{"paper_id":"cd223a9e-a805-4d60-badd-9db5d226bcc9","body_text":"A INFLUÊNCIA DA\nNUTRIÇÃO NO MANEJO DA\nENDOMETRIOSE: UMA\nREVISÃO INTEGRATIVA DA\nLITERATURA SOBRE\nINFLAMAÇÃO, SINTOMAS E\nQUALIDADE DE VIDA\nTHE INFLUENCE OF NUTRITION ON ENDOMETRIOSIS MANAGEMENT: AN\nINTEGRATIVE LITERATURE REVIEW ON INFLAMMATION, SYMPTOMS, AND\nQUALITY OF LIFE\nCiências da Saúde15/10/2026\nREGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/791995069\n•\nIS S N  29 6 5-6 6 7 2 | Q u a lis A2\n\nKetllen Adriana da Silva Brasil1\nPatrícia Cristine de Carvalho Brasil2\nMarcileide Morais da Silva3\nRonildo Oliveira Figueiredo4\nNayara Silva de Oliveira5\n\nRESUMO\nA endometriose é uma doença crônica inflamatória e estrogênio\ndependente caracterizada pela presença de epitélio e/ou estroma\nsemelhante ao endométrio fora do endométrio ou miométrio,\ngeralmente associado ao processo inflamatório. O objetivo deste\nartigo foi analisar a influência da nutrição no manejo da\nendometriose, investigando seus impactos sobre os processos\ninflamatórios, a modulação dos sintomas dolorosos e a possível\nrelação com a qualidade de vida das pacientes. Trata-se de uma\nrevisão integrativa da literatura realizada entre janeiro e março de\n2026, nas bases MEDLINE/PubMed, LILACS, SciELO e ScienceDirect.\nForam incluídos artigos científicos originais e revisões sistemáticas\n(2021–2026). Cinco estudos compuseram o corpus final de análise\nque defendem a terapia nutricional personalizada como uma\nabordagem complementar ao tratamento clínico-cirúrgico\nconvencional.\nPalavras-chave: Endometriose; Terapia Nutricional; Inflamação;\nDieta Anti-inflamatória; Qualidade de Vida.\nABSTRACT\nEndometriosis is a chronic, inflammatory, and estrogen-dependent\ndisease characterized by the presence of endometrium-like\nepithelium and/or stroma outside the endometrium or\nmyometrium, typically associated with an inflammatory process.\nThis article aimed to analyze the influence of nutrition on\nendometriosis management by investigating its impact on\ninflammatory processes, the modulation of pain symptoms, and the\npotential relationship with patients' quality of life. This study is an\nintegrative literature review conducted between January and March\n2026 using the MEDLINE/PubMed, LILACS, SciELO, and\nScienceDirect databases. Original scientific articles and systematic\n\nreviews (2021–2026) were included. Five studies comprised the final\nanalysis corpus, advocating for personalized nutritional therapy as a\ncomplementary approach to conventional clinical and surgical\ntreatment.\nKeywords: Endometriosis; Nutritional Therapy; Inflammation; Anti-\ninflammatory Diet; Quality of Life.\n1. INTRODUÇÃO\nA endometriose é uma afecção ginecológica crônica, inflamatória e\nestrogênio-dependente, definida pela presença e proliferação de\nestroma e glândulas endometriais fora da cavidade uterina\n(Arowojobi et al., 2022). O acometimento ocorre\npredominantemente no peritônio pélvico, ovários, ligamentos\nuterossacros e septo retovaginal, podendo atingir órgãos\nextrapélvicos como o trato gastrointestinal e o sistema urinário\n(Barnard et al., 2023). Estima-se que a doença afete cerca de 10% da\npopulação feminina em idade reprodutiva globalmente, o que\nequivale a mais de 190 milhões de mulheres no mundo e\naproximadamente sete milhões no Brasil (World Health\nOrganization, 2023).\nClinicamente, manifesta-se por um quadro sintomatológico\nheterogêneo, cujos sintomas cardinais incluem a dismenorreia\nsecundária, dor pélvica crônica não menstrual, dispareunia de\nprofundidade, disquesia, disúria e infertilidade (Svanberg et al.,\n2024). O atraso no diagnóstico — de sete a 10 anos — associado à\nintensidade da dor acarreta elevado impacto na produtividade e na\nsaúde mental das pacientes (Santos et al., 2023).