMC: 18,5 –
25,0). Não houve significância estatísticas quando avaliadas as variáveis listadas
acima (p > 0,05) (Tabela 2). A maioria das mulheres declarou ter concluído o
curso superior (58,2%), e aquelas com endometriose apresentaram grau de
instrução estatisticamente maior que as do grupo controle (p = 0,015).
Tabela 2 – Características demográficas da população estudada
(continua)
Características
Demográficas
Grupo Total
(N = 104)
Odds
Ratio
IC 95% p*
Endometriose (n = 73) Controle (n = 31)
Idade (anos), n (%)
Média
Mediana (min.; máx.)
35,75 37,90 36,39 0,424ϴ
36,00 (15; 49) 39,00 (26; 51) 36,50 (15; 51)
Raça/Cor, n (%)
Branca
Preta
Amarela
Parda
55 (75,3) 19 (61,2) 74 (71,2) 1,00 0,095¥
2 (2,7) 6 (19,4) 8 (7,7) 0,74 [0,24; 2,24]
3 (4,1) 0 (0) 3 (2,9) 6,50 [1,00; 42,17]
13 (17,8) 6 (19,4) 19 (18,3) ND -
Grau de Instrução, n (%)1
Superior
Nenhum/1º
Grau/2ºGrau
39 (66,1) 7 (35,0) 46 (58,2) 10,5 [1,24; 10,5] 0,015†
20 (33,9) 13 (65,0) 33 (41,8)
Estado Civil, n (%)2
Casada/Amasiada
Separada
Solteira
Viúva
40 (70,2) 18 (81,8) 58 (73,4) 1,00 0,975¥
3 (5,3) 0 (0) 3 (3,8) ND -
12 (21,1) 4 (18,2) 16 (20,3) 1,000 -
2 (3,5) 0 (0) 2 (2,5) ND -
Relação Estável, n (%)3
Sim
Não
44 (86,3) 22 (100) 66 (90,4) 0,66 [0,56; 0,79] 0,163ɸ
7 (13,7) 0 (0) 7 (9,6)
70
Tabela 2 – Características demográficas da população estudada
(conclusão)
Características
Demográficas
Grupo Total
(N = 104)
Odds
Ratio
IC 95% P*
Endometriose (n = 73) Controle (n = 31)
IMC (kg/m2), n (%)4
Baixo Peso ( 25,0)
1 (1,6) 2 (9,1) 3 (3,6) 0,96 [0,35; 2,65] 0,351¥
31 (50,0) 10 (45,5) 41 (48,8) 1,00
30 (48,4) 10 (45,5) 40 (47,6) 6,00 [0,49; 73,45]
EDT na Família, n (%)5
Sim
Não
17 (27,9) 4 (19,0) 21 (25,6) 1,64 [0,48; 5,58] 0,611†
44 (72,1) 17 (81,0) 61 (74,4)
Nota: Perda de observação: 1Grau de Instrução: perda de 25 (n = 79); 2Estado Civil: perda de 25
(n = 79); 3Relação estável: perda de 31 (n = 73); 4IMC (Índice de Massa Corporal): perda de 20
(n = 84); 5EDT prévia na família: perda de 22 (n = 82).
*Valor de p em negrito indica significância estatística (p < 0,05).
ϴ Teste t-Student
† Teste de Qui-quadrado
ɸ Teste Exato de Fisher
¥ Razão de Verossimilhança
ND: Não definida
5.2 Características clínicas da população estudada
Na Tabela 3 podem ser observados os aspectos do perfil clínico e a
distribuição das pacientes de acordo com as classificações da doença . De
acordo com parâmetros da ASRM (1996), 38 pacientes tinham endometriose em
estádios iniciais (I e II) e 35 em estádios avançados (III e IV). Destas pacientes,
33,3% estavam na fase folicular do ciclo menstrual, 36,1% estavam na fase lútea
e 30,6% estav am em amenorreia devido ao uso de hormônios. O uso de
hormônios pelas mulheres foi mais frequente em pacientes com endometriose
quando comparado ao grupo controle (p < 0,001). Dentre os sintomas clínicos
avaliados, a intensidade de dor de acordo com a esca la visual analógica de dor
(EAD) pelas pacientes para dor pélvica acíclica, alterações intestinais cíclicas e
alterações urinárias cíclicas não foi estatisticamente significante ao serem
comparados os grupos caso e controle (p > 0,05). A intensidade da dor referida
pelas mulheres para os sintomas dismenorreia (p < 0,001) e dispareunia (p <
0,009), foi estatisticamente maior nas mulheres com endometriose do que no
grupo controle. A queixa de infertilidade foi estatisticamente associada às
mulheres com endometriose (p = 0,014),
71
Tabela 3 – Características clínicas da população estudada e distribuição das
pacientes de acordo com as classificações da endometriose
Características Clínicas
Grupo Total
(N = 104)
OR IC 95% p*
Endometriose (n = 73) Controle (n = 31)
Hormônio, n (%)1
Sim
Não
39 (54,2) 5 (16,7) 44 (43,1) 5,90 [2,03; 17,16] < 0,001†
33 (45,8) 25 (83,3) 58 (56,9)
Fase do Ciclo, n (%)2
Sem Ciclo
Folicular
Lútea
22 (30,6) 5 (16,1) 27 (26,2) 1,00 0,375¥
24 (33,3) 17 (54,8) 41 (39,8) 1,96 [0,64; 5,99]
26 (36,1) 9 (29,0) 35 (34,0) 1,08 [0,32; 3,59]
Estadiamento (ASRM), n (%)
I
II
III
IV
22 (30,1) 22 (30,1)
16 (21,9) 16 (21,9)
9 (12,3) 9 (12,3)
26 (35,6) 26 (35,6)
Sítio mais severo de EDT, n (%)ɸ
Peritoneal
Ovariana
Profunda
16 (22,2) 16 (22,2)
3 (4,2) 3 (4,2)
53 (73,6) 53 (73,6)
Dismenorreia (EAD), n (%)3
≥ 7
< 7
53 (80,3) 12 (42,9) 65 (69,1) 5,43 [2,07; 14,24] < 0,001†
13 (19,7) 16 (57,1) 29 (30,9)
Dor pélvica acíclica (EAD), n (%)4
≥ 7
< 7
30 (45,5) 7 (25,0) 37 (39,4) 2,50 [0,93; 6,68] 0,063†
36 (54,5) 21 (75,0) 57 (60,6)
Dispareunia (EAD), n (%)5
≥ 7
< 7
33 (50,8) 6 (21,4) 39 (41,9) 3,78 [1,35; 10,54] 0,009†
32 (49,2) 22 (78,6) 54 (58,1)
Alt. intest. cíclicas (EAD), n (%)6
≥ 7
< 7
18 26,9) 3 (10,7) 21 (22,1) 3,06 [0,82; 11,38] 0,145†
49 (73,1) 25 (89,3) 74 (77,9)
Alt. urinárias cíclicas (EAD), n (%)7
≥ 7
< 7
11 (16,4) 1 (3,6) 12 (12,6) 5,30 [0,65; 43,22] 0,168†
56 (83,6) 27 (96,4) 83 (87,4)
Infertilidade (EAD), n (%)8
Sim
Não
31 (47,0) 5 (19,2) 36 (39,1) 3,72 [1,25; 11,04] 0,014†
35 (53,0) 21 (80,8) 56 (60,9)
Nota: Perda de observação: 1Hormônio: perda de 3 (n = 101); 2Fase do Ciclo/Tipo de EDT: perda
de 1 (n = 103); 3Dismenorreia: perda de 10 (n = 94); 4Dor pélvica cíclica: perda de 10 (n = 94);
5Dispareunia: perda de 11 (n = 93); 6Alterações Intestinais: perda de 09 (n = 95); 7Alterações
Urinárias: perda de 09 (n = 95); 8Infertilidade: perda de 14 (n = 92). 9Tipo de EDT: perda de 1 (n
= 103)
Legenda: EAD = Escala Analógica da Dor; EDT = Endometriose
*Valor de p em negrito indica significância estatística (p < 0,05).
† Teste de Qui-quadrado
¥ Razão de Verossimilhança
ɸ O n total refere-se apenas às pacientes com EDT
72
5.3 Hábitos de vida da população estudada
Quando analisados os hábitos da população estudada pôde -se observar
que sua maioria era composta por mulheres não -fumantes (86,9%), com a vida
sexual ativa (91,4%), que reportaram fazer sempre uso de preservativo nas
relações sexuais (58,2%) e que tiveram de dois a cinco parceiros sexuais ao
longo da vida (54,1%) (Tabela 4). Ao compararmos estes hábitos de vida entre
os grupos caso e controle, não encontramos diferença estatística (p > 0,05).
Tabela 4 – Hábitos de vida da população estudada
Hábitos
Grupo Total
(N = 104)
Odds
Ratio
IC 95% p*
Endometriose (n = 73) Controle (n = 31)
Tabagismo, n (%)1
Ex-fumante e Fumante
Não fumante
9 (14,5) 2 (9,1) 11 (13,1) 1,69 [0,33; 8,54] 0,779†
53 (85,5) 20 (90,9) 73 (86,9)
Vida sexual, n (%)2
Ativa
Inativa
59 (88,1) 26 (100,0) 85 (91,4) 0,69 [0,60; 0,79] 0,100ɸ
8 (11,9) 0 (0) 8 (8,6)
Uso de preservativo, n (%)3
Sim
Não
30 (52,6) 16 (72,7) 46 (58,2) 0,41 [0,14;1,21] 0,105†
27 (47,4) 6 (27,3) 33 (41,8)
N parceiros na vida, n (%)4
1
2 – 5
> 5
16 (35,6) 6 (37,5) 22 (36,1) 1,00 0,858¥
24 (52,3) 9 (56,2) 33 (54,1) 1,87 [0,18; 19,52]
5 (11,1) 1 (6,0) 6 (9,8) 1,87 [0,19; 18,32]
Nota: Perda de observação: 1Tabagismo: perda de 20 (n = 84); 2Vida sexual: perda de 11 (n =
93); 3Uso de preservativo: perda de 25 (n = 79); 4Dismenorreia: perda de 15 (n = 89).
*Significância estatística quando p < 0,05
† Teste de Qui-quadrado
ɸ Teste Exato de Fisher
¥ Razão de Verossimilhança
5.4 Perfil de prevalência dos microrganismos na população estudada
A Tabela 5 apresenta a prevalência de cada um dos microrganismos
pesquisados nos três tipos de amostra clínica (swab endocervical, fluido
peritoneal e tecido de biópsia) , para cada grupo de estudo. Todos os
microrganismos-alvo do estudo foram detectados nas amostras de swab
endocervical de ambos os grupos. Nas amostras de fluido peritoneal, no grupo
caso, quatro microrganismos (M. genitalium, M. hominis, U. urealyticum e HPV)
foram detectados, ao passo que no grupo controle apenas dois (M. genitalium e
73
M. hominis). Nas amostras de tecido, foram detectados em ambos os grupos M.
genitalium e HPV. Mas, apenas no grupo caso foi detectado também M. hominis.
Na tabela 5 o número de amostras analisadas varia devido à falta de amostra
clínica para teste.
Ao analisarmos as amostras de swab endocervical, a prevalência de M.
genitalium, M. hominis , U. urealyticum e HPV foi maior nas pacientes com
endometriose (14,1%, 43,7%, 8,5% e 5,9% respectivamente) do que no grupo
controle (11,1%, 40,7%, 3,7% e 3,7% respectivamente). De forma similar , nas
amostras de fluido peritoneal, as prevalências de M. genitalium, M. hominis, U.
urealyticum e HPV, foram maiores no grupo caso (40,7%, 27,8%, 3,7% e 9,6%
respectivamente) do que no grupo controle (20,8%, 16,7%, 0% e 0%
respectivamente). Nas amostras de tecido de biópsia , as prevalências de M.
genitalium (13,2%) e M. hominis (5,9%) foram maiores nas mulheres com
endometriose do que naquelas sem a doença (6,7% e 0% respectivamente).
Nestas amostras, a prevalência de HPV no grupo controle (3,3%) e caso (3,0%)
foi bastante similar (Tabela 5).
Ainda na Tabela 5, de forma interessante, observa-se que as prevalências
da maioria dos Mollicutes ( M. hominis, U. urealyticum e U. parvum) em cada
amostra clínica assumem uma tendência decrescente na ordem Swab > Fluido
Peritoneal > Tecido de Biópsia, exceto para M. genitalium . N. gonorrhoeae
também apresenta o mesmo perfil quando observado o grupo controle. Por outro
lado, assim como M. genitalium , não houve a mesma tendência no perfil de
detecção do HPV nas diferentes amostras.
74
Tabela 5 – Perfil de detecção de espécies de Mollicutes (M. hominis , M.
genitalium, U. urealyticum e U. parvum), HPV e N. gonorrhoeae,
em amostras de swab endocervical, fluido peritoneal e tecido de
biópsia obtidas de mulheres com e sem endometriose, São Paulo
– SP, 2014.2 – 2015.1.
5.4.1 Perfil de prevalência dos Microrganismos Vs Uso de hormônios
Como houve uso de hormônio por parte das pacientes incluídas no
presente estudo, avaliamos se havia associação entre o uso de diferentes tipos
de terapia hormonal utilizados pelas pacientes nos três meses anteriores à
cirurgia (ACO/Injetável e Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel – SIU-
LNG) e o perfil de prevalência dos microrg anismos nas amostras de swab
endocervical, fluido peritoneal e tecido de biópsia. Não foi observada associação
estatisticamente significante nas análises (p > 0,05) (Apêndices C, D, E e F). Por
fim, é válido ressaltar que nenhuma das mulheres reportou o uso de DIU de
cobre.
Resultado qPCR
Grupo
Endometriose
Controle
Swab
(n = 73)
Fluido
(n = 54)
Tecido
(n = 68)
Swab
(n = 31)
Fluido
(n = 24)
Tecido
(n = 30)
M. genitalium, n (%)
Positivo
Negativo
10 (14,1) 22 (40,7) 9 (13,2) 3 (11,1) 5 (20,8) 2 (6,7)
61 (85,9) 32 (59,3) 59 (86,8) 24 (88,9) 19 (79,2) 28 (93,3)
M. hominis, n (%)
Positivo
Negativo
31 (43,7) 15 (27,8) 4 (5,9) 11 (40,7) 4 (16,7) (0)
40 (56,3) 39 (72,2) 64 (94,1) 16 (59,3) 20 (83,3) 30 (100)
U. urealyticum, n (%)
Positivo
Negativo
6 (8,5) 2 (3,7) 0 (0) 1 (3,7) 0 (0) 0 (0)
65 (91,5) 52 (96,3) 68 (100) 29 (77,8) 24 (100) 30 (100)
U. parvum, n (%)
Positivo
Negativo
10 (14,1) 0 (0) 0 (0) 6 (22,2) 0 (0) 0 (0)
61 (85,9) 54 (100) 68 (100) 21 (77,8) 24 (100) 30 (100)
Micoplasma, n (%)
Sim
Não
39 (54,9) 29 (53,7) 36 (52,9) 16 (59,3) 8 (33,3) 16 (53,3)
32 (45,1) 25 (46,3) 32 (47,1) 11 (40,7) 16 (66,7) 14 (46,7)
HPV, n (%)
Positivo
Negativo
4 (5,9) 5 (9,6) 2 (3,0) 1 (3,7) (0) 1 (3,3)
64 (94,1) 47 (90,4) 65 (97,0) 26 (96,3) 23 (100) 26 (96,9)
N. gonorrhoeae, n (%)
Positivo
Negativo
0 (0) (0) 0 (0) 2 (6,7) 0 (0) 0 (0)
71 (100,0) 54 (100) 68 (100) 28 (93,3) 24 (100) 30 (100)
75
5.5 Perfil de coinfecção e proporção de microrganismos nos grupos de
estudo
A coinfecção no presente estudo está definida como a detecção de dois
ou mais microrganismos -alvo na mesma amostra clínica. Assim, o perfil de
coinfecção dos grupos caso e controle foi analisado e está representado de duas
formas. Na primeira forma, apresentada na Figura 5, apenas os Mollicutes foram
incluídos. Houve di ferença estatisticamente significante na proporção da
coinfecção pelas espécies da classe Mollicutes, entre os grupos caso e controle
(p < 0,05). Na segunda análise, apresentada na Figura 6, além dos Mollicutes
foram incluídos os demais microrganismos (HPV e N. gonorrhoeae). De forma
similar, houve diferença estatisticamente significante na proporção da coinfecção
das espécies de microrganismos detectados entre os grupos caso e controle (p
< 0,05). Em ambos resultados há maior diversidade de perfis de coinf ecção no
grupo caso em relação ao grupo controle nas amostras de swab endocervical e
fluido peritoneal (Figuras 5A, 5B, 6A e 6B). A comparação do perfil de coinfecção
nas amostras de tecido de biópsia entre os grupos mostra ou um perfil de
similaridade entre os grupos (Figura 6C) ou de maior diversidade no grupo caso
(Figura 5C).
As prevalências das coinfecções, em cada grupo de estudo, por amostra
clínica analisada, podem ser observadas na íntegra nos apêndices G, H e I. Nas
amostras de swab endocervical, as maiores prevalências foram de M. genitalium
e M. hominis (7,7%) e M. hominis e U. parvum (4,8%). Em todos os casos de
coinfecção observados nas amostras de swab endocervical, a prevalência foi
maior nas mulheres com endometriose quando comparado ao gr upo controle
(Apêndice G). Nas amostras de fluido peritoneal, as maiores prevalências
ocorreram entre M. genitalium e M. hominis (9%) e M. genitalium e HPV (3,8%).
As prevalências de coinfecção também foram maiores no grupo caso quando
comparado ao grupo controle (Apêndice H). Ao analisar as amostras de tecido
de biópsia, não foi observada predominância das prevalências em nenhum dos
grupos (caso e controle) do estudo (Apêndice I).
76
Figura 5 – Proporção de detecção de Mollicutes em amostras de swab
endocervical, fluido peritoneal e tecido de biópsia obtidas de
mulheres com endometriose (caso) e sem endometriose (controle),
São Paulo – SP, 2014.2 – 2015.1.
Caso Controle
0
50
100
Negativo
MH
UU
UP
MG + MH
MG + UU
MG + UP
MH + UU
MH + UP
MG + MH + UU
MG + MH + UP
MG + MH + UU + UP
P < 0,001
A
Porcentagem de mulheres
Caso Controle
0
50
100
Negativo
MH
MG
MG + MH
MG + MH + UU
P = 0,0083
B
Porcentagem de mulheres
Caso Controle
0
50
100
Negativo
MH
MG
MG + MH
P = 0,0007
C
Porcentagem de mulheres
Legenda: MG: M. genitalium; MH: M. hominis; UU: U. urealyticum; UP: U. parvum. (A) Amostras
de swab endocervical; (B) Amostras de fluido peritoneal; (C) Amostras de tecido de biópsia.
Comparação de proporções por ANOVA – Two way com pós -teste de Bonferroni. Valor de
significância estatística determinada no gráfico (p < 0,05).
77
Figura 6 – Proporção de detecção de micoplasmas e outros microrganismos de
interesse genital entre as mulheres com endometriose (caso) e sem
endometriose (controle) em amostras de swab endocervical, fluido
peritoneal e tecido de biópsia obtidas de mulheres com e sem
endometriose, São Paulo – SP, 2014.2 – 2015.1.
Caso Controle
0
50
100
Negativo
MH
UU
UP
MG + MH
MG + UU
MG + UP
MH + UU
MH + UP
MG + MH + UU
MG + MH + UP
MG + MH + UU + UP
P < 0,001
A
HPV
HPV + MH
HPV + UP
HPV + MG + MH + UU
NG
Porcentagem de mulheres
Caso Controle
0
50
100
Negativo
MH
MG
MG + MH
MG + MH + UU
P = 0,0002
B
HPV + MG
HPV + MH
HPV + MG + MH
Porcentagem de mulheres
Caso Controle
0
50
100
Negativo
MH
MG
MG + MH
P < 0,0001
C
HPV
HPV + MG
Porcentagem de mulheres
Legenda: MG: M. genitalium ; MH: M. hominis ; UU: U. urealyticum; UP: U. parvum ; HPV:
Papilomavírus Humano; NG: N. gonorrhoeae. (A) Amostras de swab endocervical; (B) Amostras
de fluido peritoneal; (C) Amostras de tecido de biópsia. Comparação de proporções por ANOVA
– Two way com pós-teste de Bonferroni. Valor de significância estatística determinada no gráfico
(p < 0,05).
78
5.6 Perfil de carga microbiana dos Mollicutes nas amostras
A carga microbiana foi calculada nos ensaios de qPCR, tomando como
base a curva padrão de cada experimento; permitindo assim, a quantificação
relativa. No presente estudo, só foi possível comparar as cargas microbianas
dos Mollicutes em não de HPV e N. go norrhoeae por conta do tipo de
experimento adotado (PCR para HPV) e pela prevalência baixa ou nula nas
amostras clínicas – apenas duas amostras foram positivas para N. gonorrhoeae
nas amostras de swab endocervical – o que inviabiliza a análise estatística dos
dados.
Para avaliar se a carga microbiana encontrada nas amostras clínicas
diferia entre os grupos caso e controle, foi feita a quantificação por meio da
qPCR. Os grupos caso e controle foram comparados apenas quando a detecção
do microrganismo ocorre u em ambos os grupos de forma que permitisse a
análise estatística. A Figura 7 mostra o número de cópias de DNA de cada
microrganismo nos grupos c aso e controle nas amostras de swab. Não foi
observada diferença estatisticamente significante entre os grupos caso (EDT) e
controle para as espécies M. genitalium (EDT 48 ± 34 cópias/mL; Controle 90 ±
87 cópias/mL; p = 0,551), M. hominis (EDT 2,6 x 10 4 ± 1,4 x 10 6 cópias/mL;
Controle 2,5 x 10 4 ± 7,1 x 104 cópias/mL; p = 0,931), U. urealyticum (EDT 4,7 x
104 ± 9,2 x 10 4 cópias/mL; Controle 1,0 x 10 4 ± 0 cópias/mL; p = 0,857) e U.
parvum (EDT 2,9 x 10 4 ± 3,1 x 10 4 cópias/mL; Controle 6,7 x 10 4 ± 4,4 x 10 4
cópias/mL; p = 0,147). A mesma análise foi feita para as cargas microbianas
com os dados de detecção nas amostras de fluido peritoneal (Figura 8). Como é
possível observar, não houve diferença estatisticamente signific ante entre os
grupos caso (EDT) e controle para as espécies M. genitalium (EDT 100 ± 293
cópias/mL; Controle 37 ± 25 cópias/mL; p > 0,05), M. hominis (EDT 1,4 x 103 ±
795 cópias/mL; Controle 1,1 x 10 3 ± 961 cópias/mL; p > 0,05) (Figura 8). Nas
amostras de tecido de biópsia, não houve diferença estatística na carga
microbiana de M. genitalium (EDT 77 ± 30 cópias/mL; Controle 81 ± 50
cópias/mL; p > 0,05) quando comparados os grupos (Figura 9).
79
Figura 7 – Quantificação absoluta por qPCR do número de cópias de espécies
de micoplasmas (Cópias/mL) em amostras de swab endocervical
mulheres com endometriose (caso) e sem endometriose (controle),
São Paulo – SP, 2014.2 – 2015.1.
Caso (EDT) Controle
101
102
103
104
105
106
107A
qPCR M. genitalium
Cópias/mL
Caso (EDT) Controle
101
102
103
104
105
106
107B
qPCR M. hominis
Cópias/mL
Caso (EDT) Controle
101
102
103
104
105
106
107C
qPCR U. parvum
Cópias/mL
Caso (EDT) Controle
101
102
103
104
105
106
107D
qPCR U. urealyticum
Cópias/mL
Legenda: (A) Número de cópias de M. genitalium nas amostras dos grupos caso e controle (Caso
EDT: n = 10; Controle: n = 3) (B) Número de cópias de M. hominis nas amostras dos grupos caso
e controle (Caso EDT: n = 31; Controle: n = 11); (C) Número de cópias de U. parvum nas
amostras dos grupos caso e controle (Caso EDT: n = 10; Controle n = 6); (D) Número de cópias
de U. urealyticum nas amostras dos grupos caso e controle (Caso EDT: n = 6; Controle n = 1) ;.
Desvio padrão e medianas estão indicados por linhas sólidas nos gráficos. Análise estatística
realizada por Mann Whitney. p < 0,05.
80
Figura 8 – Quantificação absoluta por qPCR do número de cópias de espécies
de Mollicutes em amostras de fluido peritoneal de mulheres com
endometriose (caso) e sem endometriose (controle), São Paulo –
SP, 2014.2 – 2015.1.
Caso (EDT) Controle
100
101
102
103
104
105
106
107A
qPCR M. genitalium
Cópias/mL
Caso (EDT) Controle
100
101
102
103
104
105
106
107B
qPCR M. hominis
Cópias/mL
Legenda: (A) Número de cópias de M. genitalium nas amostras dos grupos caso e controle (Caso
EDT: n = 22 ; Controle: n = 05 ); (B) Número de cópias de M. hominis nas amostras dos grupos
caso e controle (Caso EDT: n = 15; Controle: n = 04). Desvio padrão e mediana estão indicados
por linhas sólidas nos gráficos. Análise estatística realizada por Mann Whitney. p < 0,05.
Figura 9 – Quantificação absoluta por qPCR do número de cópias de espécies
de micoplasmas em amostras de tecido de biópsia em mulheres com
e sem endometriose, São Paulo – SP, 2014.2 – 2015.1.
Caso (EDT) Controle
101
102
103
104
105
106
107A
qPCR M. genitalium
Cópias/mL
Legenda: (A) Número de cópias de M. genitalium nas amostras dos grupos caso e controle (Caso
EDT: n = 09; Controle: n = 02). Desvio padrão e mediana estão indicados por linhas sólidas nos
gráficos. Análise estatística realizada por Mann Whitney. p < 0,05.
81
5.7 Detecção microbiana de acordo com o perfil clínico
Após definir o perfil clínico da população est udada e realizar a detecção
dos microrganismos nas amostras clínicas, foi avaliada a possível associação
entre a detecção dos microrganismos e os sintomas referidos pelas mulheres.
Neste contexto, a detecção de U. parvum nas amostras de swab endocervical
foi relacionada à maior severidade do sintoma dispareunia (EAD ≥ 7; p = 0,019)
(Tabela 6). Não houve associação dos demais microrganismos ( M. genitalium,
M. hominis , U. urealyticum e U. parvum ) detectados nas amostras de swab
endocervical com a maior severidade dos sintomas (p > 0,05). De maneira
similar, não foi observada associação estatisticamente significante (p > 0,05)
entre os microrganismos (Mollicutes, HPV e N. gonorrhoeae ) e os sintomas
quando observada a prevalência destes nas amostr as de fluido peritoneal e de
tecido de biópsia. Também não houve associação estatisticamente significante
com a variável infertilidade (p > 0,05) (Apêndices J, K e L).
82
Tabela 6 – Detecção de Mollicutes em amostras de swab endocervical por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação com
o perfil clínico de mulheres com endometriose (caso) e sem endometriose (controle), São Paulo – SP.
Nota: Perda de observação: 1Dismenorreia: perda de 15 (n = 89); 2Dos pélvica cíclica: perda de 15 (n = 89); 3Dispareunia: perda de 16 (n = 88); 4Alterações
intestinais cíclicas: perda de 14 (n = 90); 5Alterações urinárias cíclicas: perda de 14 (n = 90); 6Infertilidade: perda de 17 (n = 87)
* Teste de Qui-quadrado: significância estatística quando p < 0,05
EAD: Escala Analógica de Dor.
Sintomas
Distribuição (%) entre qPCR-positivo e negativo por microrganismo para amostras de swab endocervical
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
Dismenorreia (EAD), n (%)1
≥ 7
< 7
9 (69,2) 53 (69,7) 0,97 [0,23; 3,49] 1,000 30 (78,9) 32 (62,7) 2,22 [0,84; 5,84] 0,100 6 (85,7) 56 (68,3) 2,78 [0,31; 24,33] 0,593 11 (78,6) 51 (68,0) 1,72 [0,44; 6,76] 0,636
4 (30,8) 23 (30,3) 8 (21,1) 19 (37,3) 1 (14,3) 26 (31,7) 3 (21,4) 24 (32,0)
Dor pélvica cíclica (EAD), n (%)2
≥ 7
< 7
5 (38,5) 30 (39,5) 0,94 [0,28; 3,20] 0,945 16 (42,1) 19 (37,3) 1,22 [0,51; 2,89] 0,643 2 (28,6) 33 (40,2) 0,59 [0,10; 3,24] 0,839 6 (42,9) 29 (38,7) 1,19 [0,37; 3,78] 0,768
8 (61,5) 46 (60,5) 22 (57,9) 32 (62,7) 5 (71,4) 49 (59,8) 8 (57,1) 46 (61,3)
Dispareunia (EAD), n (%)3
≥ 7
< 7
4 (30,8) 31 (41,3) 0,63 [0,17; 2,23] 0,681 16 (42,1) 19 (38,0) 1,18 [0,50; 2,80] 0,697 2 (28,6) 33 (40,7) 0,58 [0,10; 3,18] 0,819 10 (71,4) 25 (33,8) 4,90 [1,39; 17,19] 0,019
9 (69,2) 44 (58,7) 22 (57,9) 31 (62,0) 5 (71,4) 48 (59,3) 4 (28,6) 49 (66,2)
Alt. intest. cíclicas (EAD), n (%)4
≥ 7
< 7
2 (15,4) 17 (22,1) 0,64 [0,13; 3,17] 0,857 10 (26,3) 9 (17,3) 1,70 [0,61; 4,72] 0,301 2 (28,6) 17 (20,5) 1,55 [0,22; 8,71] 0,983 2 (13,3) 17 (22,7) 0,52 [0,10; 2,55] 0,644
11 (84,6) 60 (77,9) 28 (73,7) 43 (82,7) 5 (71,4) 66 (79,5) 13 (86,7) 58 (77,3)
Alt. urin. cíclicas (EAD), n (%)5
≥ 7
< 7
1 (7,7) 11 (14,3) 0,50 [0,05; 4,23] 0,837 4 (10,5) 8 (15,4) 0,64 [0,18; 2,32] 0,722 1 (14,3) 11 (13,3) 1,09 [0,12; 9,94] 1,000 2 (13,3) 10 (13,3) 1,00 [0,19; 5,10] 1,000
12 (92,3) 66 (85,7) 34 (89,5) 44 (84,6) 6 (85,7) 72 (86,7) 13 (86,7) 65 (86,7)
Infertilidade, n (%)6
Sim
Não
5 (38,5) 31 (41,9) 0,86 [0,25; 2,90] 0,817 15 (40,5) 21 (42,0) 0,94 [0,39; 2,23] 0,891 3 (50,0) 33 (40,7) 1,45 [0,27; 7,65] 0,657 7 (43,8) 29 (40,8) 1,12 [0,37; 3,36] 0,831
8 (61,5) 43 (58,1) 22 (59,5) 29 (58,0) 3 (50,0) 48 (59,3) 9 (56,2) 42 (59,2)
82
83
Foi avaliada a relação entre a detecção de microrganismos nas amostras
clínicas com o estadiamento da endometriose (I – IV) e o sítio mais grave
acometido pela doença (peritoneal, ovariana ou profunda). Não houve
associação estatisticamente significante co m as espécies de Mollicutes.
(Apêndice M, N e O) ou com os demais microrganismos (HPV e N. gonorrhoeae)
(Tabela 7). Contudo, é válido destacar que ao ser avaliada a relação entre a
presença de M. hominis em amostras de fluido peritoneal e o perfil de
estadiamento da endometriose, a significância estatística foi limítrofe (OR 3,55,
95% IC 0,96 – 13,16 p = 0,050), como pode ser observado no apêndice N. Além
disso, é válido destacar que a detecção de HPV ocorreu de forma marcante
dentre as mulheres com endomet riose profunda, nas três amostras analisadas
(Tabela 7).
84
Tabela 7 – Perfil de Detecção de HPV por amostra clínica e de N. gonorrhoeae no swab endocervical, por meio da qPCR, e sua
relação com o estadiamento e tipo de endometriose.
Nota: Perda de observação: 1ASRM estádio: Swab HPV – perda de 36 (n = 68); Fluido HPV – perda de 52 (n = 52); Tecido de biópsia – perda de 37 (n = 67);
Swab N. gonorrhoeae – perda de 33 (n = 71).
Nota: Perda de observação: 2Tipo de Endometriose: Swab HPV - perda de 10 (n = 94); Fluido peritoneal HPV – perda de 29 (n = 75); Tecido de Biópsia HPV
– Perda de 07 (n = 97); Swab N. gonorrhoeae – perda de 4 (n = 100).
*Significância estatística quando p < 0,05
¥ Razão de Verossimilhança
Variáveis
Distribuição (%) entre qPCR-positivo e negativo por microrganismo por amostra
HPV
Swab N. gonorrhoeae
Swab endocervical Fluido peritoneal Tecido de biópsia
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
ASRM estádio, n (%)1
I e II
III e IV
1 (25)) 34 (53,1) 0,29 [0,02;2,98] 0,349ɸ 2 (40,0) 26 (55,3) 0,53 [0,08; 3,52] 0,652ɸ 0 (0) 34 (52,3) ND - - 0 (0) 37 (52,1) ND -- --
3 (75) 30 (46,9) 3 (60,0) 21 (44,7) 2 (100) 31 (47,7) 0 (0) 34 (47,9)
Tipo de Endom, n (%)2
Sem Endometriose
Peritoneal
Ovariana
Profunda
1 (20,0) 26 (29,2) 1,00 0,917¥ 0 (0) 23 (32,9) 1,00 -- -- 1 (33,3) 29 (30,9) 1,00 1,000¥ 2 (100) 28 (28,6) 1,00 --
0 (0) 15 (16,9) ND -- 2 (40,0) 8 (11,4) ND -- 0 (0) 13 (13,8) ND -- 0 (0) 15 (15,3) ND --
0 (0) 2 (2,2) ND -- 0 (0) 2 (2,9) ND -- 0 (0) 2 (2,1) ND -- 0 (0) 2 (2,0) ND --
4 (80,0) 46 (51,7) 0,44 [0,04; 4,16] 3 (60,0) 37 952,9) ND -- 2 (66,7) 50 (53,2) 0,86 [0,75; 9,92] 0 (0) 53 (54,1) ND --
84
85
Ao ser avaliada a relação entre a detecção de Mollicutes, HPV e N.
gonorrhoeae, nas amostras clínicas de swab endocervical e o quadro clínico das
pacientes, não foi observada associação estatisticamente significante (Tabela 8,
9 e 10).
Tabela 8 – Detecção de Mollicutes, HPV e N. gonorrhoeae em amostras de swab
por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação com o perfil
clínico das pacientes incluídas.
Resultado qPCR
Amostras de swab endocervical
Grupo Total
(N = 104)
Odds
Ratio
IC 95% p*
Endometriose (n = 73) Controle (n = 31)
M. genitalium, n (%)1
Positivo
Negativo
10 (14,1) 3 (11,1) 13 (13,3) 1,31 [0,33; 5,18] 0,698
61 (85,9) 24 (88,9) 85 (86,7)
M. hominis, n (%)1
Positivo
Negativo
31 (43,7) 11 (40,7) 42 (42,9) 1,12 [0,45; 2,77] 0,794
40 (56,3) 16 (59,3) 56 (57,1)
U. urealyticum, n (%)1
Positivo
Negativo
6 (8,5) 1 (3,7) 7 (7,1) 2,4 [0,27; 20,92] 0,415
65 (91,5) 26 (96,3) 91 (92,9)
U. parvum, n (%)1
Positivo
Negativo
10 (14,1) 6 (22,2) 16 (16,3) 0,57 [0,18; 1,77] 0,330
61 (85,9) 21 (77,8) 82 (83,7)
Micoplasma, n (%)1
Sim
Não
39 (54,9) 16 (59,3) 55 (56,1) 0,83 [0,34; 2,05] 0,700
32 (45,1) 11 (40,7) 43 (43,9)
HPV, n (%)2
Positivo
Negativo
4 (5,9) 1 (3,7) 5 (5,3) 1,62 [0,17; 15,23] 1,000ɸ
64 (94,1) 26 (96,3) 90 (94,7)
N. gonorrhoeae, n (%)3
Positivo
Negativo
0 (0) 2 (6,7) 2 (2,0) 3,53 [2,58; 4,83] 0,086ɸ
71 (100,0) 28 (93,3) 99 (98,0)
Nota: Perda de observação: 1M. genitalium; M. hominis; U. urealyticum e U. parvum: perda de 6
(n = 98); 2HPV: perda de 9 (n = 95); 3N. gonorrhoeae: perda de 3 (n = 101).