\n\nA patogênese envolve mecanismos de disfunção imune,\nangiogênese e alteração na sinalização hormonal (Nursaalam et al.,\n2024). O ambiente peritoneal apresenta concentrações elevadas de\ncitocinas pró-inflamatórias, como o Fator de Necrose Tumoral Alfa\n(TNF- α ), Interleucina-1 beta (IL-1 β ), Interleucina-6 (IL-6) e Interleucina-\n8 (IL-8), associadas a uma maior produção de Espécies Reativas de\nOxigênio (ERO) (Mallard et al., 2022). A IL-6 e IL-8, possuem um papel\nrelevante na regulação de vários processos fisiológicos e patológicos,\npara não provocar respostas inflamatórias, especialmente as\nrelacionadas com a inflamação crônica – que podem contribuir para\no desenvolvimento de doenças crônicas como o câncer (Ma et al.,\n2017). Em especial, a interleucina-8, é muito reconhecida pelo seu\npapel quimiotático no processo inflamatório (Freire et al., 2022).\nA abordagem terapêutica tradicional fundamenta-se no bloqueio\nhormonal e na ressecção cirúrgica (Eshre, 2022). No entanto, tais\nintervenções possuem limitações ligadas a efeitos colaterais e taxas\nde recorrência dos sintomas (Abraham et al., 2023). Nesse contexto, a\nmodificação do estilo de vida e a conduta nutricional estratégica\nvêm sendo investigadas como ferramentas adjuvantes no manejo\nclínico (Svaldi et al., 2025).\nPadrões alimentares ricos em gorduras saturadas, gorduras trans e\naçúcares refinados associam-se ao aumento de marcadores de\ninflamação sistêmica (Mallard et al., 2022). Em contrapartida, dietas\nricas em fitoquímicos, antioxidantes, ácidos graxos poli-insaturados\nômega-3 e fibras, demonstram potencial para atenuar vias\ninflamatórias e favorecer a eubiose intestinal (Barnard et al., 2023).\nDiante do volume de dados sobre o tema, justifica-se a realização\ndeste estudo para organizar e analisar criticamente as evidências\n\ncientíficas. O objetivo deste artigo é analisar a influência da nutrição\nno manejo da endometriose, investigando seus impactos sobre os\nprocessos inflamatórios, a modulação dos sintomas dolorosos e a\npossível relação com a qualidade de vida das pacientes, com base\nem evidências publicadas entre 2021 e 2026 em periódicos\nindexados.\n2. METODOLOGIA\nTrata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), método que\nse utiliza da síntese de resultados de uma pesquisa relacionados a\ndeterminado tema, alcançando assim maior objetividade,\norganização e abrangência de informações, para ampliar a\ncompreensão a respeito do tema.\nA metodologia foi estruturada em seis etapas: 1) formulação da\npergunta de pesquisa; 2) amostragem e busca na literatura; 3)\ncategorização dos estudos; 4) avaliação metodológica e risco de viés;\n5) interpretação dos resultados; e 6) síntese do conhecimento\n(Soares et al., 2015).\nA pergunta de pesquisa foi estruturada por meio do acrônimo PICO,\nconforme Quadro 1:\nQuadro 1. Estruturação da Pesquisa\nP (População): I\n(Intervenção):\nC\n(Comparação):\nO (Desfecho /\nOutcome):\n\nFonte: Elaborado pelas autoras, 2026.\nDessa maneira, apresenta-se a pergunta de pesquisa: \"Qual a\neficácia das intervenções dietéticas na redução dos marcadores\ninflamatórios, no alívio da dor pélvica e na melhora da qualidade de\nvida em mulheres com endometriose?\"\nA busca bibliográfica foi realizada nas bases MEDLINE/PubMed,\nSciELO, LILACS e ScienceDirect. Utilizaram-se os descritores\nDeCS/MeSH combinados com os operadores booleanos AND e OR:\n(endometriose OR endometriosis) AND (nutrição OR nutrition OR\ndieta OR diet OR alimentação OR \"dietary intervention\"OR\n\"intervenção dietética\" OR nutrientes OR nutrients) AND (inflamação\nOR inflammation OR \"marcadores inflamatórios\" OR \"inflammatory\nmarkers\" OR sintomas OR symptoms OR \"dor pélvica\" OR \"pelvic\npain\" OR \"qualidade de vida\" OR \"quality of life\").