*Teste de Qui-quadrado, significante quando p < 0,05
ɸTeste Exato de Fisher
86
Tabela 9 – Detecção de Mollicutes, HPV e N. gonorrhoeae em amostras de fluido
peritoneal por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação
com o perfil clínico das pacientes incluídas.
Nota: Perda de observação: 1qPCR para Mollicutes: perda de 26 (n = 78); 2Infecção por
micoplasmas: perda de 26 (n = 78); 3qPCR HPV: perda de 29 (n = 75); 4qPCR N. gonorrhoeae:
perda de 26 (n = 78).
ND: Não definida
*p valor estatisticamente significante se < 0,05.
†Teste de Qui-quadrado
Resultado qPCR
Amostras de Fluido Peritoneal
Grupo Total
(N = 78)
Odds
Ratio
IC 95% p*
Endometriose (n = 54) Controle (n = 24)
M. genitalium, n (%)1
Positivo
Negativo
22 (40,7) 5 (20,8) 27 (34,6) 2,61 [0,84; 8,04] 0,088†
32 (59,3) 19 (79,2) 51 (65,4)
M. hominis, n (%)1
Positivo
Negativo
15 (27,8) 4 (16,7) 19 (24,4) 1,92 [0,56; 6,56] 0,442†
39 (72,2) 20 (83,3) 59 (75,6)
U. urealyticum, n (%)1
Positivo
Negativo
2 (3,7%) 0 (0) 2 (2,6) ND -- --
52 (96,3) 24 (100) 76 (97,4)
U. parvum, n (%)1
Positivo
Negativo
0 (0) 0 (0) 0 (0) ND -- --
54 (100) 24 (100) 78 (100)
Micoplasma no Fluido, n (%)2
Sim
Não
29 (53,7) 8 (33,3) 37 (47,4) 2,32 [0,85; 6,32] 0,096†
25 (46,3) 16 (66,7) 41 (52,6)
HPV, n (%)3
Positivo
Negativo
5 (9,6) 0 (0) 5 (6,7) ND -- --
47 (90,4) 23 (100) 70 (93,3)
N. gonorrhoeae, n (%)4
Positivo
Negativo
0 (0) 0 (0) 0 (0) ND -- --
54 (100) 24 (100) 78 (100)
87
Tabela 10 – Detecção de Mollicutes , HPV e N. gonorrhoeae em amostras de
tecido por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação com
o perfil clínico das pacientes incluídas.
Nota: Perda de observação: 1qPCR para microrganismos: perda de 6 (n = 98); 2qPCR para
HPV: perda de 7 (n = 97); 3qPCR para N. gonorrhoeae: perda de 6 (n = 98).
ND: Não definida
*p valor estatisticamente significante se < 0,05.
†Teste de Qui-quadrado
ɸTeste de Fisher
Resultado qPCR
Amostras de Tecido
Grupo Total
(N = 98)
Odds
Ratio
IC 95% p*
Endometriose (n = 68) Controle (n = 30)
M. genitalium, n (%)1
Positivo
Negativo
9 (13,2) 2 (6,7) 11 (11,2) 2,13 [0,43; 10,54] 0,547†
59 (86,8) 28 (93,3) 87 (88,8)
M. hominis, n (%)1
Positivo
Negativo
4 (64,0) 0 (0) 4 (4,1) ND -- --
64 (94,1) 30 (100) 94 (95,9)
U. urealyticum, n (%)1
Positivo
Negativo
0 (0) 0 (0) 0 (0) ND -- --
68 (100) 30 (100) 98 (100)
U. parvum, n (%)1
Positivo
Negativo
0 (0) 0 (0) 0 (0) ND -- --
68 (100) 30 (100) 98 (100)
Micoplasma no Tec., n (%)1
Sim
Não
36 (52,9) 16 (53,3) 52 (53,1) 1,03 [0,41; 2,32] 0,971†
32 (47,1) 14 (46,7) 46 (46,9)
HPV, n (%)2
Positivo
Negativo
2 (3,0) 1 (3,3) 3 (3,1) 0,89 [0,07; 10,23] 1,000ɸ
65 (97,0) 29 (96,7) 94 (96,9)
N. gonorrhoeae, n (%)3
Positivo
Negativo
0 (0) 0 (0) 0 (0) ND -- --
68 (100) 30 (100) 98 (100)
88
5.8 Padrões de resposta imune na população estudada
A Figura 10 indica a relação entre a condição clínica de cada grupo de
pacientes e a concentração das citocinas na amostra de fluido peritoneal. É
possível observar que IFN -γ teve produção aumentada no grupo de mulheres
caso infectadas por M. genitalium (EDT + MG) quando comparadas com os
grupos controle (CN) (p = 0,049) e caso (EDT) (p = 0,012), ambos sem infecção
(Figura 6A). Perfil similar ocorreu para a produção de IL-1β (Figura 10B). Outra
citocina pró-inflamatória a qual também apresentou níveis elevados nos grupos
caso (EDT e EDT+ MG) em comparação ao grupo controle (CN) foi IL-6 (Figura
10F). A diferença entre os grupos foi estatisticamente significante e indicam
maior produção da citocina relacionada à doença e, em concentração menor,
quando associada à infecção por M. genitalium. É válido ressaltar que, assim
como mostrado no apêndice G, 63% das pacientes caso e positivas para M.
genitalium tinham endometriose profunda. As citocinas IL-12, IL-13, IL-18, TNF-
α e IL -10 não apresentaram concentrações com diferença estatisticamente
significante entre os grupos. Outras citocinas avaliadas no fluido peritoneal,
neste mesmo ensaio, apresentaram valores de dosage ns abaixo do limite de
detecção da curva padrão de referência e não estão representadas.
89
Figura 10 – Quantificação de citocinas em amostras de fluido peritoneal de
mulheres sem endometriose (grupo controle) e mulheres com
endometriose (grupo caso).
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
EDT + UU
0
200
400
600
800
1000
p = 0,0127
p = 0,049
A
IFN- (pg/mL)
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
EDT + UU
0
10
20
30
40
50
50
100
150
200
p = 0,0291
p = 0,0176
B
IL-1 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
EDT + UU
0
5
10
15
20
C
IL-12 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
EDT + UU
0
10
20
30
40
D
IL-13 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
EDT + UU
0
500
1000
1500
EIL-18 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
EDT + UU
0
200
400
600
800
1000
2000
4000
6000
8000
p < 0,001
p = 0,0467
F
IL-6 (pg/mL)
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
EDT + UU
0
50
100
150
G
TNF- (pg/mL)
CN
CN + MGCN + MH
EDT
EDT + MGEDT + MHEDT + UU
0
50
100
150
200
H
IL-10 (pg/ml)
Legenda: CN: Mulheres controle sem infecção por micoplasmas; CN + MG: Mulheres controle
positivas para M. genitalium ; CN + MH: Mulheres controle positivas para M. hominis ; EDT:
Mulheres caso sem infecção por micoplasmas; EDT + MG : Mulheres caso positivas para M.
genitalium; EDT + MH: Mulheres caso positivas para M. hominis ; EDT + UU: Mulheres caso
positivas para U. urealyticum. (A) INF -γ; (B) IL -1β; (C) IL -12; (D) IL -13; (E) IL -18; (F) IL -6; (G)
TNF-α; (H) IL-10. Dados expressos pela Média ± Desvio Padrão. p < 0,05.
90
As Figuras 11 e 12 apresentam as dosagens das citocinas nos tecidos de
biópsia obtidos de mulheres com e sem endometriose, infectadas ou não por
Mollicutes. O grupo controle infectado com M. genitalium (CN + MG) apresentou
níveis mais elevados de produção de IFN-γ quando comparado ao grupo controle
não infectado (CN; p = 0,005) e ao grupo caso também infectado com M.
genitalium (EDT + M. genitalium; p =0,022) (Figura 11A). As citocinas IL-18 e IL-
13 apresentaram níveis mais altos no grupo controle infectado com M. genitalium
(CN + MG) quando comparado ao grupo controle não infectado (CN; p < 0,05)
(Figura 11B e 11E). Nas figuras 12B e 12E, de forma similar, TNF -α e IL -23
apresentaram níveis mais elevados no grupo controle infectado com M.
genitalium (CN + MG) quando comparado ao grupo controle não infectado (CN;
p
0,05).
91
Figura 11 – Quantificação de citocinas em amostras de tecido de biópsia de
mulheres sem endometriose (grupo controle) e mulheres com
endometriose (grupo caso).
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0100200300400500
2000
4000
6000
8000
10000
10000
15000
20000
25000 p = 0,0059
p = 0,0225
A
IFN- (pg/mL)
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
2000
4000
6000
8000
p = 0,0017
B
IL-18 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
50
100
150
200
250
C
IL-1 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
50
100
150
D
IL-12 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
50
100
150
p = 0,0094
E
IL-13 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
50
100
150
200
250
F
IL-5 (pg/ml)
Legenda: CN: Mulheres controle sem infecção por micoplasm as; CN + MG: Mulheres controle
positivas para M. genitalium ; CN + MH: Mulheres controle positivas para M. hominis ; EDT:
Mulheres caso sem infecção por micoplasmas; EDT + MG: Mulheres caso positivas para M.
genitalium; EDT + MH: Mulheres caso positivas para M. hominis; (A) INF-γ; (B) IL-18; (C) IL-1β;
(D) IL-12; (E) IL-13; (F) IL-6. Dados expressos pela Média ± Desvio Padrão.
92
Figura 12 – Quantificação de citocinas em amostras de tecido de biópsia de
mulheres sem endometriose (grupo controle) e mulheres com
endometriose (grupo caso).
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
100
200
300
1000
2000
3000
A
IL-6 (pg/mL)
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
100
200
300
p = 0,0498
B
TNF- (pg/mL)
CN
CN + MG
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
10
20
30
40
C
IL-17 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
50
100
150
200
250
D
IL-21 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
100
200
300
400
500
p = 0,0160
E
IL-23 pg/mL
CN
CN + MG
CN + MH
EDT
EDT + MG
EDT + MH
0
50
100
150
200
250
F
IL-9 (pg/ml)
Legenda: CN: Mulheres controle sem infecção por micoplasmas; CN + MG: Mulheres controle
positivas para M. genitalium ; CN + MH: Mulheres controle positivas para M. hominis ; EDT:
Mulheres caso sem infec ção por micoplasmas; EDT + MG: Mulheres caso positivas para M.
genitalium; EDT + MH: Mulheres caso positivas para M. hominis; (A) IL-6; (B) TNF-
-17;
(D) IL-21; (E) IL-23; (F) IL-9. Dados expressos pela Média ± Desvio Padrão.
93
5.9 Perfil da expressão gênica na população estudada
As figuras de 13 a 17 mostram a análise de expressão de genes ligados
às vias de ativação das respostas imunológicas inata e adquirida em amostras
de tecido de biópsia e fluido peritoneal . A Figura 13 mostra que, dos 84 genes
analisados, 11 estavam em upregulation (verde) e dois estavam em
downregulation (vermelha), quando comparados os tecidos de biópsia de lesão
de endometriose (grupo caso) e o tecido de biópsia de peritônio sadio (grupo
controle). Houve diferença estatística entre os dois grupos para todos os genes
que estavam em upregulation (TLR8, TLR2, TLR1, IL1R1, IL1B, IFNG, IFNB1,
CRP, CD86, CASP1 e APCS). Dos genes em downregulation, apenas IFNAR1
apresentou diferença estatisticame nte significante entre os dois grupos (p <
0,05). Não foi observado diferença de expressão gênica entre mulheres com
endometriose com ou sem M. genitalium.
Figura 13 – Análise de expressão gênica no tecido de biópsia de mulheres com
endometriose (grupo ca so) comparado com tecido de biópsia de
mulheres sem endometriose (grupo controle).
-3 -2 -1 0 1 2
APCS
CASP1
CD86
CRP
FOXP3
IFNAR1
IFNB1
IFNG
IL1B
IL1R1
TLR1
TLR2
TLR8 *
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
Regulation
Legenda: Upregulation (verde) e downregulation (vermelho) de genes ligados às vias de ativação
das respostas imunológicas inata e adquirida. Significância estatística (p<0,05) é representada
por asterisco (*) (teste não paramétrico Mann -Whitney - One-tailed test, GraphPad Prism®
version 6.01).
94
A Figura 14, por sua vez, mostra a análise de expressão gênica de células
presentes no fluido peritoneal de mulheres com endometriose (grupo caso) e
sem endometriose (grupo controle). Na figura observa -se que, nas células, o
perfil de downregulation ocorreu par a a maior parte dos genes; 28 no total.
Destes, cinco apresentaram diferença estatisticamente significante entre os
grupos (SLC11A1, NLRP3, NFKBIA, ITGAM e CD80). Os dois genes que em
upregulation não apresentaram diferença estatisticamente significante en tre os
grupos (p > 0,05).
95
Figura 14 – Análise de expressão gênica nas células do fluido peritoneal de
mulheres com endometriose (grupo caso) comparado fluido
peritoneal de mulheres sem endometriose (grupo controle).
-10 -5 0 5
C3
CCR8
CD14
CD40
CD80
CXCR3
GATA3
IFNAR1
IL10
IL17A
IL1A
IL1R1
IL23A
CXCL8
ITGAM
LYZ
MBL2
MPO
NFKBIA
NLRP3
SLC11A1
STAT6
TBX21
TICAM1
TLR2
TLR3
TLR4
TLR7
TLR9
TRAF6
*
*
*
*
*
Regulation
Legenda: Upregulation (verde) e downregulation (vermelho) de genes ligados as vias de ativação
das respostas imunológicas inata e adquirida. Significância estatística (p<0.05) é representada
por asterisco (*) (teste não paramétrico Mann -Whitney - One-tailed test, GraphPad Prism®
version 6.01).
96
Na figura 15, é possível observar o perfil de expressão gênica das células
presentes no fluido peritoneal de mulheres com endometriose e infectadas por
M. genitalium, em comparação com mulheres também com endometriose e sem
infecção por nenhum dos Mollicutes pesquisados nas amostras. Observou-se a
acentuação do perfil em downregulation de uma quantidade ainda maior de
genes (n = 46). Ao todo, oito genes em downregulation apresentaram diferença
estatisticamente significante entre os grupos ( TYK2, TBX21, STAT1, MX1, IL5,
HLA-A, CD86 e CD14).
97
Figura 15 – Análise de expressão gênica de células presentes no fluido
peritoneal de mulheres com endometriose positivas para M.
genitalium comparado com células presentes no fluido peritoneal
de mulheres com endometriose sem infecção por micoplasmas.
-15 -10 -5 0 5
APCS
C3
CASP1
CCR4
CCR5
CCR6
CCR8
CD14
CD4
CD40
CD40LG
CD86
CXCR3
DDX58
FASLG
HLA-A
HLA-E
ICAM1
IFNA1
IFNB1
IFNG
IFNGR1
IL1B
IL1R1
IL2
IL23A
IL4
IL5
IL6
IRAK1
MAPK8
MPO
MX1
NFKB1
NOD1
RAG1
RORC
STAT1
STAT3
TBX21
TLR1
TLR2
TLR3
TLR4
TLR8
TNF
TYK2 *
*
*
*
*
*
*
*
Regulation
Legenda: Upregulation (verde) e down-regulation (vermelho) de genes ligados as vias de
ativação das respostas imunológicas inata e adquirida. Significância estatística (p<0.05) é
representada por asterisco (*) (teste não paramétrico Mann-Whitney - One-tailed test, GraphPad
Prism® version 6.01).
98
A Figura 16, mostra o perfil de expressão gênica das células presentes no
fluido peritoneal de mulheres com endometriose. Contudo, compara -se o grupo
de mulheres infectadas por M. hominis e de mulheres também com endometriose
e sem infecção por nenhum dos Mollicutes pesquisados nas amostras.
Observou-se que na presença de M. hominis o perfil de expressão muda para a
acentuação da upregulation de diversos genes (n = 42). Destes, quatro genes
em upregulation (STAT6, MAPK1, IRF3 e GATA3) apresentaram diferença
estatisticamente significante entre os grupos (p< 0,05). Apenas dois genes
estavam em downregulation, um deles (CD4) apresentou diferença
estatisticamente significante entre os grupos (p< 0,05).
99
Figura 16 – Análise de expr essão gênica de células presentes no fluido
peritoneal de mulheres com endometriose positivas para M.
hominis comparado com células presentes no fluido peritoneal de
mulheres com endometriose sem infecção por micoplasmas.
-10 0 10 20
APCS
CCR6
CCR8
CD4
CD40
CD80
CRP
CSF2
CXCL10
DDX58
FOXP3
GATA3
IFNA1
IFNAR1
IL10
IL13
IL17A
IL18
IL1A
IL2
IL23A
IL4
CXCL8
IRF3
LY96
LYZ
MAPK1
MBL2
MPO
MX1
MYD88
NFKBIA
NLRP3
NOD1
NOD2
RORC
SLC11A1
STAT6
TLR1
TLR5
TLR6
TLR7
TLR9
TRAF6
*
*
*
*
*
Regulation
Legenda: Upregulation (verde) e down-regulation (vermelho) de genes ligados as vias de
ativação das respostas imunológicas inata e adquirida. Significância estatística (p< 0.05) é
representada por asterisco (*) (teste não paramétrico Mann-Whitney - One-tailed test, GraphPad
Prism® version 6.01).
100
A Figura 17, mostra o perfil de expressão gênica das células presentes no
fluido peritoneal de mulheres com endometriose e infecta das por qualquer
micoplasma em comparação com mulheres também com endometriose e sem
infecção por nenhum dos micoplasmas. Observa -se que o perfil de
downregulation prevalece para a maioria dos genes analisados (n = 30). Apenas
um gene apresentou upregulation. Dentre os genes em downregulation, sete
genes ( TBX21, MAPK8, IRAK1, IFNGR1, HLA-A e CDA4) apresentaram
diferença estatisticamente significante entre os grupos (p< 0,05).
101
Figura 17 – Análise de expressão gênica de células presentes no fluido
peritoneal de mulheres com endometriose positivas para qualquer
micoplasma comparado com células presentes no fluido
peritoneal de mulheres com endometriose sem infecção por
micoplasmas.
-8 -6 -4 -2 0 2 4
APCS
C3
CCR4
CCR5
CD14
CD4
CD40LG
CXCR3
HLA-A
HLA-E
IFNA1
IFNB1
IFNG
IFNGR1
IL1B
IL1R1
IL2
IL4
IL5
IL6
IRAK1
LYZ
MAPK8
RAG1
SLC11A1
TBX21
TLR2
TLR3
TLR4
TLR8
TYK2
*
*
*
*
*
*
*
Regulation
Legenda: Upregulation (verde) e downregulation (vermelho) de genes ligados as vias de ativação
das respostas imunológicas inata e adquirida. Significância estatística (p<0.05) é representada
por asterisco (*) (teste não paramétrico Mann -Whitney - One-tailed test, GraphPad Prism®
version 6.01).
102
6 DISCUSSÃO
Descrita há mais de 300 anos, a endometriose ainda é uma doença
subdiagnosticada. Nas últimas décadas, testemunhou -se evolução na
compreensão de diferentes aspectos associados à doença. Contudo,
compreender a patogênese e patofisiologia da doença é ainda essencial para
melhor diagnóstico e tratamento (BURNEY; GIUDICE, 2012). O diagnóstico da
doença pode demorar de 3,8 a 7 anos para ser feito. Isto provoca significativo
impacto na qualidade de vida da mulher pela característica debilitante (HUSBY;
HAUGEN; MOEN, 2003; SANTOS et al., 2012). O diagnóstico tardio ocorre pela
inespecificidade do quadro clínico e a necessidade do diagnóstico cirúrgico
(BELLELIS et al., 2011; BURNEY; GIUDICE, 2012).
Diferentes fatores de risco foram associados à endometriose como; idade,
raça, altura, peso, status socioeconômico, outros (ACIEN; VELASCO, 2013;
MISSMER et al., 2004) . Dentre os fatores mencionados neste estudo, não
observamos associações estatisticamente significantes (p > 0,05) com a doença,
exceto com o gra u de instrução das mulheres (p = 0,015). Não sabemos ainda
porque mulheres com maior grau de instrução estão associadas à prevalência
da doença. Pesquisadores sugerem associação com o nível socioeconômico
mais elevado que facilita ria o acesso à assistência médica de forma precoce
(HEMMINGS et al., 2004; MOINI et al., 2013) . C onsideramos que o estilo de
vida da mulher na atualidade, com altos níveis de estresse, por conta da busca
por sucesso profissional, tendência de ter menos filhos e adiamento da gravidez
contribuam para o perfil observado.
Pacientes com endometriose apresentam como queixas frequentes
sintomas como: dismenorreia, dor pélvica crônica, dispareunia de profundidade,
alterações intestinais e urinárias cíclica s como dor ou sangramento ao
evacuar/urinar, durante o período menstrual, além de referirem infertilidade
(BELLELIS; PODGAEC; ABRÃO, 2014; RIAZI et al., 2015) . Portanto, os
resultados obtidos no presente estudo estão de acordo com a literatura pela
associação da doença com os sintomas dismenorreia e dispareunia na
população estudada (EAD ≥ 7). Em conformidade com a literatura, a infertilidade
foi outro fator associado à endometriose neste estudo. É válido ressaltar que, ao
analisarmos apenas a presença ou ausência de cada sintoma, os sintomas dor
103
pélvica acíclica e alterações intestinais cíclicas também foram estatisticamente
associados ao grupo caso (p < 0,05) (Dado não mostrado). Apesar deste perfil
clínico descrito na literatura, a prevalência destes sintomas pode variar
consideravelmente nas pacientes (de 30% a 80%) (HEMMINGS et al., 2004;
PERRY, 2005) . O diagnóstico da endometriose ainda é um assunto de
preocupação e recomenda-se a abordagem mais criteriosa e compreensiva dos
achados clínicos de cada paciente para diagnóstico e manejo precoce (RIAZI et
al., 2015).
No presente estudo, o uso de terapia hormonal pelas pacientes foi
associado à endometriose. Acreditamos que isto tenha ocorrido pois esta é uma
das alternativas da rotina clínica para tratamento de pacientes com endometriose
que apresentam os sintomas de forma acentuada (MELIS et al., 2016). Assim, é
compreensível que muitas solicitassem o tratamen to para que melhorassem os
sintomas e, consequentemente, sua qualidade de vida até a cirurgia. Neste
contexto, dentre os diferentes medicamentos disponíveis, são amplamente
utilizados os agonistas de GnRH (GnRHa) (MELIS et al., 2016) . Estes
medicamentos atuam provocando um estado hipoestrogênico no organismo das
pacientes com diminuição da doença e melhora dos sintomas (BULLETTI et al.,
2010). Em contrapartida, mulheres tratadas c om GnRHa com e sem
endometriose podem estar mais expostas à colonização bacteriana intrauterina.
Isto ocorreria justamente em decorrência do estado hipoes trogênico provocado
pelo tratamento. Esteroides, especialmente o estrogênio, são responsáveis por
regular o número de peptídeos antimicrobianos (com o defensinas e inibidor de
protease secretada por leucócitos) no trato genitourinário e tubas uterinas
(KHAN et al., 2016).
Após o início da vida sexual, diversos microrganismos podem ser
encontrados no trato urogenital das mulheres. Micoplasmas por sua vez podem
ser isolados do trato genital inferior de indivíduos saudáveis e mais comumente
de indivíduos com distúrbios de etiologia infecciosa (WAITES et al., 2005) . As
espécies M. hominis, M. genitalium, U. urealyticum e U. parvum têm sido mais
associadas a diferentes distúrbios , como doença inflamatória pélvica (DIP),
infertilidade e uretrite não gonocócica (UNG) (TAYLOR-ROBINSON et al., 2012).
Tendo em vista que apenas infecções por HIV e Treponema pallidum, agente
etiológico da sífilis, são de notificação obrigatória no Sistema de Agravos de
104
Notificação (SINAN) no Brasil, dados epidemiológicos das Infecções
Sexualmente Transmissíveis (ISTs), em âmbito nacional, ainda são escassos
(BRASIL, 2012).
Assim, conforme proposto neste estudo, foi aplicada a metodol ogia da
qPCR para detectar microrganismos de importância genital em amostras
clínicas, para fornecer mais dados epidemiológicos nacionais das ISTs, além de
avaliar as possíveis implicações destes agentes na etiopatogênese da
endometriose. Apesar do ainda alto custo para os serviços de saúde
(NASCIMENTO, et al., 2010), a qPCR foi o método escolhido para este estudo
devido a sua maior sensibilidade na detecção de microrganismos fastidiosos,
como micoplasmas, quando comparado à cultura (AMIRMOZAFARI et al., 2009;
SONAWANE; TRIPATHI, 2013).
Dentre os Mollicutes estudados, M. genitalium é descrito atualmente como
uma IST emergente (MUNOZ; GOJE, 2016; SONNENBERG et al., 2015) . Esta
espécie é um dos a gentes etiológicos da UNG em homens, e de in flamação
cervical, de síndromes do trato genital superior, como a doença inflamatória
pélvica (DIP) e infertilidade em mulhere s (MOBLEY et al., 2012) . Contudo,
abordagens ou controvérsias da literatura dificultam a compreensão da
participação de M. genitalium na infecção e seu impacto na saúde humana.
Assim, seu papel na DIP, infertilidade e gravidez ainda não é conhecido e,
portanto, ainda faltam estudos nesta área (MUNOZ; GOJE, 2016).
No presente estudo, foi observada a prevalência de 13% de M. genitalium
nas amostras de swab endocervical. Os resultados da literatura mencionam que
as prevalências deste micoplasma variaram de 0% a 42% (FALK; FREDLUND;
JENSEN, 2005; SETHI et al., 2012). No presente estudo, a prevalência foi maior
do que em outro estudo realiz ado no sul do Brasil (0,9%) por meio da PCR
convencional (ANDERSEN et al., 2007) e menor do que em nosso estudo prévio
(32,2%) com uso da qPCR em pacientes do Nordeste do país (CAMPOS et al. ,
2015). Como observado, a prevalência deste microrganismo em amos tras de
swab endocervical pode variar bastante. As diferenças nos métodos utilizados e
o contexto sociocultural no qual cada estudo foi realizado podem justificar as
variações. Neste sentido, revisões sistemáticas e a realização de estudos que
avaliem as p ossíveis variáveis com viés epidemiológico poderiam justificar
melhor esta relação.
105
A participação de M. hominis nas infecções genitais ainda é controverso,
pincipalmente por não haver consenso se esta espécie faz parte da microbiota
do trato reprodutor feminino (LARSEN; HWANG, 2010) . De fato, estudo
realizado por Astrauskiene et al., (2012) reportou prevalência de 3,3% em
mulheres lituanas virgens, o que reforça este argumento. Contudo, é preciso
salientar que prev alências de 1,3% e 2,6% (MAEDA et al., 2004) , 12,1%
(JOMBO; ENENEBEAKU, 2008) e 16,5% (DOH et al., 2004) já foram descritas
em mulheres com e sem distúrbios genitais. Em estudo realizado também no
sudeste do Brasil, prevalência de 21,9% foi descrita (RODRIGUES et al., 2011).
Outro estudo recente realizado com mulheres na cidade de São Paulo, atendidas
em clínica de diagnóstico laboratorial não governamental, reportou prevalência
de 3,42% (MILANEZI et al., 2016). A alta prevalência descrita no presente estudo
(43%), quando analisadas amostras de swab endocervical, pode estar associada
ao método diagnóstico empregado quando comparado aos demais estudos, os
quais, majoritariamente, utilizaram a PCR convencional ou a cultura como
métodos. Nesse contexto, um exem plo é o estudo prévio realizado por nosso
grupo de pesquisa que reportou prevalência de 15,9% quando utilizada a PCR
convencional e de 31,8% (CAMPOS et al., 2015) quando utilizada a qPCR. Além
disso, fatores associados ao contexto geográfico e social de ca da população
podem justificar a variação da prevalência.
Espécies do gênero Ureaplasma estão envolvidas na patogênese de
diversas doenças, como uretrite não -gonocócica e não -clamidial em homens,
vaginose bacteriana, corioamnionite e eventos como parto prematuro (PATEL;
NYIRJESY, 2010; WAITES et al., 2005) . Prevalência de 7% e 16% foram
observadas para U. urealyticum e U. parvum , respectivamente, dentre as
pacientes do presente estudo, sendo estes resultados não muito diferente s de
outros estudos. Cunningham et al., (2013) descreveram prevalência de 12% para
U. urealyticum em amostras do trato geniturinário e, em estudo realizado por
BERLE et al. , (2012), na Rússia, descreveram prevalência similar (12,8%) em
amostras de urina. Ambos os trabalhos utilizaram a qPCR como método
diagnóstico. De forma interessante, a prevalência da infecção pelo gênero
Ureaplasma sp. no presente estudo (21%), não foi alta como observada em
outros trabalhos que reportaram prevalências de 41% (CUNNINGHAM et al.,
2013) e 41,7% (YAMAZAKI et al., 2012) . Por outro lado, como esperado, a
106
prevalência de U. parvum foi maior que a de U. urealyticum como descrito por
outros autores (BAO et al., 2010; DE FRANCESCO et al., 2009; GUPTA et al.,
2009; HUMBURG et al., 2012).
O HPV é consi derado causa necessária para o desenvolvimento do
câncer cervical; quarto tipo de câncer mais comum nas mulheres em todo o
mundo (IARC, 2012). No presente estudo, 5% das amostras clínicas de swab
endocervical foram qPCR-positivas. A prevalência descrita no período de 1989
a 2008 em diferentes estados do Brasil (São Paulo, Pará, Pernambuco, Paraíba,
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ceará e Rio de Janeiro) variou de 13,7% a
54,3% (AYRES; SILVA, 2010). A baixa prevalência, ao compararmos com outros
estudos nacionais, pode estar associada ao perfil da população atendida nas
clínicas (maior número de mulheres com ensino superior completo), aliado à
qualidade do serviço em acompanhar as mulheres por meses até o momento da
cirurgia com exames constantes.
Neisseria gonorrhoeae, agente etiológico da IST gonorreia ou blenorragia,
pode causar cervicite, doença inflamatória pélvica e infertilidade nas mulheres.
Comumente infecta a cérvix uterina de forma assintomática (ASHSHI et al.,
2015). No presente estudo, foi de tectada apenas em amostras de swab
endocervical, com prevalência de 1,9%. Este dado está de acordo com a
prevalência encontrada nas américas, dentre as mulheres (2,0%) (WHO, 2014).
A maior incidência normalmente ocorre em adultos jovens (15 a 29 anos) e, e m
muitos países, em homens que fazem sexo com homens (BIGNELL et al., 2013).
Até o momento, não foram encontrados estudos que relacionassem a
pesquisa de micoplasmas em amostras de fluido peritoneal e/ou tecido de
biópsia da cavidade abdominal com a endo metriose. O s dados apresentados
evidenciam de forma interessante a tendência da diminuição da prevalência da
maioria dos Mollicutes (M. hominis , U. urealyticum , U. parvum ) quando
avaliadas, nesta ordem: amostras de swab endocervical, fluido peritoneal e lesão
de endometriose/peritônio sadio. Para M. hominis, as prevalências para as três
amostras clínicas foram de 43%, 17,9% e 3,8% respetivamente. Para U.
urealyticum foram de 7,0%, 1,9% e 0% respectivamente. Para U. parvum, foram
de 16,0%, 0% e 0% respectivamente. Esta tendência observada, em teoria,
acompanha a hipótese proposta por Khan et al., (2016) de que o fluxo retrógrado
da menstruação carrearia parte dos microrganismos através das trompas de
107
falópio, alcançando os ovários. Acreditamos que, assim como proposto pela
teoria de Sampson, ao alcançar tal sítio anatômico este tecido seria extravasado
para a cavidade peritoneal. Esta hipótese, também proposta por Khan et al.
(2016), explicaria os achados de microrganismos nas amostras de fluido
peritoneal e de tecido colhido da cavidade abdominal. A hipótese proposta por
estes autores é reforçada pelos achados destes em seus estudos, nos quais
evidenciaram a presença de diferentes microrganismos (Staphylococcus aureus,
Escherichia coli, Candida sp, Gardnerella sp. dentre outros) na cavidade uterina
(KHAN et al., 2010; KHAN et al., 2014) , além do fluido cístico ovariano em
mulheres com endometriose (KHAN et al., 2016) e indícios de colonização da
cavidade peritoneal ao reportarem a presença de endotoxinas em fluido
peritoneal (KHAN et al., 2010) . As evidências demonstradas por estes autores
reforçam a hipótese de que a cavidade uterina e demais sítios anatômicos onde
são encontradas lesões de endometriose podem ser colonizados com frequência
dada a dinâmica proposta pela teoria de Sampson. É válido ressaltar que os
estudos citados (KHAN et al., 2010; KHAN et al., 2014) utilizaram a cultura como
método de detecção e, portanto, atestam a viabilidade destes microrganismo s
nas amostras clínicas obtidas, diferente do método adotado no presente estudo.
Apesar das dificuldades inerentes ao cultivo de microrganismos fastidiosos,
como micoplasmas, seria desafiador, porém interessante e recomendável,
estudo futuro e mais extenso com uso desta abordagem.
Assim, em nosso estudo, apesar da ausência de dados em literatura,
propõe-se duas explicações para a diminuição da prevalência destes
microrganismos nas amostras clínicas na ordem swab endocervical, fluido
peritoneal e tecido de biópsia: (i) durante a migração do tecido por meio da
menstruação retrógrada haveria a diminuição da carga microbiana dos
microrganismos ao longo do trajeto, (ii) como o fluido peritoneal se apresenta
como um ultrafiltrado do plasma sanguíneo extravasado através do peritônio, o
acúmulo natural deste em determinadas regiões anatômicas da pelve como o
Fundo de Saco de Douglas, favoreceria a amostragem de material proveniente
de diferentes regiões anatômicas ao mesmo tempo. Isto justificaria também a
prevalência menor encontrada nos tecidos de ambos os grupos por se tratar de
amostra restrita a determinada região anatômica e, ainda, ao fato de que nem
todas as amostras analisadas foram de lesões superficiais.