\nPara a pesquisa na plataforma ScienceDirect foram utilizados\napenas sete termos de pesquisa em inglês, devido o campo de\npesquisa só permitir esse quantitativo, sendo: “endometriosis AND\nnutrition AND diet AND inflammation AND dietary intervention AND\npelvic pain AND quality of life”.\n2.1. Critérios de Inclusão e Exclusão\nMulheres\ndiagnosticadas\ncom\nendometriose\nem idade\nreprodutiva\nIntervenções\nnutricionais,\nabordagens\ndietéticas\nespecíficas\nDieta habitual,\nplacebo ou\nintervenções\nnutricionais\nconvencionais/n\não\npadronizadas.\nModulação de\nmarcadores\ninflamatórios,\nalteração nos\nescores de dor\npélvica e impacto\nnos índices de\nqualidade de vida.\n\nForam incluídos: 1) Estudos primários (ensaios clínicos\nrandomizados, estudos de coorte, caso-controle) e revisões\nsistemáticas/meta-análises; 2) Publicações nos idiomas português e\ninglês; e 3) Artigos indexados no recorte temporal de 2021 a 2026.\n2.2. Avaliação da Qualidade Metodológica e Risco de Viés\nA qualidade dos estudos primários foi avaliada utilizando a\nferramenta Cochrane Risk of Bias (RoB 2), para ensaios clínicos\nrandomizados e a escala Newcastle-Ottawa Scale (NOS) para\nestudos observacionais. As revisões sistemáticas foram avaliadas\npelo instrumento AMSTAR 2. Estudos com elevado risco de viés ou\nfragilidade metodológica crítica foram desconsiderados na\ncomposição da amostra final de cinco artigos.\n2.3. Fluxograma do Processo de Seleção dos Estudos (Adaptado\ndo Prisma)\nA Figura 1 apresenta o fluxo de seleção dos estudos utilizados na\nrevisão integrativa da literatura, demonstrando as etapas de\nidentificação, triagem e inclusão dos artigos.\nFigura 1. Fluxograma de processos de seleção dos estudos\n\nO Science Direct foi a Plataforma que mais trouxe resultados\nquando aplicado os termos de pesquisa, no período compreendido,\nsendo de 99 resultados. Porém, devido a necessidade de se resumir\nos achados, foram utilizados apenas os anos de 2025 e 2026, do qual\nem 2025 foi achado 11 resultados e em 2026 foram 35 achados,\ntotalizando 46 trabalhos encontrados. Foi aproveitado apenas um de\ncada ano, ou seja, dois artigos. Os trabalhos de 2026 e 2025 que\nforam excluídos em sua maioria foi devido ao foco do estudo estar\nmais voltados para remédios e suplementação e o foco era dieta\nanti-inflamatória e seus benefícios.\nNa plataforma PubMed, 14 artigos foram analisados, dentro do\nperíodo estipulado. Desse quantitativo, três artigos estavam\nalinhados ao objetivo proposto neste trabalho e 11 foram excluídos,\nsendo cinco voltados para remédios e seis voltados para\nsuplementação.\nNa plataforma ScIELO, com os termos utilizados para a pesquisa, não\nforam encontrados resultados no período de 2021 a 2026. Foi\nFonte: Elaborado pelas autoras, 2026.\n\nencontrado somente uma pesquisa de 2015, por este motivo, essa\nplataforma não foi utilizada na pesquisa. Além disso, o sistema\nLILACS foi consultado e ao buscar os termos o sistema apresentou\nerros de leitura.\n3. RESULTADOS E DISCUSSÕES\nA síntese dos cinco estudos selecionados está categorizada e\nseguida de uma análise crítica sobre os achados.\n3.1. Caracterização dos Estudos Incluídos\nO Quadro 2 apresenta a totalidade dos cinco artigos incluídos na\nrevisão integrativa, discriminados por título, autores/ano, país de\nregistro, base de dados, período, objetivo, metodologia e principais\nresultados.\nQuadro 2. Artigos selecionados\nN1: Título: Ensaio Clínico: Efeito de\numa dieta com baixo teor de\nFODMAP durante 28 dias nos\nsintomas gastrointestinais\nassociados à endometriose\n(EndoFOD) - Um estudo cruzado,\nrandomizado e controlado de\nalimentação\nAutores: Varney JE, So D, Gibson PR,\nRhys-Jones D, Lee YSJ, Fisher J, Moore\nJS, Ratner R, Morrison M, Burgell RE,\nMuir JG\nAno de Publicação: 2025\nTipo: Ensaio clínico\nBase de Dados: PUBMED\n\nPaís de Registro: Austrália e Nova Zelândia\nPeriódico: Aliment Pharmacol Ther\nObjetivo: Comparar os efeitos de uma dieta de 28 dias com baixo teor de\noligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis   \n(FODMAP) ou uma dieta controle na gravidade dos sintomas\ngastrointestinais em indivíduos com endometriose e sintomas\ngastrointestinais mal controlados.\nMétodo: Neste ensaio clínico cruzado, randomizado e controlado, com\ncegamento simples, randomizamos mulheres com idade ≥  18 anos para 28\ndias de uma dieta com baixo teor de FODMAPs (< 5 g/dia de FODMAPs) ou\numa dieta controle (20 g/dia de FODMAPs), ambas baseadas nas Diretrizes\nAlimentares Australianas, antes de um período de washout de ≥  28 dias e\nposterior transição para a dieta alternativa. O desfecho primário foi a\nproporção de respondedoras, definida pela melhora dos sintomas\ngastrointestinais gerais em uma escala visual analógica de 100 mm. Os\ndesfechos secundários incluíram sintomas gastrointestinais, qualidade de\nvida e estado psicológico.\nPrincipais resultados e Recomendações: Das 35 mulheres randomizadas\n(idade média de 31 anos; intervalo de confiança de 95% de 29 a 33 anos), 21\n(60%) responderam à dieta com baixo teor de FODMAP, em comparação\ncom 9 (26%) à dieta controle (p = 0,008). Na 4ª semana da intervenção\ndietética, os escores gerais de sintomas foram de 35 (21 a 42) mm no grupo\nda dieta com baixo teor de FODMAP e de 58 (55 a 65) mm no grupo da\ndieta controle (p < 0,001). Dor abdominal, distensão abdominal,\nconsistência das fezes e qualidade de vida, tanto para sintomas\ngastrointestinais quanto para sintomas associados à endometriose, foram\nsignificativamente melhores no grupo da dieta com baixo teor de\nFODMAP em comparação com o grupo da dieta controle, mas não houve\nmelhora geral nos níveis de estresse percebido, ansiedade ou depressão.\nN2: Título: Uma dieta cetogênica\nmodificada com TCM\n(triglicerídeos de cadeia média)\ncomo adjuvante ao tratamento\npadrão pode aliviar os sintomas\nclínicos em mulheres com\nendometriose\nAutores: Fatemeh Naeini, Fatemeh\nDavari Tanha, Maryam Mahmoudi,\nAno de Publicação: 2025\n\nHastimansooreh Ansar, Mohammad\nJavad Hosseinzadeh-Attar\nTipo: Ensaio clínico randomizado\nBase de Dados: PUBMED\nPaís de Registro: Registro Iraniano de Ensaios Clínicos \nPeriódico: BMC Saúde da Mulher\nObjetivo: O objetivo do presente estudo foi examinar os efeitos da dieta\ncetogênica modificada com Triglicerídeos De Cadeia Média (TCM) como\nadjuvante ao tratamento padrão em mulheres com endometriose.\nMétodo: Este é um ensaio clínico randomizado e controlado com duração\nde 12 semanas, realizado com 50 pacientes com endometriose atendidas\nna clínica de infertilidade do complexo hospitalar Yas, em Teerã, Irã. As\nparticipantes foram alocadas aleatoriamente em dois grupos: um grupo\nde intervenção, que recebeu dieta cetogênica modificada com TCM mais\no tratamento padrão (n = 25), e um grupo controle, que recebeu apenas o\ntratamento padrão (n = 25). Os sintomas clínicos, parâmetros\nantropométricos, perfil lipídico e aminotransferases séricas foram\navaliados no início e no final do estudo. A análise estatística foi realizada\ncom o software SPSS versão 27, e um valor de p < 0,05 foi considerado\nestatisticamente significativo.\nPrincipais resultados e Recomendações: Ao final, 44 pacientes, incluindo\n19 indivíduos no grupo de intervenção e 25 no grupo controle, concluíram\no estudo. A dispareunia e a disquesia reduziram significativamente no\ngrupo da dieta cetogênica modificada com TCM em comparação ao\ngrupo controle ao final do estudo (P = 0,02 e P = 0,001, respectivamente).