108
De forma interessante e intrigante, os achados para M. genitalium foram
diferentes dos demais microrganismos e não apresentaram o mesmo padrão
observado. As prevalências encontradas nas amostras de swab endocervical,
fluido e tecido foram de 13,0%, 25,5% e 10,4% respectivamente. Aspectos
associados à epidemiologia e patogenicidade de M. genitalium podem ajudar a
explicar estes achados. Grzesko et al. , (2009) reportaram a detecção de M.
genitalium em 8,4% das amostras de líquido obtido da cavidade abdominal de
mulheres, prevalência menor que a observada no presente estudo. Estudo
realizado por Manhart et al., (2004) reportaram a prevalência de 16% em
amostras de biópsia de endométrio de mulheres co m endometrite aguda
(MANHART, et al., 2004). Outro estudo realizado por Ashshi et al., (2015), por
sua vez, detectaram M. genitalium (14,1%) nas tubas uterinas de mulheres que
tiveram gravidez ectópica. Estes relatos associados aos resultados obtidos por
Baczynska et al., (2007), ao descreverem a capacidade de M. genitalium de se
aderir ao epitélio da tuba uterina mostram que o microrganismo é capaz de
infectar o trato reprodutivo superior. Com sua capacidade de gerar infecções,
muitas vezes oligossintomát icas nestes sítios anatômicos, tratamento mais
adequado não é oferecido às pacientes (GRZESKO et al., 2009) . Assim,
sugerimos que a capacidade inerente à patogênese das infecções provocadas
por M. genitalium façam com que este persista por mais tempo no tr ato
reprodutivo superior e, assim, seja carreado para a cavidade peritoneal durante
a menstruação retrógrada com maior facilidade. Este contexto justificaria sua
detecção na cavidade peritoneal e não necessariamente em concomitância com
a detecção no swab endocervical. Além disso, a detecção de M. genitalium nas
amostras de fluido peritoneal, também foi associada ao sintoma dismenorreia,
quando independente da nota de dor referida pelo paciente (p < 0,05) (Dado não
mostrado). Outros estudos descreveram associação deste microrganismo com
diferentes sintomas e condições como a ocorrência de doença inflamatória
pélvica (DIP) (HAGGERTY; TAYLOR, 2011), corrimento vaginal (KORTE et al.,
2006; WALKER et al., 2011), uretrite (MOI et al., 2009) e cervicite (FALK et al.,
2005; JENSEN, 2004) . Por outro lado, não há menção da associação entre a
infecção por M. genitalium com sintomas como dor pélvica, sinusiorragia e
dispareunia (KORTE et al., 2006; SHORT et al., 2010) . Esta inespecificidade e
inconsistência entre a d etecção de M. genitalium e os sintomas e condições
109
clínicas associadas contribui para que este panorama ainda dificulte a
observação clínica. Apesar dos fortes indícios de reações à infecção causada
por M. genitalium e da reconhecida capacidade de gerar infecção persistente no
hospedeiro, o diagnóstico, e, consequentemente, tratamento das infecções
podem ser negligenciados em grande parte pela infecção subclínica e
assintomática. Em consequência, dificulta-se a determinação de eventos como
a infertilidade e doença inflamatória pélvica (HAGGERTY; TAYLOR, 2011;
JENSEN, 2004; KRAUSE et al., 1982).
O reconhecimento de que o HPV é causa necessário do câncer de colo
uterino abriu a possibilidade para novas estratégias de prevenção, incluindo a
prevenção primária com uso de vacina altamente efetivas e a prevenção
secundária com uso de testes altamente sensíveis, o que tem melhorado
significativamente a performance de programas de screening baseados no teste
de Papan icolaou. Técnicas moleculares tê m sido consideradas alternativas
melhores do que a citologia por conta da sensibilidade e reprodutibilidade em
detectar NIC 2 e NIC 3. Apesar disto da reconhecida importância dos testes de
DNA para HPV na prevenção do câncer de colo uterino, estes ainda nã o são
uma rotina no Brazil (LORENZI; SYRJÄNEN; LONGATTO-FILHO, 2015).
De forma interessante, observamos no presente estudo que a detecção
de HPV no fluido peritoneal foi maior em mulheres do grupo caso (nove
pacientes) do que no grupo controle (uma pacien te). Estudo realizado por
Vestergaard et al., (2010) reportou prevalência de 5,8% das amostras de
endométrio eutópico de mulheres com (1/32) e sem endometriose (2/20) e
nenhuma amostra positiva nas lesões endométrio ectópico em ambos os grupos.
Diferentemente, os resultados do presente estudo foram similares ao descrito
por Oppelt et al., (2010) . Ambos detectaram HPV em amostras de lesão de
endometriose ou peritônio sadio. Detectamos HPV em 3,1% das amostras
testadas, enquanto que no estudo alemão 11,3% das lesões foram positivas para
HPVs de médio e alto risco. De forma similar, também foi sugerido pelos autores
que o fenômeno da menstruação seria a principal causa dos achados. Sugeriu -
se ainda que a infecção persistente causada por HPV poderia contribuir p ara a
evolução da malignidade celular localmente.
A microbiota vaginal “normal” de mulheres, baseado no perfil mais
recorrente em mulheres saudáveis, é entendida como aquela que contém altas
110
proporções de Lactobacillus sp. Alterações da microbiota normal vaginal podem
ocorrer principalmente pelo ciclo menstrual e atividade sexual. Desta maneira,
susceptibilidade por infecções no trato genital pode aumentar pela flutuação da
microbiota vaginal (GAJER et al., 2012) . Neste contexto, ao avaliar o risco de
colonização microbiana intrauterina e a ocorrência de endometrite em mulheres
com endometriose, Khan et al., (2014) reportaram alta colonização microbiana
na cavidade uterina em mulheres com endometriose. Os autores associam o
achado ao uso de tratamento com agonistas de GnRH (GnRHa). Cinco grupos
microbianos mais prevalentes perfazem a maior parte da microbiota vaginal.
Dentre estes, os quatro primeiros são essencialmente formados por
Lactobacillus sp. (Lactobacillus iners, L. crispatus, L. gasseri, or L. jensenii). O
último grupo é composto por altas proporções de organismos anaeróbicos
(RAVEL et al., 2011). No presente estudo, o perfil de coinfecção entre os grupos
apresentou diferença estatisticamente significante entre si (p < 0,05). O perfil de
coinfecção observado nas amostras de swab endocervical e fluido peritoneal
mostrou maior diversidade de padrões de coinfecção quando comparado ao
grupo controle. Como abordado, anteriormente, o fato da maior parte das
mulheres estarem em uso d e terapia hormonal pode ter contribuído para a que
as mulheres estivessem mais vulneráveis à infecção por diferentes
microrganismos simultaneamente (KHAN et al., 2014).
Em mulheres com endometriose, alterações funcionais em células do
sistema imune (macró fagos, NK, Linfócitos T citotóxicos e talvez neutrófilos),
torna o microambiente peritoneal mais imunotolerante , permitindo o
estabelecimento da doença após a menstruação retrógrada. Além disso, a
produção de várias citocinas e quimiocinas por diferentes c élulas podem
favorecer a progressão da doença em detrimento da prevenção (HERINGTON
et al., 2011).
No presente estudo, na dosagem de citocinas no fluido peritoneal dos
grupos caso e controle, infectados ou não por Mollicutes, observou-se que houve
diferença estatisticamente significante entre os grupos para as citocinas IFN -γ,
IL-1β e IL-6. Em concordância com estudo realizado por Bersinger et al., (2012),
a dosagem de IL -6 no fluido peritoneal esteve aumentada no grupo caso em
comparação ao grupo controle. Além disso, a concentração de IL -6, tanto no
fluido peritoneal quando no soro, pode ser usado como um biomarcador, devido
111
a sua relação positiva com o estágio da doença (MOSBAH; NABIEL;
KHASHABA, 2016). O grupo caso quando infectado por M. genitalium (EDT +
MG) também apresentou alta produção de IL -6 comparado ao grupo controle.
Entretanto, a concentração de IL-6 foi menor no grupo caso infectado denotando
que M. genitalium é capaz de modular a resposta imune nas mulheres com
endometriose, diminuindo a produção de IL-6 localmente. McGowin et al., (2012)
verificaram que M. genitalium provoca alta produção de IL-6 em células A2EN e
ShEN101 (humanos) durante a fase aguda (48 h). No entanto, em infecção
persistente de até 36 dias, observou -se níveis insignificantes dessa citocina .
Resultados semelhantes foram observados por Campos et al., (2015), onde IL-
6 apresentava maior em mulheres sadias do que em mulheres infectadas por M.
genitalium.
No presente estudo, a produção de IL-1β estava aumentada nas mulheres
do grupo caso infectadas por MG (EDT + MG), com diferença significante para o
grupo controle e para o grupo caso não infectado (p < 0,05). Não houve diferença
entre o grupo caso não infectado (EDT) e o controle (CN) sugerindo que a
infecção por M. genitalium tenha sido determinante para a maior produção da
citocina. Diversos autores reportam maior produção de IL-1β nas mulheres com
endometriose (BERBIC; FRA SER, 2011; SIKORA et al., 2011; SIKORA;
MIELCZAREK-PALACZ; KONDERA-ANASZ, 2016), no entanto, outros não tem
observado diferença na concentração de IL -1β entre mulheres com e sem
endometriose (BARCZ et al., 2012; MOSBAH et al., 2016) . A presença ou não
de micro-organismo pode ser um dos motivos pelo qual os resultados são
discrepantes entre os autores. Da mesma forma que IL-1β, a produção de IFN-γ
foi maior no grupo caso infectado por M. genitalium (EDT + MG), reforçando a
hipótese de que o microrganismo tenha sido o gatilho para a produção
aumentada da citocina nas mulheres com endometriose. Essa característica
pode estar relacionada com o padrão molecular associado aos patógenos
(PAMPS) presentes no micoplasmas. Os molicutes possuem grande número de
lipoproteínas, chamadas de “ lipid-associated membrane proteins ” (LAMPs). O
reconhecimento das LAMPs pel o sistema imune inato pode induzir a produção
de várias citocinas pró -inflamatórias (GARCIA et al., 1998; KACEROVSKY et
al., 2013; VISCARDI, 2014).
112
Nas amostras de tecido de biópsia, cinco citocinas apresentaram níveis
elevados (IFN-γ, IL-18, IL-13, TNF-α e IL-23) no grupo controle infectado com M.
genitalium (CN + MG) quando comparado ao grupo controle não infectado (CN)
(p < 0,05). Entre estas citocinas, TNF-α destaca-se pelo papel chave no início da
cascata de citocinas na resposta às infecções por M. genitalium (HE et al., 2014)
e por estar aumentada no fluido peritoneal de mulheres com endometrios e
(HERINGTON et al., 2011; KRALICKOVA; VETVICKA, 2015) . Todavia, no
presente estudo, esta citocina não estava aumentada nas pacientes do grupo
caso (EDT), apenas nas amostras de tecido do grupo controle infectado. A
interleucina 18, por sua vez, reconhecida como um membro da família da IL-1, é
entendida como importante reguladora da imunidade inata e adquirida. Esta
citocina estava aumentada nas pacientes controle infectadas por M. genitalium
(CAUCI et al., 2002). De forma similar, estavam as citocinas IL-13, normalmente
vinculada a ativação de linfócitos B e monócitos em resposta similar à ativação
por IL-4 (PODGAEC et al., 2007) e IL-23. Não houve alta produção das citocinas
listadas no grupo caso (EDT) e isso po de ter ocorrido devido o estado de
regulação negativa de células do sistema imune nas mulheres com
endometriose com menor responsividade aos estímulos das citocinas
(HERINGTON et al., 2011).
Na expressão gênica, quando comparadas as amostras de tecido os
grupos caso (EDT) e controle (CN), sem infecção por micoplasmas, foi verificada
alta expressão de genes ligados à ativação da resposta inflamatória (como Toll-
likes – TLR1, TLR2 e TLR8 – CASP1, IL1R1, IL1B e CRP), à ativação de
macrófagos ( IFNG), à ativaçã o do sistema complemento ( APCS) e à
apresentação de antígeno ( CD86). Estes achados demonstram de forma
evidente o processo inflamatório que se estabelece nas lesões de endometriose
estudadas. Esse perfil inflamatório no tecido da lesão da endometriose também
foi observado por Ahn et al., (2016), onde os autores relacionam como esse perfil
sendo fundamental para o processo de proliferação, sobrevivência e
diferenciação dessas células. Luo et al., (2015) sugerem que os TLRs podem
desempenhar um papel importante na origem e desenvolvimento da
endometriose, onde a inflamação promovida induz a secreção de IL-8 (autócrina
e pará crina), que permite a invasão e a proliferação do tecido na cavidade
peritoneal via sinalização de FAK (Quinase de Adesão Focal). Apesar de não ter
113
sido observada a expressão gênica em tecido do grupo caso (EDT) e/ou controle
(CN) infectados por micoplasmas, é válido ressaltar que TLR2 esteve em
upregulation quando comparados os tecidos dos grupos caso e controle sem
infecção e essa molécula é reconhecida como o principal componente de
ativação da resposta inflamatória para molicutes (BROWNING et al., 2011) . O
reconhecimento de M. genitalium foi relacionado com a ativação tanto de TLR2
quanto de TLR1 (MCGOWIN et al., 2009; SHIMIZU; KIDA; KUWANO, 2008). No
entanto, He et al., (2009) observaram que a infecção por M. genitalium pode
também necessitar da ativação, além de TLR1 e TLR2, de TLR6 para mediar o
processo inflamatório relacionado a essa bactéria.
No entanto, a o avaliar a expressão gênica n as células do fluido, foi
observado perfil de downregulation de genes ligados à ativação de resposta
inflamatória (NLRP3), apresentação de antígeno e integrinas ( ITGAM e CD80),
fator de ativação de macrófagos ( SLC11A1), mostrando que existe um perfil de
inibição das células recrutadas ao local. Macrófagos, Linfócitos T, B e NK,
neutrófilos e células dendríticas são as principais células presentes no fluido
peritoneal (KRALICKOVA; VETVICKA, 2015) . Este perfil de expressão é
condizente com os relatos da literatura de que as diferentes células do sistema
imune, sobretudo macrófagos e linfócitos T ativados, são recrutadas, no entanto,
essas células são pouco responsivas devido à baixa expressão de receptores
essenciais às funções de reconhecimento, apresentação e ativação celular
(HERINGTON et al., 2011) . No caso de linfócitos, e stes efeitos
imunossupressores não estão correlacionados com período menstrual e nem
com níveis de estradiol, progesterona ou prostaglandina E2 (OOSTERLYNCK et
al., 1993). Esse processo pode estar relacionado à inibição da apoptose. Kang
et al. , (2014) observaram que o aumento na concentração de IL-6 no fluido
peritoneal de mulheres com endometriose , diminui a a tividade citolítica de
células NK pela downregulation de grânulo, sendo esse papel regulado pela
expressão de SHP-2 (tirosino-fosfatase Shp2). Além disso, na endometriose,
apesar de haver aumento no número de macrófagos recrutados, esses são não
responsivos, principalmente devido à inibição de ICAM-1. Isto pode levar à
imunotolerância ao tecido implantado (MAEDA, et al., 2002). De forma bastante
interessante, e sse perfil é acentuado com a presença de M. genitalium . Na
análise de expressão gênica em células do fluido com M. genitalium foi percebida
114
acentuada downregulation de genes ligados à ativação de resposta inflamatória
(TYK2, STAT1, CD14), ativação de resposta TH1 (TBX21), ativação de resposta
TH2 (IL5), além da apresentação de antígeno ( HLA-A, CD86). Além disso, ao
agruparmos todos os micop lasmas e comparamos a expressão gênica nas
células do fluido peritoneal do grupo caso infectado com micoplasmas; com o
grupo controle sem micoplasmas, de forma geral, os mesmos tipos de genes
estavam em downregulation (TBX21, MAPK8, IRAK1 – receptor de IL-1, IFNGR1
– receptor de INFG; e HLA-A e CDA4 – reconhecimento do MHC). Não se sabe
ao certo, de que maneira esses micro -organismos são capazes de induzir essa
imunotolerância; no entanto, alguns micoplasmas, como M. genitalium , são
capazes de persistir no hospedeiro por mecanismos de imunomodulação
(BROWNING et al., 2011) . M. genitalium é capaz de sobreviver durante longos
períodos de infecção, independente da ativação de resposta inflamatórias
crônicas. No entanto esse mecanismo ainda é desconhecido (MCGOWIN et al.,
2012). Em contrapartida, quando o microrganismo detectado nas amostras de
fluido foi M. hominis, ocorreu um perfil inverso de expressão com acentuada
upregulation de diferentes genes ( STAT6, MAPK1, IRF3 e GATA3) de forma
significante (p < 0,05). O gene GATA3 foi descrito como uma molécula que sofre
influência direta do hormônio estrógeno e pode promover a ocorrência e
desenvolvimento da endometriose por meio da regulação da secreção de
citocinas (IL-6, IL-10 e IL-8) em células do endométrio eutópico de pacientes com
endometriose (CHEN; WANG; LIANG, 2016) . Da mesma maneira, ainda é
incerto o papel imunomodulatório de M. hominis (HASEBE; MU; COLE, 2014).
Diante dos resultados obtidos, propõe -se que a endometriose,
independente da presença de Mollicutes, é capaz de induzir a secreção de
citocinas inflamatórias no fluido peritoneal, levando a um ambiente pró -
inflamatório. O estado inflamatório gerado induz o recrutamento de células do
sistema imune. Contudo, essas não são funcionais, o que leva a uma tolerância
ao tecido implantado . A presença de micoplasmas, em especial M. genitalium,
no fluido peritoneal, pode desempenhar um papel chave na manutenção desse
processo de imunotolerância e, principalmente, no agravamento desse perfil. No
entanto, mais estudos são necessários para compreender essa imunotolerância
frente às infecções bacterianas. Os dados obtidos no presente estudo são
inéditos e importantes para favorecer a discussão quanto à importância e
115
relevância que as espécies de micoplasmas e outros microrganismos de
importância clínica ginecológica podem representar na saúde sexual e
reprodutiva da mulher.
116
7 CONCLUSÕES
Mulheres com alto grau de instrução (≥ ensino superior completo)
compuseram o perfil estatisticamente mais associado à endometriose.
Os sintomas dismenorreia e dispareunia apresentaram estatisticamente
maior severidade (EAD ≥ 7) nas mulheres com endometriose . Além
destes, infertilidade foi outra queixa estatisticamente mais frequente nas
mulheres com endometriose.
Espécies de Mollicutes (M. genitalium, M. hominis e U. urealyticum) e HPV
podem ser detectadas por meio da qPCR em amostras clínicas obtidas
da cavidade peritoneal de mulheres com endometriose.