\nAlém disso, houve uma redução marginalmente significativa nos valores\nfinais de dor pélvica (P = 0,07). Contudo, não foram detectadas diferenças\nsignificativas nos valores finais dos índices antropométricos, incluindo\npeso, IMC e circunferência da cintura, níveis séricos de TG, CT, HDL-C, LDL-\nC e aminotransferases, incluindo ALT e AST.\nN3: Título: Eficácia de uma\nintervenção dietética anti-\ninflamatória e terapia cognitivo-\ncomportamental na\nendometriose: protocolo para\n\num ensaio clínico randomizado\ncontrolado\nAutores: Emma Huijs, Loutje van der\nSman, Lieke Wirken, Heidi Smj\nDelcliseur, Esther G. Inverno, Nicole M\nde Roos, Renate G van der Molen,\nJoukje M Oosterman, Paola Viganò,\nAndré W Horne, Marie-Madeleine\nDolmans, Janneke S Hoogstad-van\nEvert, Annemiek W Nap\nAno de Publicação: 2026\nTipo: Ensaio clínico randomizado controlado\nBase de Dados: PUBMED\nPaís da Produção: Holanda\nPeriódico: BMJ Open\nObjetivo: Este estudo foi concebido para investigar a eficácia de duas\nintervenções no estilo de vida e da combinação de ambas: uma\nIntervenção Dietética Anti-Inflamatória (IDAI) pode melhorar a função das\ncélulas imunológicas e reduzir a inflamação, resultando em melhor QVRS\ne alívio da dor.\nMétodo: O estudo Dor na Endometriose e sua Relação com o Estilo de\nVida (PEARL) é um ensaio clínico randomizado controlado com cinco\nbraços e um desenho fatorial pré-pós com dois fatores: uma Entrevista de\nInformática em Grupo (AIDI) e TCC. A população do estudo será composta\npor 250 mulheres na pré-menopausa, das quais 200 têm diagnóstico de\nendometriose e apresentam sintomas de dor, e 50 são Controles\nSaudáveis   (CS). As mulheres com endometriose serão recrutadas em um\nhospital universitário terciário e cinco hospitais secundários na Holanda.\nElas serão randomizadas (1:1:1:1) em quatro grupos de intervenção:\ncuidados padrão (CP) (grupo CP), CP e AIDI (grupo CP + AIDI), CP e TCC\n(grupo CP + TCC) e CP, AIDI e TCC (grupo CP + AIDI + TCC). As mulheres\ncom endometriose visitarão o hospital duas vezes durante o período de\nintervenção, no início (T0) e no final (T2) do período de intervenção de 13\nsemanas. O Grupo Controle (GC) não será submetido a nenhuma das\nintervenções e terá apenas uma consulta hospitalar (T0). As participantes\nresponderão a questionários sobre sintomas de dor, qualidade de vida\nrelacionada à saúde (QVRS), nível de atividade física, sono, qualidade da\ndieta, percepções sobre a dor e estresse nos momentos T0 e T2. Além\n\ndisso, elas serão instruídas a coletar efluente menstrual, swab vaginal e\namostra fecal. Durante as consultas de acompanhamento, serão coletadas\namostras de sangue periférico e de cabelo do couro cabeludo.\nPrincipais resultados e Recomendações: O desfecho primário é a dor\nmédia, mensurada por meio de uma escala numérica de classificação. Os\ndesfechos secundários focam na QVRS, inflamação, características do\nsistema imunológico, microbioma vaginal e intestinal e níveis de cortisol\nno cabelo. Considera-se que esses desfechos refletem os mecanismos\nsubjacentes ao efeito de ambas as intervenções sobre o desfecho primário.\nAs amostras biológicas e os questionários das mulheres com\nendometriose e do GC serão comparados para estabelecer as diferenças\nnos desfechos secundários.\nN4: Título: Adesão à dieta\nmediterrânea e sintomas de\nendometriose: implicações para\no manejo nutricional\nAutores: Raquel Alarco-Rosales, Laura\nMartín-Manchado, Miriam Sanchez-\nSansegundo, José Antonio Hurtado-\nSanchez, Antonio Manuel Moya-Yeste\ne, Ana Zaragoza-Martí\nAno de Publicação: 2026\nTipo: Artigo de Pesquisa\nBase de Dados: Science Direct\nPaís da Produção: Espanha\nPeriódico: Journal of Gynecology Obstetrics and Human Reproduction\nObjetivo: Examinar a associação entre adesão à dieta mediterrânea,\nsintomatologia de endometriose e qualidade de vida relacionada à\ndoença.\nMétodo: Estudo transversal com 254 mulheres com endometriose\nrecrutadas através de associações de pacientes espanholas. Utilizou-se o\nMEDAS (14 itens) para avaliar adesão à dieta mediterrânea e o EHP-30 para\nqualidade de vida. Modelos de regressão logística binária e regressão\nlinear múltipla foram aplicados. \nPrincipais resultados e Recomendações: Pontuações MEDAS mais altas\nassociaram-se a menores chances de dor pélvica (OR=0,85; IC 95%: 0,73–\n\nFonte: Elaborado pelas autoras, 2026.\n1,00; p=0,044) no modelo totalmente ajustado. A associação com fadiga foi\natenuada após ajuste mais amplo (OR=0,84; p=0,062). MEDAS não se\nassociou independentemente com nenhum domínio do EHP-30,\nenquanto dor pélvica e fadiga associaram-se consistentemente a pior\nqualidade de vida.\nN5: Título: Características da dieta\nem pacientes com endometriose\nAutores: Agostino Ruotolo, Silvia\nVannuccini 1, Tommaso Capezzuoli,\nFrancesca Pampaloni, Sofia Cecere,\nErnesto Gallucci e Felice Petraglia\nAno de Publicação: 2025\nTipo: Artigo de Pesquisa\nBase de Dados: Science Direct\nPaís da Produção: Itália\nPeriódico: Revista de Endometriose e Distúrbios Uterinos\nObjetivo: O estudo teve como objetivo avaliar os hábitos alimentares de\npacientes com endometriose recém-diagnosticada em comparação com\ncontroles saudáveis, focando na frequência e quantidade de várias\ncategorias de alimentos, incluindo itens pró e anti-inflamatórios.\nMétodo: Um estudo observacional transversal foi conduzido com 80\npacientes com endometriose (diagnosticadas por ultrassom transvaginal\ne/ou ressonância magnética) e 80 mulheres controle pareadas por idade\n(18-50 anos). Um questionário autoaplicável com 39 perguntas investigou\ntipos de alimentos, frequência e tamanho das porções (par2230, par2245).\nOs dados foram analisados usando testes estatísticos apropriados, com p <\n0,05 considerado significativo.\nPrincipais resultados e Recomendações: Mulheres com endometriose\nconsumiram mais frequentemente carne vermelha, presunto cru e\nmortadela (p < 0,01), além de maior ingestão diária de sal. Consumiram\nmenos frequentemente vegetais verdes, vermelhos e brancos (p < 0,01). O\npadrão alimentar mostrou desequilíbrio desfavorável entre alimentos pró\ne anti-inflamatórios.\n\nOs trabalhos analisaram diferentes estratégias nutricionais, como\ndietas com baixo teor de FODMAP, dieta cetogênica, dieta anti-\ninflamatória e dieta mediterrânea, relacionando-as principalmente à\nredução dos sintomas da endometriose, dor, sintomas\ngastrointestinais, influenciando indiretamente na qualidade de vida\ndas pacientes.\n3.2. Análise Crítica e Discussão Integrativa dos Achados\n3.2.1. Mecanismos de Ação e Modulação Inflamatória\nOs estudos analisados indicam que a alimentação pode contribuir\npara o manejo de sintomas da endometriose, principalmente dor e\nmanifestações gastrointestinais. Entretanto, os resultados variam\nconforme o tipo de intervenção e o desfecho avaliado, não sendo\npossível estabelecer uma única estratégia alimentar como\nuniversalmente eficaz. Para os autores Varney et al., (2025), foram\nidentificados efeitos positivos da dieta com baixo teor de FODMAP,\ncom melhora dos sintomas gastrointestinais, dor abdominal,\ndistensão abdominal e qualidade de vida. Já para Naeini et al., (2025),\nobservaram que uma dieta cetogênica modificada com TCM reduziu\nsignificativamente a dispareunia e a disquesia, embora não tenha\nproduzido diferenças significativas em peso, IMC, perfil lipídico ou\nmarcadores hepáticos.\nOs achados sobre a dieta mediterrânea também apontam uma\npossível relação entre alimentação e sintomas. De acordo com\nAlarco-Rosales et al., (2026), verificaram que a maior adesão à dieta\nmediterrânea esteve associada a menores chances de dor pélvica.