As mulheres com endometriose apresentaram maior diversidade de
microrganismos detectados nas amostras e fluido peritoneal ( M.
genitalium, M. hominis e U. urealyticum ) e tecido de biópsia ( M.
genitalium, M. hominis e HPV) quando comparado ao grupo controle.
A prevalência dos microrganismos detectados (M. genitalium, M. hominis,
U. urealyticum e HPV) nas amostras de swab endocervical e fluido
peritoneal foi maior nas mulheres com endometriose que nas mulheres
controle. Nas amostras de tecido, a prevalência de M. genitalium e M.
hominis foi maior dentre as mulheres com endometriose.
A menstruação retrógrada pode explicar, em parte, a tendência
decrescente da prevalência dos microrganismos detectados nas amostras
clínicas na ordem Swab > Fluido peritoneal > Tecido de biópsia, nos
grupos caso e controle.
A detecção de U. parvum nas amostras de swab endocervical foi
associada estatisticamente com a maior severidade do sintoma
dispareunia.
A detecção de M. genitalium no fluido peritoneal de mulheres com
endometriose foi associada à maior pr odução de IFN -γ e IL -1β, quando
comparado aos grupos caso e controle sem este micoplasma.
A maior produção de IL -6 no fluido peritoneal foi associada às mulheres
com endometriose com ou sem M. genitalium.
117
A infecção por M. genitalium foi associada à maior produção das citocinas
IFN-γ, IL-18, IL-13, TNF-α e IL-23 no tecido de biópsia do grupo controle,
quando comparado ao grupo controle não infectado.
Houve aumento na produção de TNF-α no tecido de biópsia de mulheres
com endometriose e M. genitalium e não nas mulheres do grupo caso sem
infecção.
Houve alta expressão de genes ligados à ativação da resposta
inflamatória, ativação de macrófagos, do sistema complemento e
apresentação de antígeno nas lesões de endometriose não infectadas
com micoplasmas.
Não houv e diferença entre a expressão gê nica de genes ligados à
resposta imune à inflamação nas lesões de endometriose de mulheres
com ou sem M. genitalium.
Nas células presentes no fluido peritoneal de mulheres com endometriose
sem infecção foi observado perfil de downregulation de genes ligados à
resposta inflamatória, apresentação de antígenos, fator de ativação de
macrófagos, o q ue pode estar ligado à imunotolerância ao tecido
implantado.
O perfil de downregulation de genes da inflamação e resposta imune, nas
células presentes no fluido peritoneal, foi acentuado pela presença de M.
genitalium ou qualquer micoplasma . No entanto, na presença de M.
hominis foi observado um perfil contrário.
Células do f luido peritoneal de mulheres com endometriose, infectadas
por qualquer micoplasma , apresentaram prevalência do perfil de
downregulation dos genes ligados à resposta imune inflamatória
comparado ao grupo controle sem infecção.
A presença de micoplasmas, em especial M. genitalium , no fluido
peritoneal, pode desempenhar papel chave na manutenção do processo
de imunotolerância, principalmente pelo agravamento desse perfil.
118
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141
APÊNDICE A – Tipo de cirurgia realizada por grupo de estudo
Pacientes do Grupo Controle
Iniciais Cirurgia
EA Miomectomia laparoscópica
MES Endometrioma de parede
JSF Miomectomia laparoscópica
MCMR Videolaparoscopia diagnóstica + Miomectomia
SCQ Histerectomia Videoloparoscópica
SOS Histerectomia Videoloparoscópica
GBS Laqueadura Tubária
FGSG Histerectomia total + Salpingectomia bilateral
AGHG Miomectomia laparoscópica
LCT Histerectomia total + Salpingectomia bilateral
JABS Low-pressure solvent extraction (LPSE)
SB Laqueadura Tubária
CCFO LPSE parcial + Histerectomia total + Salpingectomia bilateral
AFOD Laparoscopia para lise de aderências + Miomectomia anterior
ASRC Videolaparoscopia diagnóstica
MC Histerectomia Videolaparoscópica +Salpingectomia bilateral
AMR Videolaparoscopia diagnóstica
EBL Videolaparoscopia diagnóstica
GCC Laqueadura Tubária
MODC Videolaparoscopia diagnóstica + Histeroscopia
DCS Videolaparoscopia diagnóstica
JPMP Histerectomia diagnóstica + Salpingectomia direita
ICFFP Videolaparoscopia para Histerectomia +Salpingectomia bilateral
SRA Videolaparoscopia diagnóstica
AEMB Videolaparoscopia Histerectomia total + Salpingectomia bilateral
LNS Laqueadura Tubária videolaparoscópica
JMA Laqueadura Tubária bilateral videolaparoscópica
MA Laqueadura Tubária videolaparoscópica
RAL Laqueadura Tubária videolaparoscópica
MFC Videolaparoscopia diagnóstica
RGS Laqueadura Tubária videolaparoscópica
142
APÊNDICE A – Tipo de cirurgia realizada por grupo de estudo
Pacientes do Grupo Caso
Iniciais Cirurgia
MRRS Exérese (Ex.) de Lesão de Ovário
PRMB Ex. de nódulo retrocervical e ligamentos útero-sacros
FMM Ex. lesões de Reto + Bexiga + Vagina
IFBC Ex. de provável lesão de endometriose (Confirmada)
RSL Ex. de lesão de cólon direito + apêndice
RASC Histerectomia total + Ex. de lesão retrocervical
CRK Ooforoplastia + Salpingectomia + Ex. lesão retrocervical
LLC Drenagem de endometriomas bilaterais
FCF Ooforoplastia esquerda + Ex. lesão retrocervical
RMSS Ressecção de nódulo retrocervical + Ooforoplastia
TMA Ressecção de foco de endometriose retrocervical
MDMV LPSE focos de Endometriose retrocervical
SNS Ressecção de foco de endometriose
WD Salpingectomia bilat. + Ex. endometriose retrocervical
VAFI Ex. de retrocervical e aderências em fundo de saco
LMB LPSE de Endometriose retrocervical + EDT peritoneal
CLSR Ex. de lesões retrocervical + Ooforoplastia bilateral
ARA Ex. de Lesão parauretral
DSS Ex. de lesões retrocervicais
MCS Ex. lesão de fossa ovárica direita + aderências
LHTS Histeroscopia + Ex. lesão retrocervical
CMFB Laparoscopia para EX. de lesão superficial peritoneal
STCV Laparoscopia para EX. de lesão retrocervical
SFD Videolaparoscopia para histerectomia total
TMF Ex. de lesão de vagina + Ex. de endometrioma
RNOS Laparoscopia diagnóstica com Ex. de lesões de EDT
GKS Videolaparoscopia para Ex. EDT
LSN Ex. de lesão de endometriose
DNA Ex, de endometriose retrocervical + Salpingectomia
PSO Ex. focos de endometriose
KBCB Videolaparoscopia para Ex. de EDT
SMRJ Ex. de lesão retrocervical + histerectomia
RSO Ressecção de focos peritoneais + Miomectomia VLP
AEN Ex. lesão EDT superficial e retrocervical
EM Ressecção de lesão de endometriose
AP Videolaparoscopia para Ex. de lesões de Endometriose
RCMG Histerectomia total + Ex. EDT retrocervical
JCS Histerectomia total + Salpingectomia bilateral
AV Ex. de endometriose de peritônio
CRN Ex. de focos de EDT
CT Histerectomia videolaparoscópica + apendicectomia
NGO Ex. lesão endometriose útero-sacra
LPFB Ex. Endometriose retrocervical e vagina
SKIM Ex. lesão útero-sacra
143
APÊNDICE A – Tipo de cirurgia realizada por grupo de estudo
Pacientes do Grupo Caso
Iniciais Cirurgia
SRC Salpingectomia + Ooforoplastia + Miomectomia
EMNV Videolaparoscopia diagnóstica + Salpingectomia bilat.
DRM Histerectomia total
CPS Ex. de lesões de endometriose
CFS Ex. lesão de vagina e útero-sacra direita
GARH Ex. lesões de endometriose
TVA Ex. lesão de EDT parauretral esquerda + cistectomia
LGP Ex. de lesões de endometriose
MCCC Ex. de lesão retrocervical e de fossa ovárica esquerda
JMO Lise de aderências e ressecção de EDT retrocervical
BMAB Ex. de lesões de endometriose
ESF Ex. de lesões de endometriose
CSA Ex. de lesão perivesical + Ureterólise bilateral
AFA Ressecção de lesão retrocervical + lise de aderências
ATTT Ex. de lesão de vagina, retrocervical e paravesical
CBA Lise de aderências + Ex. de lesão retrocervical
MMMPM Histerectomia total + Salpingectomia bilateral
VSL Ex. lesões de EDT em fossa ovárica
CCLS Laparoscopia histerectomia total
BBAVO Ex. lesão de EDT + miomectomia
ZBR Ex. de lesões de endometriose
ALMM Ooferectomia esq. + Ex. de EDT paravesical esquerda
JNF Ex. lesões de vagina e fossa ovárica esquerda
TCN Ex. de lesões de endometriose
MFC Miomectomia + Ex. lesão retrocervical
DPR Histerectomia total + Salpingectonia
GTBV Histerectomia total + Salpingectomia
ECGE Ex. lesão de EDT
LFT Laqueadura tubárea + Ex. lesão superficial de EDT
144
APÊNDICE B – Ficha de atendimento ginecológico ambulatorial
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOMÉDICAS
MESTRADO EM MICROBIOLOGIA
FICHA DE ATENDIMENTO GINECOLÓGICO
NÚMERO: DATA:
UNIDADE DE SAÚDE:
NOME (Apenas Iniciais): IDADE (Anos): ESCOLARIDADE
REGIÃO: 1. RURAL 2. URBANA ANO DO ÚLTIMO EXAME
RAÇA/COR: 1. BRANCA 2. PRETA 3. AMARELA 4. PARDA 5. INDÍGENA
MOTIVO DA CONSULTA:
HISTÓRIA MENSTRUAL
MENARCA ANOS DATA DA ÚLTIMA MENSTRUÇÃO
HISTÓRIA SEXUAL
IDADE DO 1 ⁰ INTERCURSO
SEXUAL
VIDA SEXUAL ATUAL
1. ATIVA 2.
INATIVA
RELAÇÃO ESTÁVEL
1. SIM 2. NÃO
LIBIDO
1. MANTIDA 2. PRESENTE 3. DIMINUÍDA 4.
AUMENTADA
ORGASMO
1. FREQUENTE 2. RARO 3. NUNCA
NÚMERO DE PARCEIROS NA VIDA
1. UM 2. 2 A 5 3. 6 A 9 4. 10 OU
MAIS
NÚMERO DE PARCEIROS (ÚLT. 3 MESES)
1. UM 2. DOIS 3. TRÊS 4. QUATRO
OU MAIS
DISPAREUNIA
1. SIM 2. NÃO
SINUSIORRAGIA
1. SIM 2. NÃO
PRESERVATIVO
1. SIM SEMPRE 2. AS VEZES 3. RARAMENTE 4.
NÃO NUNCA
COMO USA? (SOLICITAR DESCRIÇÃO DO USO)
1. CORRETAMENTE 2. INCORRETAMENTE
MÉTODO
ANTICONCEPCIONAL
TEMPO DE USO DE
ANTICONCEPCIONAL
HISTÓRICO OBSTÉTRICO
NÚMERO DE
GESTAÇÕES
ABORTAMENTOS
ESPONTÂNEOS PROVOCADOS
PARTOS
PREMATUROS A TERMO NATURAIS A TERMO ARTIFICIAIS
ANTECEDENTES PATOLÓGICOS
DST
1. PRÉVIA E TRATADA 2. DESCONHECE OU NEGA
3. PRÉVIA E NÃO TRATADA
HIV
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO SABE
SINTOMATOLOGIA
1. CORRIMENTO
1. SIM 2. NÃO
2. DISÚRIA
1. SIM 2. NÃO
3. ODOR
1. FÉTIDO 2. CARACTERÍSTICO
4. DOR PÉLVICA
1. SIM 2. NÃO
5. PRURIDO
1. SIM 2. NÃO
6. HIPEREMIA
1. SIM 2. NÃO
7. VERRUGA 8. BOLHA/VESÍCULA 9. FERIDA/ÚLCERA
145
1. SIM 2. NÃO 1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
10. PETÉQUIAS
1. SIM 2. NÃO
OUTRO
1. PARCEIRO/SINTOMATOLOGIA 1.1QUEIXA 1. SIM 2. NÃO
1.2 HIPEREMIA
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
1.3 CORRIMENTO ANORMAL
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
1.4 VERRUGA
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
1.5 BOLHA
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
1.6 DISÚRIA
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
1.7 PRURIDO
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
1.8 DISPAREUNIA
1. SIM 2. NÃO 3. NÃO
SABE
OUTRO
TRATAMENTO
PARA MENOPAUSA
1. SIM 2. NÃO
ESTROGENIZADA PARA PAPANICOLAU
1. SIM 2. NÃO
146
HISTÓRIA DE TRATAMENTO ANTERIOR
COMPRIMIDO
1. SIM 2. NÃO
CREME VAGINAL
1. SIM 2. NÃO
TEMPO
1. 1 SEMANA 2. 2 SEMANAS 3. MAIS DE
2 SEMANAS
INJEÇÃO
1. SIM 2. NÃO
PARCEIRO TRATADO
1. SIM 2. NÃO
RELAÇÃO SEXUAL NO TRATAMENTO
1. SIM COM CONDON 2. SIM SEM CONDON 3.
NÃO
2. PARCEIRO/TRATAMENTO 2.1 SABE INFORMAR 1. SIM 2. NÃO
2.2 PARCEIRO TRATADO
1. SIM 2. NÃO
2.3 TIPO DO TRATAMENTO
1. COMP. 2. POMADA 3.
INJEÇÃO
2.4 TRATAMENTO CONCOMITANTE C/
PARCERIA
1. SIM 2. NÃO
EXAME GINECOLÓGICO
ACHADOS EM GENITÁLIA EXTERNA
1. VESÍCULA
2. VERRUGA
3. ÚLCERA
4. BOLHA
5. PETÉQUIAS
6. ODOR
7. OUTRO (Descrever)
ACHADOS EM GENITÁLIA INTERNA
1. MUCOPUS ENDOCERVICAL
2. CORRIMENTO VAGINAL
3. COLO FRIÁVEL
4. MASSA ANORMAL DE TECIDO NO COLO
5. OUTROS (Descrever):
CONDUTA
___/___/___ ______________________________________________
DATA ASSINATURA
E CARIMBO
147
APÊNDICE C – Perfil de prevalência dos Mollicutes nas amostras swab endocervical de acordo com o uso de hormônio
Nota: Perda de observação: 13; n= 91. *Teste de verossimilhança.
Legenda: SIU-LNG: Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel; ND: Não definida
Método Contraceptivo
Distribuição (%) entre casos e controles para amostras de swab endocervical
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
Nenhum
ACO/Injetável
SIU-LNG
7 (58,3) 47 (59,5) 1,00 0,605 22 (57,9) 32 (60,4) 1,00 0,911 6 (85,7) 48 (57,1) 1,00 0,438 8 (53,3) 46 (60,5) 1,00 0,783
4 (33,3) 30 (38,0) 3,35 [0,26; 42,07] 15 (39,5) 19 (35,8) 0,87 [0,36; 2,07] 1 (14,3) 33 (39,3) 4,12 [0,47; 35,87] 7 (46,7) 27 (35,5) 0,67 [0,21; 2,05]
1 (8,3) 2 (2,5) 3,75 [0,27; 51,37] 1 (2,6) 2 (3,8) 1,37 [0,11;16,11] 0 (0) 3 (3,6) ND - 0 (0) 3 (3,9) ND -
147
148
APÊNDICE D – Perfil de prevalência dos Mollicutes nas amostras de fluido peritoneal de acordo com o uso de hormônio
Nota: Perda de observação: 32; n = 72. *Teste de verossimilhança.
Legenda: SIU-LNG: Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel; ND: Não definida
Método Contraceptivo
Distribuição (%) entre casos e controles para amostras de fluido peritoneal
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
Nenhum
ACO/Injetável
SIU-LNG
17 (70,8) 28 (58,3) 1,00 0,775 12 (75,0) 33 (58,9) 1,00 0,649 1 (50,0) 44 (62,9) 1,00 0,903 0 (0) 45 (62,5) ND -
7 (29,2) 17 (35,4) 1,47 [0,50; 4,28] 4 (25,0) 20 (35,7) 1,81 [0,51; 6,41] 1 (50,0) 23 (32,9) 0,52 [0,03; 8,74] 0 (0) 24 (33,3) ND -
0 (0) 3 (6,2) ND - 0 (0) 3 (5,4) ND - 0 (0) 3 (4,3) ND - 0 (0) 3 (4,2) ND -
148
149
APÊNDICE E – Perfil de prevalência dos Mollicutes nas amostras de tecido de biópsia de acordo com o uso de hormônio
Nota: Perda de observação: 13; n = 91. *Teste de verossimilhança.
Legenda: SIU-LNG: Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel; ND: Não definida
Método Contraceptivo
Distribuição (%) entre casos e controles para amostras de tecido de biópsia
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
Nenhum
ACO/Injetável
SIU-LNG
5 (50,0) 50 (61,7) 1,00 0,692 2 (50,0) 53 (60,9) 1,00 0,872 0 (0) 55 (60,4) ND - 0 (0) 55 (60,4) ND -
5 (50,0) 28 (34,6) 0,56 [0,14; 2,10] 2 (50,0) 31 (35,6) 0,58 [0,78; 4,36] 0 (0) 33 (36,3) ND - 0 (0) 33 (36,3) ND -
0 (0) 3 (3,7) ND - 0 (0) 3 (3,4) ND 0 (0) 3 (3,3) ND - 0 (0) 3 (3,3) ND -
149
150
APÊNDICE F – Perfil de prevalência de HPV por amostra clínica e N. gonorrhoeae nas amostras de swab de acordo com o uso de
hormônio.
Nota: Perda de observação (HPV - Swab): 16; n = 88; Perda de observação (HPV – Fluido Peritoneal): 34; n = 70; Perda de observação (HPV – Tecido de Biópsia): 14; n = 90.