\nEntretanto, não houve associação independente com os domínios\nde qualidade de vida, reforçando que esta é influenciada por\n\ndiversos fatores além da alimentação. De forma complementar,\nRuotolo et al., (2025), identificaram entre mulheres com\nendometriose, o maior consumo de carne vermelha, embutidos, sal\ne o menor consumo de vegetais. Embora esse resultado sugira uma\nrelação entre padrões alimentares e a doença, o caráter transversal\ndo estudo não permite estabelecer causalidade.\nO protocolo PEARL, de Huijs et al., (2026), amplia essa discussão ao\ninvestigar os efeitos de uma intervenção dietética anti-inflamatória\nsobre dor, qualidade de vida, inflamação, sistema imunológico e\nmicrobioma. Entretanto, por se tratar de um protocolo, seus\nresultados de eficácia ainda não estão disponíveis.\nDe maneira integrada, os estudos sugerem que intervenções\nnutricionais podem atuar como estratégia complementar no\nmanejo da endometriose, especialmente na redução de\ndeterminados sintomas. Contudo, a heterogeneidade dos métodos,\ndas intervenções e dos desfechos, além das amostras reduzidas em\nalguns ensaios, limita a generalização dos resultados. Assim, são\nnecessários estudos maiores e de maior duração para esclarecer\nquais estratégias alimentares apresentam benefícios mais\nconsistentes e para quais perfis de pacientes.\n3.2.2. Evidências e Desenhos Metodológicos\nAs evidências variam conforme o desenho metodológico dos\nestudos analisados:\n1. Evidência Observacional: Os estudos observacionais\nencontrados apontam uma associação consistente entre\npadrões alimentares e manifestações da endometriose.\nAlarco-Rosales et al., (2026), em uma amostra de 254\n\nmulheres, identificaram que maior adesão à dieta\nmediterrânea esteve associada a menores chances de dor\npélvica. Da mesma forma, Ruotolo et al., (2025) observaram,\nem mulheres com endometriose, maior consumo de carne\nvermelha, embutidos e sal, acompanhado de menor consumo\nde vegetais. Esses achados reforçam a possível relação entre\nqualidade da alimentação e sintomatologia da doença.\n2. Evidência Observacional e Funcional: Os ensaios clínicos\nfornecem evidências funcionais de que determinadas\nintervenções dietéticas podem produzir mudanças em\nsintomas específicos. A dieta com baixo teor de FODMAP\napresentou melhora dos sintomas gastrointestinais, dor\nabdominal, distensão e qualidade de vida, enquanto a dieta\ncetogênica modificada com TCM reduziu significativamente a\ndispareunia e a disquesia. Entretanto, os efeitos não foram\nobservados em todos os desfechos, demonstrando que a\nresposta à intervenção nutricional pode variar de acordo com\no tipo de dieta e as características clínicas das pacientes.\n3. Revisões Sistemáticas e Meta-análises: Trabalhos destacam\nque, embora o alívio da dor seja observado, existe considerável\nheterogeneidade nos protocolos de intervenção, variando no\ntempo de tratamento (oito a 16 semanas), e nos tamanhos\namostrais (geralmente até 260 participantes).\n3.2.3. Limitações e Risco de Viés\nA análise da amostra dos cinco artigos revelou limitações\nmetodológicas recorrentes, como: 1) amostras pequenas em alguns\nestudos, o que limitou a generalização dos resultados; 2)\n\nheterogeneidade metodológica, com diferentes dietas, desenhos e\ndesfechos; 3) possibilidade de viés de seleção e autorrelato,\nprincipalmente nos estudos observacionais; 4) Risco de viés de\nrelato, decorrente do uso da Escala Visual Analógica (EVA) para\nmensuração da dor, instrumento suscetível ao efeito placebo e a\nvariações individuais.