Nota: Perda de observação (N. gonorrhoeae): 10; n = 94.
*Teste de verossimilhança
Legenda: SIU-LNG: Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel; ND: Não definida
Método
Contraceptivo
n (%)
Distribuição (%) entre casos e controles - Amostra por Microrganismo
HPV N. gonorrhoeae
Swab endocervical Fluido peritoneal Biópsia de tecido Swab endocervical
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
n (%)
qPCR
Negativo
n (%)
OR IC 95% p*
Nenhum
ACO/Injetável
SIU-LNG
1 (20,0) 51 (61,4) 1,00 0,232 3 (60,0) 40 (61,5) 1,00 0,980 3 (100) 52 (59,8) 1,00 - 2 (100) 55 (59,8) 1,00 -
4 (80,0) 29 (34,9) 0,14 [0,01; 1,33] 2 (40,0) 22 (33,8) 0,82 [0,12; 5,31] 0 (0) 32 (36,8) ND - 0 (0) 34 (37,0) ND -
0 (0) 3 (3,6) ND - 0 (0) 3 (4,6) ND - 0 (0) 3 (3,4) ND - 0 (0) 3 (3,3) ND -
150
151
APÊNDICE G – Prevalência de coinfecção de Mollicutes (M. hominis , M.
genitalium, U. urealyticum e U. parvum ), HPV e N.
gonorrhoeae em amostras de swab endocervical de mulheres
com e sem endometriose, São Paulo - SP, 2014.2 – 2015.1.
Microrganismos
Caso (EDT)
(n = 73)
n (%)
Controle
(n = 31)
n (%)
Total
(n = 104)
n (%)
MG +MH 6 (8,2) 2 (6,4) 8 (7,7)
MG + UU 1 (1,4) 0 (0) 1 (1,0)
MH + UU 1 (1,4) 0 (0) 1 (1,0)
MH + UP 4 (5,5) 1 (3,2) 5 (4,8)
UU + UP 1 (1,4) 0 (0) 1 (1,0)
MG + MH + UP 1 (1,4) 0 (0) 1 (1,0)
MG + MH + UP + UU 1 (1,4) 0 (0) 1 (1,0)
MG + MH + UU + HPV 1 (1,4) 0 (0) 1 (1,0)
Total de mulheres com coinfecção 16 (21,9) 3 (9,7) 19 (18,3)
Legenda: MG = Mycoplasma genitalium , MH = Mycoplasma hominis , UU = Ureaplasma
urealyticum, UP = Ureaplasma parvum , HPV = Papilomavírus humano. n = 104 (número
absoluto de amostras testadas).
Nota: em negrito, estão em destaque as coinfecções mais frequentes
152
APÊNDICE H – Prevalência de coinfecção de micoplasmas genitais (M. hominis,
M. genitalium , U. urealyticum e U. parvum ) em amostras de
fluido peritoneal de mulheres com e sem endometriose , São
Paulo - SP, 2014.2 – 2015.1.
Microrganismos
Caso (EDT)
(n = 54)
n (%)
Controle
(n = 24)
n (%)
Total
(n = 78)
n (%)
MG +MH 6 (11,1) 1 (4,2) 7 (9,0)
MG + HPV 3 (5,6) 0 (0) 3 (3,8)
MH + HPV 1 (1,9) 0 (0) 1 (1,3)
MG + MH + UU 1 (1,9) 0 (0) 1 (1,3)
MG + MH + HPV 1 (1,9) 0 (0) 1 (1,3)
Total de mulheres com coinfecção 11 (20,4) 1 (4,2) 12 (15,4)
Legenda: MG = Mycoplasma genitalium , MH = Mycoplasma hominis , UU = Ureaplasma
urealyticum, UP = Ureaplasma parvum , HPV = Papilomavírus humano. n = 78 (número
absoluto de amostras testadas).
Nota: em negrito, estão em destaque as coinfecções mais frequentes.
153
APÊNDICE I – Prevalência de coinfecção de micoplasmas genitais ( M. hominis,
M. genitalium, U. urealyticum e U. parvum) em amostras de tecido
de biópsia de mulheres com e sem endometriose, São Paulo - SP,
2014.2 – 2015.1.
Microrganismos
Caso (EDT)
(n = 68)
n (%)
Controle
(n = 30)
n (%)
Total
(n = 98)
n (%)
MG + MH 0 1 (3,3) 1 (1,0)
MG + HPV 1 (1,5) 0 1 (1,0)
Total de mulheres com coinfecção 1 1 2 (2,0)
Legenda: MG = Mycoplasma genitalium , MH = Mycoplasma hominis , UU = Ureaplasma
urealyticum, UP = Ureaplasma parvum , HPV = Papilomavírus humano. n = 98 (número
absoluto de amostras testadas).
154
APÊNDICE J – Detecção de Mollicutes em amostras de fluido peritoneal por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação com
o perfil clínico de mulheres com endometriose (caso) e sem endometriose (controle), São Paulo – SP, 2014.2 –
2015.1.
Nota: Perda de observação: 1Dismenorreia: perda de 32 (n = 72); 2Dos pélvica cíclica: perda de 32 (n = 72); 3Dispareunia: perda de 33 (n = 71); 4Alterações
intestinais cíclicas: perda de 32 (n = 72); 5Alterações urinárias cíclicas: perda de 32 (n = 72); 6Infertilidade: perda de 33 (n = 71)
*Significância estatística quando p < 0,05
*Teste de Qui-quadrado
ɸ Teste de Fisher
ND: Não definida
Sintomas
Distribuição (%) entre qPCR-positivo e negativo por microrganismo para amostras de Fluido Peritoneal
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
Dismenorreia (EAD), n (%)1
≥ 7
< 7
17 (70,8) 31 (64,6) 1,33 [0,46, 3,84] 0,596 10 (62,5) 38 (67,9) 0,78 [0,24; 2,51] 0,688 1 (50,0) 47 (67,1) 0,48 [0,02; 8,18] 1,000 0 (0) 48 (66,7) ND - -
7 (29,2) 17 (35,4) 6 (37,5) 18 (32,1) 1 (50,0) 23 (32,9) 0 (0) 24 (33,3)
Dor pélvica cíclica (EAD), n (%)2
≥ 7
< 7
9 (37,5) 18 (37,5) 1,00 [0,36; 2,75] 1,000 7 (43,8) 20 (35,7) 1,40 [0,45; 4,32] 0,558 0 (0) 27 (38,6) 1,04 [0,98; 1,11] 0,525ɸ 0 (0) 27 (37,5) ND - -
15 (62,5) 30, 62,5) 9 (56,2) 36 (64,3) 2 (100) 43 (61,4) 0 (0) 45 (62,5)
Dispareunia (EAD), n (%)3
≥ 7
< 7
9 (39,1) 23 (47,9) 0,69 [0,25; 1,92] 0,486 5 (31,2) 27 (49,1) 0,47 [0,14; 1,53] 0,207 1 (50,0) 31 (44,9) 1,22 [0,07; 20,40] 1,000 0 (0) 32 (45,1) ND - -
14 (60,9) 25 (52,1) 11 (68,8) 28 (50,9) 1 (50,0) 38 (55,1) 0 (0) 39 (54,9)
Alt. intest. cíclicas (EAD), n (%)4
≥ 7
< 7
5 (20,8) 12 (25,0) 0,78 [0,24; 2,57] 0,695 3 (18,8) 14 (25,0) 0,69 [0,17; 2,78] 0,604 0 (0) 17 (24,3) 1,03 [0,98; 1,09] 1,000ɸ 0 (0) 17 (23,6) ND - -
19 (79,2) 36 (75,0) 13 (81,2) 42 (75,0) 2 (100) 53 (75,7) 0 (0) 55 (76,4)
Alt. urin. cíclicas (EAD), n (%)5
≥ 7
< 7
6 (25,0) 5 (10,4) 2,86 [0,77; 10,60] 0,203 0 (0) 11 (19,6) 1,35 [1,26; 1,57] 0,108ɸ 0 (0) 11 (15,7) 1,03 [0,98; 1,08] 1,000 0 (0) 11 (15,3) ND - -
18 (75,0) 4 (89,6) 16 (100) 45 (80,4) 2 (100) 59 (84,3) 0 (0) 61 (84,7)
Infertilidade, n (%)6
Sim
Não
8 (34,8) 19 (39,6) 0,81 [0,28; 2,29] 0,697 6 (37,5) 21 (38,2) 0,97 [0,30; 3,06] 0,961 0 (0) 27 (39,1) 1,04 [0,98; 1,11] 0,522ɸ 0 (0) 27 (38,0) ND - -
15 (65,2) 29 (60,4) 10 (62,5) 34 (61,8) 2 (100) 42 (60,9) 0 (0) 44 (62,0)
154
155
APÊNDICE K – Detecção de Mollicutes em amostras de tecido de biópsia por PCR em tempo real (qPCR) e sua relação com o perfil
clínico de mulheres com endometriose (caso) e sem endometriose (controle), São Paulo – SP, 2014.2 – 2015.1.
Nota: Perda de observação: 1Dismenorreia: perda de 15 (n = 89); 2Dos pélvica cíclica: perda de 15 (n = 89); 3Dispareunia: perda de 16 (n = 88); 4Alterações
intestinais cíclicas: perda de 14 (n = 90); 5Alterações urinárias cíclicas: perda de 14 (n = 90); 6Infertilidade: perda de 16 (n = 88)
*Significância estatística quando p < 0,05
*Teste de Qui-quadrado
ɸ Teste de Fisher
ND: Não definida
Sintomas
Distribuição (%) entre qPCR-positivo e negativo por microrganismo para amostras de Tecido de Biópsia
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
Dismenorreia (EAD), n (%)
≥ 7
< 7
9 (90,0) 52 (65,8) 4,67 [0,56; 38,84] 0,234 2 (66,7) 59 (68,6) 0,91 [0,08; 10,53] 1,000ɸ 0 (0) 61 (68,5) ND - - 0 (0) 61 (68,5) ND - -
1 (10,0) 27 (34,2) 1 (33,3) 27 (31,4) 0 (0) 28 (31,5) 0 (0) 28 (31,5)
Dor pélvica cíclica (EAD), n (%)
≥ 7
< 7
5 (50,0) 29 (36,7) 1,72 [0,46; 6,46] 0,415 0 (0) 34 (39,5) 1.05 [0,99; 1,12] 0,284ɸ 0 (0) 34 (38,2) ND - - 0 (0) 34 (38,2) ND - -
5 (50,0) 50 (63,3) 3 (100) 52 (60,5) 0 (0) 55 (61,8) 0 (0) 55 (61,8)
Dispareunia (EAD), n (%)
≥ 7
< 7
3 (30,0) 33 (42,3) 0,58 [0,14; 2,43] 0,686 1 (33,3) 35 (41,2) 0,71 [0,06; 8,18] 1,000ɸ 0 (0) 36 (40,9) ND - - 0 (0) 36 (40,9) ND - -
7 (70,0) 45 (57,7) 2 (66,7) 50 (58,8) 0 (0) 52 (59,1) 0 (0) 52 (59,1)
Alt. intest. cíclicas (EAD), n (%)
≥ 7
< 7
2 (18,2) 18 (22,8) 0,75 [0,14; 3,80] 1,000 2 (50) 18 (20,9) 3,77 [0,49; 28,69] 0,213ɸ 0 (0) 20 (22,2) ND - - 0 (0) 20 (22,2) ND - -
9 (81,8) 61 (77,2) 2 (50) 68 (79,1) 0 (0) 70 (77,8) 0 (0) 70 (77,8)
Alt. urin. Cíclicas (EAD), n (%)
≥ 7
< 7
1 (9,1) 11 (13,9) 0,61 [0,07; 5,31] 1,000 0 (0) 12 (14,0) 1,05 [1,00; 1,11] 1,000ɸ 0 (0) 12 (13,3) ND - - 0 (0) 12 (13,3) ND - -
10 (90,9) 68 (86,1) 4 (100) 74 (86,0) 0 (0) 78 (86,7) 0 (0) 78 (86,7)
Infertilidade, n (%)
Sim
Não
6 (60,0) 29 (37,2) 2,53 [0,66; 9,73] 0,165 3 (75,0) 32 (38,1) 4,87 [0,48; 48,89] 0,297ɸ 0 (0) 35 (39,8) ND - - 0 (0) 35 (39,8) ND - -
4 (40,0) 49 (62,8) 1 (25,0) 52 (61,9) 0 (0) 53 (60,2) 0 (0) 53 (60,2)
155
156
APÊNDICE L – Detecção de HPV e N. gonorrhoeae em amostras clínicas por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação
com o perfil clínico de mulheres com endometriose (caso) e sem endometriose (controle), São Paulo – SP, 2014.2
– 2015.1.
Variáveis
Distribuição (%) entre casos e controles - Amostra por Microrganismo
HPV N. gonorrhoeae
Swab endocervical Fluido peritoneal Biópsia de tecido Swab endocervical
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
Dismenorreia, n (%)
≥ 7
< 7
5 (100) 55 (67,9) 0,98 [0,84; 0,98] 0,317ɸ 4 (100) 43 (66,2) 0,91 [0,83; 0,99] 0,299ɸ 1 (50,0) 59 (68,6) 0,45 [0,02; 7,59] 0,538ɸ 1 (50,0) 62 (68,9) 0,45 [0,02; 7,48] 0,533ɸ
0 (0) 26 (32,1) 0 (0) 22 (33,8) 1 (50,0) 27 (31,4) 1 (50,0) 28 (31,1)
Dor pélvica cíclica, n (%)
≥ 7
< 7
4 (80,0) 31 (38,3) 6,45 [0,68; 60,39] 0,153ɸ 3 (75,0) 23 (35,4) 5,47 [0,53; 55,72] 0,147ɸ 0 (0) 33 (38,4) 1,03 [0,98; 1,09] 0,526ɸ 1 (50,0) 35 (38,9) 1,57 [0,09; 25,94] 1,000ɸ
1 (20,0) 50 (61,7) 1 (25,0) 42 (64,6) 2 (100) 53 (61,6) 1 (50,0) 55 (61,1)
Dispareunia, n (%)
≥ 7
< 7
3 (75,0) 29 (35,8) 5,37 [0,53; 54,10] 0,148ɸ 2 (66,7) 29 (44,6) 2,48 [0,21; 28,76] 0,588ɸ 0 (0) 35 (41,2) 1,04 [0,98; 1,09] 0,513ɸ 1 (50,0) 36 (40,4) 1,47 [0,08; 24,30] 1,000ɸ
1 (25,0) 52 (64,2) 1 (33,3) 36 (55,4) 2 (100) 50 (58,8) 1 (50,0) 52 (59,6)
Alt. Intest. cíclicas, n (%)
≥ 7
< 7
2 (40,0) 17 (20,7) 2,54 [0,39; 16,49] 0,299ɸ 2 (50,0) 15 (23,1) 3,33 [0,43; 25,71] 0,252ɸ 0 (0) 20 (23,0) 1,03 [0,98; 1,07] 1,000ɸ 1 (50,0) 19 (20,9) 3,78 [0,22; 63,41] 0,386ɸ
3 (60,0) 65 (79,3) 2 (50,0) 50 (76,9) 2 (100) 67 (77,0) 1 (50,0) 72 (79,1)
Alt. Urin. cíclicas, n (%)
≥ 7
< 7
2 (40,0) 9 (11,0) 5,40 [0,79; 36,82] 0,118ɸ 1 (25,0) 10 (15,4) 1,83 [0,17; 19,44] 0,509ɸ 0 (0) 12 (13,8) 1,02 [0,99; 1,06] 1,000ɸ 0 (0) 12 (13,2) 1,02 [0,99; 1,06] 1,000ɸ
3 (60,0) 73 (89,0) 3 (75,0) 55 (84,6) 2 (100) 75 (86,2) 2 (100) 79 (86,8)
Infertilidade, n (%)
Sim
Não
1 (20,0) 34 (43,0) 0,33 [0,03; 3,09] 0,396ɸ 1 (25,0) 25 (39,1) 0,52 [0,05; 5,28] 1,000ɸ 0 (0) 34 (40,0) 1,03 [0,98; 1,09] 0,518ɸ 0 (0) 36 (40,4) 1,03 [0,98; 1,09] 0,515ɸ
4 (80,0) 45 (57,0) 3 (75,0) 39 (60,9) 2 (100) 51 (60,0) 2 (100) 52 (59,6)
156
157
APÊNDICE L – Detecção de HPV e N. gonorrhoeae em amostras clínicas por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação
com o perfil clínico de mulheres com endometriose (caso) e sem endometriose (controle), São Paulo – SP, 2014.2 –
2015.1.
Nota 1: Amostras de Swab HPV – Perda de observação: 1Dismenorreia: perda de 18 (n = 86); 2Dos pélvica cíclica: perda de 18 (n = 86); 3Dispareunia: perda
de 19 (n = 85); 4Alterações intestinais cíclicas: perda de 17 (n = 87); 5Alterações urinárias cíclicas: perda de 17 (n = 87); 6Infertilidade: perda de 20 (n = 84).
Nota 2: Amostras de Swab N. gonorrhoeae – Perda de observação: 1Dismenorreia: perda de 12 (n = 92); 2Dos pélvica cíclica: perda de 12 (n = 92); 3Dispareunia:
perda de 13 (n = 91); 4Alterações intestinais cíclicas: perda de 11 (n = 93); 5Alterações urinárias cíclicas: perda de 11 (n = 93); 6Infertilidade: perda de 14 (n =
90).
Nota 3: Amostras de Fluido Peritoneal – Perda de observação: 1Dismenorreia: perda de 35 (n = 69); 2Dos pélvica cíclica: perda de 35 (n = 69); 3Dispareunia:
perda de 36 (n = 68); 4Alterações intestinais cíclicas: perda de 35 (n = 69); 5Alterações urinárias cíclicas: perda de 35 (n = 69); 6Infertilidade: perda de 36 (n =
68).
Nota 4: Amostras de Tecido de Biópsia – Perda de observação: 1Dismenorreia: perda de 16 (n = 88); 2Dos pélvica cíclica: perda de 16 (n = 88); 3Dispareunia:
perda de 17 (n = 87); 4Alterações intestinais cíclicas: perda de 15 (n = 89); 5Alterações urinárias cíclicas: perda de 15 (n = 89 ); 6Infertilidade: perda de 17 (n =
87);
*Significância estatística quando p < 0,05
*Teste de Chi-quadrado
ɸ Teste de Fisher
157
158
APÊNDICE M – Detecção de Mollicutes em amostras de swab endocervical por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação
com o estadiamento e tipo de endometriose.
Nota: Perda de observação: 1ASRM estágio: perda de 27 (n = 71); 2Tipo de EDT: perda de 3 (n = 97)
*Significância estatística quando p < 0,05
† Teste de Qui-quadrado
¥ Razão de Verossimilhança
ND: Não definida
Variáveis
Distribuição (%) entre qPCR-positivo e negativo por microrganismo para amostras de swab endocervical
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
ASRM estádio, n (%)1
I e II
III e IV
7 (70,0) 30 (49,2) 2,41 [0,57; 10,20] 0,222† 17 (54,8) 20 (50,0) 1,21 [0,474; 3,11] 0,686 4 (66,7) 33 (50,8) 1,93 [0,33; 11,33] 0,456† 6 (60,0) 31 (50,8) 1,45 [0,37; 5,66] 0,590†
3 (30) 31 (50,8) 14 (45,2) 20 (50,0) 2 (33,3) 32 (49,2) 4 (40,0) 30 (49,2)
Tipo de Endom, n (%)2
Sem Endometriose
Peritoneal
Ovariana
Profunda
3 (23,1) 24 (28,6) 1,00 0,884¥ 11 (26,8) 16 (28,6) 1,00 0,977¥ 1 (14,3) 26 (28,9) 1,00 0,305¥ 6 (37,5) 21 (25,9) 1,00 0,851¥
3 (23,1) 12 (14,3) ND -- 7 (17,1) 8 (14,3) 0,78 [0,22; 2,80] 3 (42,9) 12 (13,3) 0,15 [0,01; 1,63] 2 (12,5) 13 (16,0) 1,86 [0,33; 10,61]
0 (0) 2 (2,4) 1,64 [0,36; 7,32] 1 (2,4) 1 (1,8) 0,68 [0,03; 12,20] 0 (0) 2 (2,2) ND -- 0 (0) 2 (2,5) ND --
7 (53,8) 46 (54,8) 2,00 [0,35; 11,43] 22 (53,7) 31 (55,4) 0,96 [0,37; 2,48] 3 (42,9) 50 (55,6) 0,64 [0,06; 6,47] 8 (50,0) 45 (55,6) 1,60 [0,49; 5,22]
158
159
APÊNDICE N – Detecção de Mollicutes em amostras de fluido peritoneal por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação
com o estadiamento e tipo de endometriose.
Nota: Perda de observação: 1ASRM estágio: perda de 24 (n = 54)
*Significância estatística quando p < 0,05
† Teste de Qui-quadrado
¥ Razão de Verossimilhança
ND: Não definida
Variáveis
Distribuição (%) entre qPCR-positivo e negativo por microrganismo para amostras de Fluido Peritoneal
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
ASRM estádio, n (%)1
I e II
III e IV
13 (59,1) 15 (46,9) 1,63 [0,56; 4,90] 0,377† 11 (73,3) 17 (43,6) 3,55 [0,96; 13,16] 0,050 2 (100) 26 (50,0) ND - - 0 (0) 28 (51,9) ND - -
9 (40,9) 17 (53,1) 4 (26,7) 22 (56,4) 0 (0) 26 (50,0) 0 (0) 26 (48,1)
Tipo de Endom, n (%)
Sem Endometriose
Peritoneal
Ovariana
Profunda
5 (18,5) 19 (37,3) 1,00 0,325¥ 4 (21,1) 20 (33,9) 1,00 0,189¥ 0 (0) 24 (31,6) ND - - 0 (0) 24 (30,8) ND - -
5 (18,5) 5 (9,8) 0,26 [0,05; 1,28] 5 (26,3) 5 (8,5) 0,20 [0,03; 1,03] 1 (50,0) 9 (11,8) 0 (0) 10 (12,8)
0 (0) 2 (3,9) ND -- 1 (5,3) 1 (1,7) 0,20 [0,01; 3,90] 0 (0) 2 (2,6) 0 (0) 2 (2,6)
17 (63,0) 25 (49,0) 0,38 [0,12; 1,23] 9 (47,4) 33 (55,9) 0,73 [1,99; 2,69] 1 (50,0) 41 (53,9) 0 (0) 42 (53,8)
159
160
APÊNDICE O – Detecção de Mollicutes em amostras de tecido de biópsia por meio da PCR em tempo real (qPCR) e sua relação
com o estadiamento e tipo de endometriose.
Nota: Perda de observação: 1ASRM estágio: perda de 06 (n = 98)
*Significância estatística quando p < 0,05
† Teste de Qui-quadrado
¥ Razão de Verossimilhança
ɸ Teste de Fisher
ND: Não definida
Variáveis
Distribuição (%) entre qPCR-positivo e negativo por microrganismo para amostras de tecido de biópsia
M. genitalium M. hominis U. urealyticum U. parvum
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
qPCR
Positivo
qPCR
Negativo
OR IC 95% p*
ASRM estádio, n (%)1
I e II
III e IV
2 (18,2) 28 (32,2) 0,46 [0,09; 2,31] 0,342† 0 (0) 30 (31,9) 1,06 [1,00; 1,12] 0,309ɸ 0 (0) 30 (30,6) ND - - 0 (0) 30 (30,6) ND - -
9 (81,8) 59 (67,8) 4 (100) 64 (68,1) 0 (0) 68 (69,4) 0 (0) 68 (69,4)
Tipo de Endom, n (%)2
Sem Endometriose
Peritoneal
Ovariana
Profunda
2 (18,2) 28 (32,2) 1,00 0,244¥ 0 (0) 30 (31,9) 1,00 - - 0 (0) 30 (30,6) 1,00 - - 0 (0) 30 (30,6) 1,00 - -
3 (27,3) 11 (12,6) 0,26 [0,03; 1,78] 1 (25,0) 13 (13,8) ND - 0 (0) 14 (14,3) ND - 0 (0) 14 (14,3) ND -
1 (9,1) 1 (1,1) 0,07 [0,003; 1,61] 0 (0) 2 (2,1) ND - 0 (0) 2 (2,0) ND - 0 (0) 2 (2,0) ND -
5 (45,5) 47 (54,0) 0,67 [0,12; 3,69] 3 (75,0) 49 (52,1) ND - 0 (0) 52 (53,1) ND - 0 (0) 52 (53,1) ND -
160
161
ANEXO A – Parecer 1170/CEPSH
162
ANEXO B – Parecer AVAP GBC260
163
ANEXO C – Parecer nº 550.484
164
165
ANEXO D – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Universidade de São Paulo
Instituto de Ciências Biomédicas
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
ESTUDO: Avaliação da participação dos Mollicutes e outros microrganismos de interesse genital
na endometriose humana
Você está sendo convidado (a) a participar do projeto de pesquisa acima citado. O documento
abaixo contém todas as informações necessárias sobre a pesquisa que estamos fazendo. Sua
colaboração neste estudo será de muita importância para nós, mas se desistir a qualquer
momento, isso não causará nenhum prejuízo a você.
Eu, _________________________________________________________________, pr ofissão
_____________________, residente e domiciliado na
___________________________________________________________, portador da Cédula
de identidade, RG ___________________________, e inscrito no
CPF/MF______________________________ nascido(a) em _____ / _____ /_______ , abaixo
assinado(a), concordo de livre e espontânea vontade em participar como voluntário(a) do estudo
“Avaliação da participação dos Mollicutes e outros microrganismos de interesse genital
na endometriose humana ”. Declaro que obtive tod as as informações necessárias, bem como
todos os eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas.
Estou ciente que:
I) O estudo se faz necessário para que se possam descobrir as possíveis causas da
doença denominada endometriose a ser estuda da no projeto “Avaliação da
participação dos Mollicutes e outros microrganismos de interesse genital na
endometriose humana”;
II) Serão coletadas amostras de líquido intraperitoneal (fluido na cavidade formada entre as
camadas de peritônio que revestem as alça s intestinais) biópsia de lesão do peritônio
pélvico (procedimento cirúrgico no qual se colhe uma amostra de tecidos ou células para
posterior estudo em laboratório).
III) A participação neste projeto não tem objetivo de me submeter a um tratamento, bem
como não me acarretará qualquer despesa financeira com relação aos procedimentos
médico-clínico-terapêuticos efetuados no estudo;
IV) Tenho a liberdade de desistir ou de interromper a colaboração neste estudo no momento
em que desejar, sem necessidade de qualquer explicação;
V) A desistência não causará nenhum prejuízo à minha saúde ou bem estar físico. Não virá
interferir no atendimento ou tratamento médico;
VI) Os resultados obtidos durante este ensaio serão mantidos em sigilo, mas concordo que
sejam divulgados em publicações científicas, desde que meus dados pessoais não
sejam mencionados;
VII) Caso eu desejar, poderei pessoalmente tomar conhecimento dos resultados, ao final
desta pesquisa.
( ) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
( ) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
166
VIII) Concordo que o material possa ser utilizado em outros projetos desde que autorizado
pela Comissão de Ética deste Instituto e pelo responsável por esta pesquisa. Caso minha
manifestação seja positiva, poderei retirar essa autorização a qualquer momento sem
qualquer prejuízo para mim.
( ) Sim ou ( ) Não
IX ) Poderei contatar a Secretaria da Comissão de Ética em Pesquisa com Seres Humanos –
ICB/USP -, no Fone 3091.7733 (e-mail:
[email protected]) ou (11 3091-7297
[email protected])
para recursos ou reclamações em relação ao presente estudo.
X) O sujeito de pesquisa ou seu representante, quando for o caso, deverá rubricar todas as
folhas do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE - apondo sua assinatura na última
página do referido Termo.
XI) O pesquisador responsável deverá da mesma forma, rubricar todas as folhas do Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE– apondo sua assinatura na última página do
referido Termo.
XII) Resolução 196/96 - Estou recebendo uma cópia deste Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido.
São Paulo, de de 20____
( ) Paciente / ( ) Responsável ........................................................................................... ........
Testemunha 1: _______________________________________________
Nome / RG / Telefone:
Testemunha 2: ___________________________________________________
Nome / RG / Telefone:
Responsável pelo Projeto: _____________________________________________________
PROF. DR. JORGE TIMENETSKY
167
ANEXO E – Escala Analógica de Dor (EAD)
A Escala Visual Analógica da Dor – EAD consiste em auxiliar na aferição da intensidade da dor no
paciente, é um instrumento importante para verificarmos a evolução do paciente durante o
tratamento e mesmo a cada atendimento, de maneira ma is fidedigna. Também é útil para
podermos analisar se o tratamento está sendo efetivo, quais procedimentos têm surtido melhores
resultados, assim como se há alguma deficiência no tratamento, de acordo com o grau de melhora
ou piora da dor.
A EAD pode ser utilizada no início e no final de cada atendimento, registrando o resultado sempre
na evolução. Para utilizar a E AD o atendente deve questionar o paciente quanto ao seu grau de
dor sendo que 0 significa ausência total de dor e 10 o nível de dor máxima suportável pelo
paciente.
Dicas sobre como interrogar o paciente:
Você tem dor?
Como você classifica sua dor? (deixe ele falar livremente, faça observações na pasta
sobre o que ele falar)
Questione-o:
a) Se não tiver dor, a classificação é zero.
b) Se a dor for moderada, seu nível de referência é cinco.
c) Se for intensa, seu nível de referência é dez.
OBS.: Procure estabelecer variações de melhora e piora na escala acima tomando cuidado para
não sugestionar o paciente.
168
ANEXO F – Questionário de dados clínicos do Setor de Endometriose do
Hospital das Clínicas
Dados Clínicos da Paciente
Esta ficha se trata de algumas questões sobre aspectos de sua vida,
principalmente relacionadas à sua saúde. Pedimos, por favor, que tente
responder da melhor maneira possível, pois essas informações nos ajudarão a
solucionar muitas dúvidas sobre o diagnóstico e o tratamento de doenças,
como por exemplo, a Endometriose
Data ____/ ____ /____ Médico: _ Registro:
Em qual dia de seu ciclo menstrual você estará no dia da cirurgia?
OU quando foi a sua ultima menstruação antes da cirurgia?
_____________________
( ) Não sei.
( ) Nenhum – Motivo:_________________
Dados Pessoais:
Nome: _
Data de Nascimento: ____/ ____ /____ ( ___ anos)
Altura:________ Peso: ________
Raça: ( ) Branca ( ) Negra ( ) Amarela ( ) Parda
Estado Civil: ( ) Solteira ( ) Estável – casada ou amasiada ( ) Viúva (
) Separada
Grau de Instrução: ( ) Nenhum ( ) Primeiro Grau ( ) Segundo Grau
( ) Superior
Endereço (Rua, Número, Cidade, CEP):
______________________________________.
____________________________________
________.
Telefone para contato: ( ) _ - . ou ( ) _ - .
E-mail: __ .
169
Antecedentes:
1) Você tem, ou teve alguma doença na sua vida? (Independente da
doença atual)
( ) Não ( ) Sim Se sim, qual
(quais)?________________________________
2) Você realiza atividade física regular(*)?
( ) Não ( ) Sim
3) Você fuma?
( ) Não ( ) Não mais. ( ) Sim, _____ cigarros por dia
4) Você já passou por alguma cirurgia por Endometriose?
( ) Não ( ) Sim Se sim, quantas? ________
5) Você já passou por alguma outra cirurgia no abdômen?
( ) Não ( ) Sim Se sim, quantas? _____ // E quais? __________
______________________________________________________
_
6) Você toma, ou tomou, nos últimos 3 meses, algum dos
medicamentos abaixo?
( ) Não ( )Anticoncepcional Oral ( )Zoladex ( )Lupron
( )Mirena
( )Evra ( )Depoprovera ( )Farlutal ( )Dimetrose
( ) Nuvaring
( )Provera ( )Primolut-nor ( )Cerazette ( )Outros:
_______________
(*) Exercícios com duração de 30 minutos, com freqüência
de no mínimo 3 vezes por semana.
170
7) Você sabe de algum caso de Endometriose na sua família?
( ) Não ( ) Sim Se sim, quem? (grau de parentesco)
____________________
8) Seu ciclo menstrual é regular?
( ) Não ( ) Sim ____ dias de menstruação // ____ dias de
intervalo.
9) Você considera seu fluxo: ( ) Diminuído; ( ) Normal ou ( )
Aumentado?
10) Com quantos anos você menstruou pela primeira vez? ____
anos.
11) Você utiliza, ou utilizou na vida, algum Método
Anticoncepcional Prévio?
( ) Não ( ) Comportamental ( ) Perlutan/Mesygina ( ) Diu
(simples) ( ) Evra
( ) Camisinha ( ) Depo-provera ( ) Mirena ( ) Pílula ( ) Nuvaring
12) Você já engravidou alguma vez?
( ) Não ( ) Sim Se sim, quantas delas foram:
Partos Normais ___ Partos Cesárea____
Abortos____ Gravidez Ectópica_____
171
A) Você sente cólicas menstruais?
( ) Não
( ) Sim, e não necessita de medicação. [Escala de dor n°___ ]
( ) Sim, e necessita de medicação para alivia-las. [Escala de dor n°___ ]
( ) Sim, e necessita de medicação para alivia-las, no entanto não melhoram. [Escala de dor
n°__ ]
( ) Sim, e necessita de medicação, no entanto elas não melhoram e já precisou ir ao Pronto
Socorro, ou faltar ao trabalho em decorrência das mesmas. [Escala de dor n°___ ]
B) Você sente cólicas que não apresentam relação nenhuma com
o seu ciclo menstrual, e que não melhoram mesmo tomando
analgésicos?
( ) Não
( ) Sim, e não necessita de medicação. [Escala de dor n°___]
( ) Sim, e necessita de medicação para alivia-las. [Escala de dor n°___]
( ) Sim, e necessita de medicação para alivia-las, no entanto não melhoram. [Escala de
dor n°__]
( ) Sim, e necessita de medicação, no entanto elas não melhoram e já precisou ir ao
Pronto Socorro, ou faltar ao trabalho em decorrência das mesmas. [ Escala de dor n°___]
Quadro Clínico:
1) Se você possui sintomas, cite o que você consideraria o principal
deles, e por quanto tempo este a perturba:
______________________ // ____ anos.
2) Baseado na seguinte escala visual analógica de dor:
Responda sobre os seguintes sintomas.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Sem dor Pior dor
existente
172
C) Você sente dor na relação sexual?
( ) Não
( ) Na penetração.
( ) De profundidade (Dor no fundo da vagina). [Escala de dor n°___ ]
D) Você sente alterações intestinais relacionadas com a
menstruação?
( ) Não ( ) Dor, [Escala de dor n°___ ] ( ) Sangramento
( )Intestino Solto ( )Intestino Preso
( ) Outros: ______________
E) Você sente alterações urinárias relacionadas com a
menstruação?
( ) Não ( ) Dor, [Escala de dor n°___ ]
( ) Sangramento ( ) Aumento da freqüência
( ) Outros, _______________
3) Em relação a sua fertilidade, você:
( ) Nunca conseguiu engravidar.
( ) Possui filhos, mas atualmente não consegue engravidar.
( ) Não tenta engravidar (não tem vida sexual ativa, usa método
anticoncepcional, etc.)
( ) Já possui filhos, e não deseja mais engravidar.
4) Se não consegue engravidar, isso se deve à:
( ) Motivo desconhecido ( ) Fator Masculino ( ) Tubário
( ) Insuficiência Ovariana ( ) Outros Ovulatórios ( ) Outros:
_____
5) Você já fez algum tratamento para engravidar?
( ) Não ( ) Indução Ovulatória
( ) Inseminação Intra-uterina ( ) Fertilização In Vitro