\nA EVA, é dividida em três categorias, sendo leve, moderada e\nintensa, conforme figura abaixo:\nFigura 2. Escala Visual Analógica\nPara utilizar a EVA, o profissional deve questionar o paciente quanto\nao grau de dor sendo que zero é o mesmo que ausência total de dor\ne 10 é o nível máximo suportável de dor (Governo de São Paulo,\n2026).\nA EVA auxilia na aferição da intensidade da dor que o paciente está\nsentindo, é considerado um instrumento importante para verificar a\nevolução do paciente tanto no tratamento quanto no atendimento.\nA Escala também é utilizada para se avaliar se o tratamento está\nadequado, bem como se os procedimentos estão surtindo efeito\n(Governo de São Paulo, 2026).\n4. CONCLUSÃO\nFonte: Govern o de São Paulo, 2026.\n\nNo presente estudo, foram analisados trabalhos científicos que\ntratavam acerca da influência da nutrição no manejo da dor de\nendometriose, com foco na redução da inflamação e alívio da dor\npélvica. De uma forma geral, a análise dos estudos demonstrou uma\nmelhora da qualidade de vida devido as intervenções nutricionais,\nsendo assim, se tornando uma estratégia complementar ao\ntratamento convencional.\nEm síntese, os estudos sugerem que intervenções nutricionais\nindividualizadas podem representar uma estratégia complementar\npromissora no manejo da endometriose, principalmente para\nredução de sintomas gastrointestinais, dor e melhora da qualidade\nde vida. Entretanto, a heterogeneidade das intervenções, o número\nreduzido de participantes em alguns ensaios e a presença de\nestudos observacionais limitam a generalização dos resultados.\nPortanto, as evidências disponíveis apoiam a investigação e\nutilização criteriosa da terapia nutricional como parte do cuidado\nmultidisciplinar, mas reforçam a necessidade de ensaios clínicos\nmaiores, com acompanhamento prolongado e protocolos dietéticos\npadronizados, para determinar quais padrões alimentares são mais\neficazes e para quais perfis de pacientes.\nNo que tange à problemática, os achados indicam que as\nintervenções dietéticas podem contribuir com a diminuição da dor\npélvica provocada pela doença, podendo resultar na melhora da\nqualidade de vida dessas mulheres, quando comparados com\ncondições habituais de alimentação ou placebo em determinados\ncontextos. Os achados não permitiram estabelecer apenas uma\núnica intervenção nutricional como padrão para todas as pacientes.\nPor sua vez, os efeitos devem ser analisados como complementar ao\n\ntratamento médico, levando em consideração a individualidade\nclínica e nutricional de cada paciente.\nDe modo geral, a nutrição se apresenta como uma ferramenta em\npotencial no manejo da endometriose, sendo encarada como um\nelemento de uma abordagem integrada que envolve aspectos\nclínicos, nutricionais, físicos e psicossociais. Tendo isso em vista, é\nnecessário novos estudos clínicos, com uma amostra maior,\npadronizações maiores das intervenções adotadas e um\nacompanhamento longo, para determinar com maior precisão a\neficácia dos ensaios.\nPortanto, conclui-se que a alimentação e a suplementação dos\nnutrientes pode ser um fator importante para o manejo da\nendometriose, atuando sobre a desinflamação, aliviando os\nsintomas dolorosos e contribuindo com a melhoraria da qualidade\nde vida.\nRessalta-se que sua utilização deve ser realizada de acordo com as\nnecessidades de cada paciente, deve ser orientada por um\nprofissional habilitado, não sendo substituído por terapias\nconvencionais.\nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS\nABRAHAM, S. et al. Antioxidant supplementation and N-\nacetylcysteine in the reductio of endometrioma size and chronic\npelvic pain: A randomized clinical trial. American Journal of\nObstetrics and Gynecology, v. 228, n. 4, p. 412-421, 2023.\nALARCÓ-ROSALES, Raquel et al. 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